O Picasso do jazz

Mostra no CCBB celebra o talento do trompetista Miles Davis, vinte anos depois de sua morte

Como convém a um gênio em sua arte, Miles Dewey Davis III (1926-1991) passou por várias fases e brilhou em todas elas. Foi um dos principais arquitetos do cool, do modal e do fusion, além de enveredar por outros estilos conhecidos. Não à toa, ganhou o apelido de “Picasso do jazz”. Vinte anos depois de sua morte, as muitas faces, musicais e biográficas, do artista americano são contempladas na exposição Queremos Miles ? Miles Davis, Lenda do Jazz, aberta para o público a partir de terça (2), no CCBB. Com título pinçado do disco We Want Miles, de 1982, a mostra foi montada pela Cité de la Musique, em Paris, onde estreou em 2009. Depois de passar por Montreal, no Canadá, chega ao Rio um rico panorama da trajetória do artista, da infância na cidade natal, East St. Louis, no estado de Illinois, até a morte, aos 65 anos.

Dos cerca de 450 objetos ? fotografias, instrumentos, roupas, documentos, capas de discos e partituras ? que contam essa história, três têm ligação com o Brasil: o primeiro é um conjunto de instrumentos percussivos usados pelo catarinense Airto Moreira quando tocava com o trompetista, entre fins dos anos 60 e início dos 70. Outro é o manuscrito original da música Nem um Talvez, do punho do próprio autor, Hermeto Pascoal, que tocou com Miles no álbum Live-Evil, de 1970. Por fim, será exibido o trompete usado nas gravações de Song of Our Country, do disco Sketches of Spain, de 1960 ? música que é, na verdade, um arranjo não creditado do segundo movimento das Bachianas Nº 2, de Villa-Lobos. Dividida cronologicamente em oito módulos, a exposição conta com instalações onde se acompanham, por vídeo e áudio, todos os momentos da carreira de Miles. O acervo também traz curiosidades como um raro vídeo do trompetista treinando boxe e quadros pintados por ele. “Cada seção mostra como a música dele foi mudando ao longo do tempo”, diz o curador, o francês Vincent Bessières.

Queremos Miles ? Miles Davis, Lenda do Jazz. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. → Terça a domingo, 9h às 21h. Grátis. Até 28 de setembro. A partir de terça (2).

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