Na mente do gênio! Michelangelo ganha exposição imersiva nos Correios
Com réplicas de esculturas em tamanho real e projeções em alta resolução, exposição imersiva no Centro Cultural Correios destrincha a trajetória do mestre
Ao receber o convite do papa Júlio II (1443-1513) para pintar o teto da Capela Sistina, a reação inicial de Michelangelo (1475-1564) foi reclamar. Na época com 33 anos, o italiano se apresentava como escultor e a ideia de trocar entalhes em mármore por tintas e pincéis não lhe agradava. A história mostra que ele não só aceitou o desafio como se tornou um dos criadores mais aclamados de todos os tempos.
“Michelangelo foi um dos primeiros artistas celebridade. No século XVI, era famosíssimo, provavelmente contra a sua vontade, porque não gostava de ser incomodado”, explica Maria Berbara, professora de história da arte da Uerj.
O temperamento ranzinza só não se sobrepunha ao talento que mostrou em diferentes frentes, das esculturas aos poemas. Toda essa complexidade é revisitada em Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina, que chega ao Centro Cultural Correios nesta sexta (28), após impactar mais de 300 000 pessoas em Recife e São Paulo.
“Ao contrário da maior parte das exposições imersivas, vamos além das projeções visuais, com muitas partes construídas. Os visitantes entram nos cenários”, aponta Felipe Pinheiro, produtor-executivo da mostra.
A trajetória do mestre do Renascimento é recomposta através de cartas, réplicas de esculturas em tamanho real, manuscritos e desenhos espraiados por quinze salas em mais de 1 000 metros quadrados — uma delas dedicada à famosa Pietà, de 1499, que retrata Jesus no colo da Virgem Maria.
A ideia era que artesãos brasileiros reconstruíssem as estátuas, mas tamanha complexidade resultou em sucessivas negativas. A solução, então, foi tecnológica.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
“Hoje não é mais permitido, mas há três décadas foram feitos moldes de gesso das obras. Tivemos acesso a esse material e as esculturas que não contavam com o modelo foram escaneadas milimetricamente”, conta Pinheiro, acrescentando que braços mecânicos comandados por inteligência artificial copiaram cada curva com perfeição.
Na ala da Capela Sistina, o público pode conferir uma maquete e explicações sobre o conclave, reunião de cardeais realizada no templo do Vaticano para eleger o novo papa.
No gran finale, painéis em alta resolução mostram as pinceladas do teto de pertinho. “Na Capela Sistina, os afrescos estão a 15 metros de distância do olhar. Na exposição, é possível destrinchar os detalhes”, destaca o produtor da mostra. Audioguias sobre cada obra podem ser acessados através de QR Codes.
+ Dia Nacional do Samba celebra passado, presente e futuro da música
Numa era em que tudo que é consumido deve ser postado imediatamente, o público sente a necessidade de colecionar experiências. “As pessoas querem ter a sensação de estar vivendo, não apenas contemplando. É algo relacionado ao espírito da nossa época, em que tudo é multissensorial e acelerado”, ressalta a professora da pós-graduação em economia criativa da ESPM Luciana Santa-Cruz.
Não à toa, Chaves — A Exposição, dos mesmos criadores da mostra sobre Michelangelo, no Via Parque, teve o fim adiado para fevereiro de 2026. Nos últimos anos, mostras imersivas como Van Gogh Live — 8K (2022) e Monet À Beira D’Água (2022) acumularam filas na porta — e uma imensidão de fotos e vídeos nas redes.
“É uma forma de apresentar ao público local obras que, presencialmente, só podem ser vistas em museus da Europa. Esse tipo de mostra chama a atenção e oferece cultura”, enlaça Pinheiro. A julgar pela velocidade com a qual os ingressos vêm sendo vendidos, exposições como Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina provam que o dito erudito é mais popular do que parece.
+ Moda, crime e bafão: o enigma de Amaury Veras volta à cena
Dos entalhes às pinceladas
Cinco atrações para conferir na exposição
Pietà. A famosa representação da cena bíblica ocupa uma das alas, trazendo explicações sobre a escultura e uma cópia em tamanho real.
Davi. No foyer do Centro Cultural Correios é possível conferir a réplica de uma das obras mais celebradas de todos os tempos. Com 5 metros, é difícil desviar a atenção.
Portal em formato de fechadura. Uma das passagens entre ambientes imita o formato do Vaticano, uma fechadura para simbolizar a ligação entre o reino dos céus e da terra.
Projeções das pinturas. Os afrescos da Capela Sistina aparecem em gigantografias e, em seguida, os visitantes se sentem dentro delas, por meio de projeções de alta resolução.
Ateliê de Michelangelo. A primeira sala mostra o ambiente caótico em que o escultor trabalhava. Os detalhes revelam como eram as janelas da época e os torsos no teto.
Centro Cultural Correios. Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro. Ter. a sáb., 12h/18h. De R$ 25,00 a R$ 50,00. Ingressos pelo site feverup.com
Ela enganou todo mundo! Marca de ovos de Gracyanne era ação publicitária
Mini-desfiles na Cidade do Samba: 12 escolas e shows de Zeca e Martinho
Réveillon no Fairmont: vista para os fogos mais famosos do mundo
Brasil celebra marco histórico e lança convite oficial para o TurisMall
Hotel Santa Teresa MGallery prepara festa de Réveillon





