Janeiro começa com um vigoroso panorama das artes cênicas, reafirmando o teatro como espaço de invenção, diálogo e reflexão
Os destaques aqui reunidos são resultado das emoções, afetos e percepções de uma espectadora profundamente comprometida com o bom teatro
A direção de João Fonseca é decisiva para essa profundidade: eclético e competente em todas as frentes
Texto preciso de Leonardo Netto, direção minimalista de Rodrigo Portella e atuação contida e poderosa de Eduardo Moscovis
A força da peça está na interpretação de Sylvia Bandeira. Ela domina o palco com precisão vocal, presença madura e gestos econômicos
Encadeamento dos textos — que vão dos mais cotidianos aos mais densos — privilegia a fragmentação como método
No centro da encenação brilham Ísio Ghelman e Gustavo Gasparani. Gustavo funciona como herói mítico ao idealizar o espetáculo
Um tributo cênico à força e à alma de Jovelina e entrevsita com a figurinista Ruth Alves, que costura mais do que roupas — costura histórias
"Hoje, sigo esse caminho: quando não me encolho pra caber, encontro espaço pra ser", diz a atriz
A reinvenção contemporânea de Ibsen e o espelho das contradições modernas
Sozinho no palco, o ator está ali de corpo, alma e talento. Atua com o gesto, com o som, com o silêncio
Os diálogos, lapidados com ritmo e escuta, conduzem a trama com naturalidade e tensão crescentes
"Chamar um gay assumido para fazer o reverendo Páris é chamar alguém que entende o que significa moralidade, fé e julgamento", diz Carmo
A montagem dirigida por Bruce Gomlevsky no CCBB, com tradução impecável de Geraldo Carneiro, reafirma a vitalidade do clássico
Ambientes íntimos. Pessoas que se conhecem, que circulam em torno de si mesmas. Animais em cativeiro que entram, saem e retornam ao ponto inicial
Espetáculo é um mergulho denso e preciso nas zonas borradas entre realidade e metaverso
Com adaptação e direção de Rodrigo França, peça retrata travessias emocionais sobre deslocamentos, identidade e pertencimento
São 63 minutos de intensidade cênica: um homem e mulher que se digladiam sem descanso para exibir o horror do abandono e do desamor
Mel Lisboa não apenas interpreta — ela incorpora. Em um feito raro, a atriz se transforma diante do público com precisão quase ritual