Foi por pouco

O grupo Estação escapa da falência e agora pensa em baratear ingressos e permitir publicidade nas poltronas

Não foi nada fácil a vitória que o Grupo Estação conquistou, na terça-feira passada (5), no que diz respeito à renegociação das dívidas com seus credores, cerca de 31 milhões de reais. Na reunião, houve pressão de ambos os lados, advogados levantando a voz, ironias, deboches. Ao fim e ao cabo, porém, as partes se deram por satisfeitas. O acordo foi bom especialmente para os cinéfilos, mas, ao que tudo indica, daqui para a frente a empresa terá de ter menos sonhos e mais gestão empresarial. “Não vamos repetir os erros do passado”, garante Marcelo França Mendes, presidente do grupo.

Ele se refere à série de trapalhadas cometidas a partir de 1985, quando foi aberta a primeira sala, na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, àquela altura como um cineclube. De lá para cá, o Estação cresceu, criou braços e hoje soma quinze espaços no Rio. Isso se deu ao custo de promissórias – envolvendo dinheiro alto – que acabaram não sendo pagas. Nessa trajetória claudicante, houve pelo menos três momentos capitais: 1) a obra das salas do Shopping da Gávea, em 2007, mal orçada e muito demorada; 2) também naquele ano, a posse de Adriana Rattes, uma das sócias do grupo, num cargo do governo estadual, o que implicou perda de subsídios da prefeitura, pois julgou-se que seria antiético manter os benefícios; e 3) a associação, em 2010, a um fundo de investimentos mineiro, o que gerou mais dívidas a Mendes e companhia.

Pelo trato, o Estação se compromete a pagar 25% da dívida até trinta dias após a homologação judicial. O restante foi perdoado, diante da importância cultural e do valor subjetivo da marca para a cidade. Se não se cumprir o escrito, seus ativos correm o risco de ser leiloados.

Ao encontro, realizado numa das salas da Gávea, compareceram 37 dos 101 credores, mas eles representavam 90% do total da dívida – foi justamente por isso que a assembleia teve validade. Trinta e quatro votaram a favor do perdão, três (entre eles o gigante Santander) se posicionaram contra. De muito valeu, para que se chegasse a um consenso, a fala de Luiz Henrique Baez, diretor de Patrimônio do Grupo Severiano Ribeiro. “Fiz um apelo para que não se encarasse a dívida como uma questão objetiva, monetária, mas sim como algo de cunho subjetivo, de apoio a uma rede que abre oportunidade para que as pessoas assistam a filmes que não passam no circuito comercial.” Mendes, a essa altura aliviado, completa: “No Brasil, o empresário, quando faz sucesso, é visto como ladrão, e, quando fracassa, é tido por incompetente. Inclusive já nos tentaram a ser picaretas, mas não topamos. Não seremos nem uma coisa nem outra. Vamos voltar a propor parcerias, para crescermos, mas agora baseados em planejamentos financeiros reais, e não apenas em devaneios.” Nesse sentido, ele já aventa a possibilidade de fazer pacotes para baratear ingressos e permitir placas de publicidade nas poltronas. ?

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