Mergulhando na telinha

Fui uma criança muito tímida e cheguei à pré-adolescência ainda penando para pronunciar mais de duas palavras a quem quer que fosse. Lembro até hoje das placas vermelhas que invadiam meu pescoço quando tinha que apresentar algum trabalho na frente da turma — resolvi o problema com camisas de gola rulê, mesmo nos dias de […]

Fui uma criança muito tímida e cheguei à pré-adolescência ainda penando para pronunciar mais de duas palavras a quem quer que fosse. Lembro até hoje das placas vermelhas que invadiam meu pescoço quando tinha que apresentar algum trabalho na frente da turma — resolvi o problema com camisas de gola rulê, mesmo nos dias de calor senegalês. Mas, quando a timidez começou a me incomodar de verdade, resolvi fazer teatro e… fiquei assim: tagarela, confiante, louca por uma plateia, exibida que só eu.

Provavelmente não daria tantas palestras e entrevistas se o teatro não tivesse entrado na minha vida e me dado a segurança necessária para falar em público. Mas, mesmo assim, com todo o lado extrovertido que descobri depois das aulas, jamais me imaginei no comando de um programa de tevê. Sim, caro leitor, a partir do dia 18 terei um programa para chamar de meu. O Multishow chamou, eu topei e, glup!, a estreia já é na semana que vem.

Não bastasse o programa na TV fechada, a aberta me procurou ao mesmo tempo. Estava quieta em casa quando Sidney Garambone ligou me convidando para participar da primeira mesa redonda feminina da TV Globo, ao lado de Glenda Kozlowski, Fernanda Gentil e Christine Fernandes, três mulheres que sabem tudo relacionado às quatro linhas. “Mas não entendo lhufas de futebol”, disse. “Justamente por isso pensei em você, para representar a parcela de espectadores que também não entende mas tem vontade de entender”, Garamba respondeu. Aceitei na hora. E o quadro estreou no Esporte Espetacular domingo passado.

Sabe aquele negócio de a vida vir em ondas? Vem mesmo. Estava num momento de calmaria (mais ou menos, acabo de lançar meu primeiro livro infantil e dou meus primeiros passos como roteirista adaptando um livro para cinema) quando me vi aprendendo, em rede nacional, que existe gol fora e gol dentro. Onde já se viu? Para mim, se a bola entra, meu povo, é porque é gol! Se vai para fora, não é! Mas no futebol a regra não é tão clara como dizem, viu Arnaldo? Por isso é muito bem-vindo um quadro que explique para pessoas que vivem no país do futebol, mas não sabem nada sobre ele, coisas que só são óbvias para os boleiros de plantão.

No Multishow, tive a chance de formar casais. E vi que, como na minha época de solteirice, a coisa continua puxada para quem quer um relacionamento sério. Pegar gente é fácil, mas manter um namoro está cada vez mais difícil. Bancar o cupido no estúdio, na frente de uma plateia e com uma baita equipe, me divertiu e me fez conhecer figuraças, solteiros felizes (mesmo correndo o risco de levar um toco num programa de tevê) e encalhados que se dispuseram a tentar achar sua cara-metade na frente de todo mundo. Haja coragem!

Ambas as empreitadas televisivas me deram a chance de trabalhar em equipe de novo. O trabalho de escritora é solitário, por isso trabalhar rodeada de pessoas talentosas em um novo ambiente, num novo contexto, aceitar um desafio, uma nova carreira, com 39 anos na cara, é como saltar do trampolim mais alto e mergulhar de cabeça, em êxtase, num mar de felicidade (nossa, ficou cafona paca, mas é isso mesmo que sinto).

Já me perguntam se vou parar de escrever por conta da televisão. Jamais aceitaria nada que tirasse de mim o meu prazer número 1. Sou apenas uma mulher pegando as ondas que a vida resolveu trazer aos 45 do segundo tempo de 2013.

Gosto do novo, gosto de mudanças. Sei que a vida é feita de escolhas (e das consequências dessas escolhas) e, por enquanto, as minhas têm dado certo. Espero que o namoro da TV comigo seja infinito enquanto dure. Como diz um amigo meu, eu vim aqui para ser feliz.

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