Show de calouros

Projetos escancaram as portas para cantores novatos em busca de projeção

Como nenhum outro lugar do país, o Rio tem um histórico de lançar grandes artistas e importantes movimentos musicais. Em Copacabana foi germinada a bossa nova, e o samba ganhou seu molde nos morros da cidade. Grandes talentos partiram daqui para ressoar em todo o Brasil e no exterior depois do empurrão inicial dado em festivais, programas de auditório, emissoras de rádio de alcance nacional e gravadoras instaladas no Rio. Sem dispor mais desses recursos, empresários e produtores se mobilizam para manter a tradição carioca de descobrir novos valores. Graças à iniciativa de uma turma de olheiros com bom faro, os novatos têm a oportunidade de se apresentar ao vivo, em palcos nem sempre convencionais. É o caso das Segundas Musicais, realizadas semanalmente no bistrô Na Casa da Táta, na Gávea. Criado pelo cantor e compositor Luís Carlinhos, o encontro conta sempre com a participação de convidados em quem ele aposta. Outro evento do gênero “show de calouros” é o Sarau Criar, uma atração itinerante da Lapa em que qualquer candidato pode se inscrever e mostrar seu trabalho. A eles se juntou o Surfando na MPB, encabeçado pelo produtor Eduardo Poyares. Na noite de estreia, realizada na última semana de abril na boate 00, na Gávea, o mestre de cerimônias foi o tarimbado Luís Carlos Miele. “É um lugar para jogar luz em quem já faz música mas não consegue mostrá-la”, afirma Poyares.

Em vez de se valerem apenas de vídeos na internet, atalho moderninho rumo ao sucesso, nomes como Luiza Sales, Anna Ratto, Marcela Mangabeira e Júlia Bosco integram a nova safra que costuma passear por esse circuito, buscando projeção nas casas noturnas que são receptivas às promessas musicais. O pessoal que se dispõe a vê-los tem gostado. Uma das atrações mais concorridas do Studio RJ, no Arpoador, é o projeto Cedo e Sentado, que acontece às quartas-feiras e tem o propósito justamente de reunir cantores desconhecidos em busca de um lugar ao sol. Dependendo da performance do novato, ele pode ser chamado para se exibir no mesmo palco, só que no horário nobre de sexta ou sábado. Foi o que ocorreu com o cantor Vinicius Castro, 26 anos, que se apresentou por lá no começo do ano e agora prepara um CD. “Os espaços estão surgindo e começam a despertar o desejo pela novidade”, diz ele. “Desde o fechamento do Cinemathéque, em 2010, a cidade ficou carente de casas que recebam os novos rostos”, opina o produtor Plínio Profeta, sócio do Studio RJ. É para acabar com essa lacuna que entram em cena os projetos alternativos, na esperança de remoçar a música brasileira. Mas à moda antiga: ao vivo.

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