Carioca Nota 10: Antônio Gaspar

O economista Antônio Gaspar criou uma entidade sem fins lucrativos que investe em negócios sustentáveis

Quando foi contratado para trabalhar em Washington, na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2005, o economista carioca Antônio Gaspar, hoje com 37 anos, acreditou ter conseguido o emprego dos sonhos. Formado pela PUC-Rio e com um mestrado na área de negócios em sustentabilidade recém-concluído na Universidade de Duke, na Carolina do Norte , ele embarcou com a mulher para os Estados Unidos. Por três anos, coordenou o programa de apoio a projetos socioambientais do BID. Entre suas tarefas estava a aprovação do orçamento de cada proposta, valor que variava de 500 000 a 5 milhões de dólares. Viajou muito pelos países da América Latina, como México, Panamá e Guatemala, mas sentia falta de assistir de perto às transformações. “Embora eu planejasse e aprovasse os projetos, não cabia a mim acompanhar a execução. Isso ficava a cargo de representações locais e muitas vezes grandes ideias se perdiam”, recorda Gaspar. “Eu queria participar ativamente, não dentro de um escritório. Tive de aprender o processo inteiro e me empenhar em cada etapa para que tudo desse certo.”

“Nosso objetivo é fomentar negócios que decolem e voem sozinhos, sem depender de ninguém”

Tal dilema acabou precipitando sua saída do banco. Pai de dois filhos, ele regressou ao Rio com a família e articulou uma rede de colegas de profissão bem-sucedidos dispostos a investir em uma nova ideia. Fundou, em 2008, o Instituto Ventura. Sem fins lucrativos, a entidade, se-diada no Leblon, financia, no Brasil inteiro, negócios que tenham como foco o empreendedorismo social e sustentável. Dezessete iniciativas estão sendo apoiadas em todo o país, três delas no Rio. O mais significativo é um programa de ecoturismo no Vale Encantado, favela no Alto da Boa Vista junto à Floresta da Tijuca. Cerca de 300 famílias são beneficiadas pelo pro-jeto, ao receber visitantes e guiá-los por quatro trilhas abertas em meio à mata, criando as-sim uma nova fonte de renda. “Faz parte do investimento oferecer orientação técnica para que os negócios deem certo. O objetivo é que eles decolem e voem sozinhos, sem depender de mais ninguém”, diz Gaspar. “Não acredito em assistencialismo. Receber algo a fundo perdido acaba sempre gerando acomodação.” Gaspar passa metade do mês fora de casa em suas an-danças pelo Brasil à caça de boas ideias nas quais investir. Por mais paradoxal que pareça, ele está convencido de que abrir mão de seu grande sonho de viver nos Estados Unidos e voltar ao Rio foi a melhor decisão que tomou na vida.

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