Infância, Tiros e Plumas

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Resenha por Rafael Teixeira

Por trás do humor negro escancarado neste novo trabalho da Cia OmondÉ, vislumbra-se um dramático retrato da degradação humana. A ação se passa durante uma viagem rumo a Miami, do embarque no aeroporto ao voo imprevisível e atribulado, entrecruzando histórias ligadas à infância. No avião estão a mimada Suzaninha (Carolina Pismel), miss mirim e campeã de tiro, e seu segurança Argos (Iano Salomão); a desequilibrada Marín (Debora Lamm) e o cínico Henrique (Leonardo Bricio), casal em crise que decide comemorar o aniversário de 9 anos do filho Junior (Luis Antonio Fortes) com um passeio à Disney, além da aeromoça Sângela (Juliane Bodini), amante do marido; e os comissários de bordo Cheval (Junior Dantas) e Pitil (Zé Wendell), dupla de traficantes que usa o pequeno Juanito (Jefferson Schroeder) para transportar drogas. O texto, se não chega a rivalizar com os melhores de Jô Bilac, ainda assim reafirma a qualidade de sua carpintaria dramática, notável na proposição de reflexões que surgem naturalmente do enredo, em vez de submetê-lo didaticamente a seu serviço. Também admirável é o crescendo com que os fatos se sucedem de forma alucinada até o tresloucado desfecho. A diretora Inez Viana (com a assistência de Marta Paret e a decisiva colaboração da direção de movimento de Dani Amorim) impõe dinâmica ágil à montagem, afinada com esse aspecto do texto. Cenário de Mina Quental, luz de Renato Machado e de Ana Luzia de Simoni e figurinos de Flavio Souza enriquecem a cena na qual fulgura o elenco — coeso em seu conjunto e exibindo bons trabalhos individuais, especialmente as esfuziantes atuações de Carolina Pismel e Debora Lamm.

Ficha técnica

Duração: 80 minutos

Recomendação: 14 anos

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