COTIDIANO

O queridinho do Alemão

A transferência do comandante da UPP provoca protestos no Morro do Adeus

Por: Thaís Meinicke - Atualizado em

foto Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)

Os moradores dos morros do Adeus e da Baiana, no Complexo do Alemão, andam furiosos com o comando da Polícia Militar. Há duas semanas, 160 deles se mobilizaram, produziram um abaixo-assinado e encaminharam o documento à corporação. O motivo para a insatisfação é a transferência do antigo comandante da UPP local, o capitão Vinícius Apolinário, para a de Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. No Alemão, muitos não se conformam com a saída do oficial, que, na opinião deles, vinha realizando um ótimo trabalho por lá. De fato, nos onze meses em que atuou à frente do batalhão de 245 praças, o capitão implantou cursos de futebol, balé, capoeira, kickboxing, ginástica para idosos e campanhas de doação de cadeiras de rodas e cestas básicas aos moradores mais pobres. "Tudo estava caminhando bem, não havia motivos para ele sair de lá", lamenta a presidente da associação de moradores, Danusia Tomaz.

Com nove anos de carreira na PM, Apolinário, 32, é um exemplo do novo perfil de policial destinado às UPPs. Assim que chegou ao morro, envolveu seus comandados diretamente nos programas educativos e sociais. Ao mesmo tempo em que atuavam nas patrulhas e demais atribuições, os próprios soldados se encarregavam das aulas ministradas à população. "Isso aproximou a tropa dos moradores, que tinham uma imagem bem ruim dos policiais", explica o capitão. Outra realização importante foi afastar a antiga direção da associação dos moradores e promover uma eleição livre do jugo dos traficantes. "Foi um marco, mais de 1?000 pessoas participaram", conta ele. Já instalado no novo posto, Apolinário planeja repetir a fórmula vencedora. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora acredita que ele tem o perfil ideal para chefiar a unidade, em uma área ainda conturbada. A seu sucessor no Morro do Adeus, o capitão Paulo Ramos, do Bope, cabe agora a missão que Apolinário desempenhou tão bem: conquistar a confiança da população.

Fonte: VEJA RIO