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Influenciadoras digitais cariocas crescem em meio à pandemia

Três criadores de conteúdo para as mídias sociais contam como ganharam notoriedade durante o isolamento social

Por Ana Poquechoque, Fabiana Santoro e Marina Werneck * 8 dez 2020, 15h09

A pandemia do novo coronavírus parou a vida social e profissional de grande parte da população mundial, mas impulsionou novas oportunidades para criadores de conteúdo na internet. Aos influenciadores digitais consolidados, soma-se uma geração emergente que busca ou já sucesso compartilhando histórias, imagens, comentários nas mídias sociais. De acordo com o site BusinessInsider, a quantidade de influenciadores aumentou mais de 70% desde o início da quarentena. No pico da crise mundial, o público do Instagram, por exemplo cresceu 40%, calcula a Kantar.

Criadora de conteúdo para o Twitter, a carioca Brenda Safra (@brendasafra) tem aproveitado esse crescimento. Ganhou 20 mil seguidores desde o começo do ano. Brenda conta que eles a motivam a incrementar as postagens, para aproximá-los ainda mais e sempre “a enxergarem como uma pessoa confiável”. Para reforçar a conjugação entre engajamento e aumentou, a influenciadora aposta na regularidade das publicações: “O Twitter é uma rede social muito orgânica. As pessoas que produzem para essa plataforma costumam manter o engajamento quando postam com a mesma frequência. É diferente do Instagram e do TikTok, nas quais se costuma ter visibilidade quando o conteúdo viraliza de alguma forma”, avalia.

Erick (@desfilei),
Erick (@desfilei) Divulgação/Divulgação

O TikTok se tornou o segundo aplicativo mais baixado na internet, ultrapassando 1 bilhão de downloads no Android, segundo dados da Squid, empresa especializada em marketing e influência. Anna Flávia Lanna (@annalanna_) pegou a onda e, mesmo inicialmente de forma despretensiosa, também viu o volume de seguidores aumentar ao alongo da quarentena. Ela observa que, nessa rede social, é necessário “trabalhar com os algoritmos e fazer conteúdos de fácil identificação com o público”.

“O que mais dá engajamento é o trending”, destaca.

Anna Flávia começou a usar o TikTok no início da pandemia, numa resposta às privações impostas pela pandemia. Pois “não tinha nada pra fazer, não estava tendo aula e resolvi fazer uns vídeos, que ficaram famosos”. Em alguns meses amealhou 184 mil seguidores. Ainda assim, não vê o aplicativo como trabalho. Publica vídeos “quando tem tempo livre” e prioriza a vida universitária.

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Erick (@desfilei), influenciadora do Instagram, cultiva uma relação diferente com a rede social. Ela diz situação que “não se vê fazendo algo senão criar conteúdo para a internet”. Durante a pandemia, seus seguidores saltaram de 18 mil para 26 mil. O trabalho em casa ficou mais organizado e mais intenso, com a propensão ao avanço do consumo online. “Está todo mundo dentro de casa. As pessoas precisam consumir conteúdo e se entreter, já que vivemos um bem tenso.Mas confesso que me sinto pressionada para manter a consistência nas postagens”, ressalta.

A demanda por conteúdos online acelerou neste ano atípico. Segundo a Squid, a taxa de engajamento dos influenciadores digitais cresceu 24% desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou a pandemia da Covid-19. Para Erick, o consumo de conteúdos e interações online seguirá em alta mesmo com o fim da crise sanitária. “A forma como as pessoas vão consumir [conteúdos] vai mudar, mas não vai afetar o engajamento”, prevê.

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Já psicóloga Andréia Calçada acredita que, depois do surto de coronavírus, muitos tendem a se saturar com o consumo mais intenso das mídias sociais. Até porque, quando as rotinas profissionais e domésticas se reequilibrarem, o tempo para produzir e consumir conteúdo online tende a diminuir. Ela reconhece que, nesse período, estamos sendo mais influenciados do que o normal. “Por estarmos isolados, as pessoas recorrem ao conteúdo de influenciadores para canalizar os problemas”, disse.

Anna Flávia
Anna Flávia Divulgação/Divulgação

Até o ano passado, o Brasil acumulava mais de 140 milhões pessoas que utilizavam as redes sociais, aponta uma pesquisa da We Are Social em parceria com a Hootsuite. Na quarentena, a quantidade ficou ainda maior, como confirma o levantamento da Squid, e ampliou o mercado de influenciadores digitais. Para Anna Flávia, um dos trunfos competitivos corresponde ao domínio dos algoritmos. “São os grandes responsáveis pela entrega dos vídeos para o público do aplicativo, além da aparição das publicações na página Para Você”, conta.

No TikTok, a maioria das postagens recorre a um grande número de hashtags nas legendas para atingir uma maior quantidade de pessoas. Para Brenda, o crescimento de visualizações exige “muita frequência”. “No TikTok você tem que dar uma surra de conteúdo”, afirmou.

A influenciadora pondera que, para se lançar no Twitter, é necessário “ter honestidade e saber controlar o que falar, com autocontrole”. Ela acrescenta: “A gente tem que ser aberta, porque na internet há pessoas de todos os meios sociais, de todos os tipos. Temos de saber lidar com elas, saber ouvir. Também é preciso ter frequência [de publicação]. Sei que é difícil, porque várias coisas dificultam a postagem frequente, mas essa questão é crucial quando se tem o objetivo de influenciar e ganhar visibilidade na internet”.

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Assim como a Brenda, Erick afirma que “ser verdadeira” é essencial para progredir como influenciadora. “É preciso entregar sempre a sua verdade, independente do que será feito ou falado. O importante é seguir a identidade própria, porque não dá para sustentar uma máscara durante muito tempo “, alerta.

 

Algumas outras influenciadoras emergentes

 

Instagram:

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–  Lara Werneck (@larawerneck)

– Carolinna Bocayuva (@makeupbybocs)

– Ariel Albuquerque (@desventurasdeumatravesti)

 

Tiktok:

 

– Rômulo Chaves (@minhochaves)

– Yan Costa (@yancostaavila)

– Isabella Russo (@bellarusso_)

 

Twitter:

– Rebecca Garcia (@rbcgaia)

– Raphael Vicente (@raphaelviicente)

– Flora Baby (@florababylon)

 

*Reportagem feita pelos alunos da PUC Ana Poquechoque, Fabiana Santoro e Marina Werneck 

 

 

 

 

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