À sombra do Rei do Rock

Em O Último Elvis, a melancólica trajetória de um operário que faz cover em casamentos

Por Miguel Barbieri Jr. 28 mar 2013, 19h17 | Atualizado em 5 dez 2016, 14h49
Divulgação
Divulgação (Redação Veja rio/)
Continua após publicidade
À sombra do Rei do Rock Priorizar nos meus resultados Google

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Muito já se falou que o cinema argentino dá um baile no brasileiro. Comparações não faltam. É preciso, porém, levar em conta que apenas a nata da filmografia do país vizinho desembarca em nossas salas. Mas, se tomarmos o exemplo do drama O Último Elvis, veremos como a simplicidade e a falta de pretensão resultam num trabalho singelo e eficiente.

Professor universitário, John McInerny, considerado um dos melhores covers latino-americanos de Elvis, faz sua estreia no cinema na pele do protagonista. Ele é Carlos Gutiérrez, 41 anos. Trabalha numa fábrica, está separado da mulher (Griselda Siciliani) e tem um relacionamento de poucas palavras com a filha pequena (Margarita Lopez). Nas horas vagas, solta o vozeirão apresentando-se em casamentos, clubes e até asilos. Seu cotidiano e sua figura beiram o patético. Carlos não só se veste como o Rei do Rock ? ele tem certeza de que é Elvis. Na pindaíba por causa dos calotes nos shows, ele vai sofrer um revés do destino após sua ex-esposa se acidentar e entrar em coma.

São praticamente três personagens e alguns coadjuvantes tão bons quanto os principais. Em toada melancólica, o registro ameaça trazer à tona um drama psicológico. Contudo, prefere se apegar à comovente reaproximação entre pai e filha. Sem estragar as surpresas, o desfecho se dá em Graceland, a mítica mansão de Elvis, recriada espetacularmente num estúdio de Buenos Aires. Em seu primeiro trabalho na direção, Armando Bo, um dos roteiristas de Biutiful (2010), de Alejandro González Iñárritu, constrói muito bem um personagem desgostoso, por vezes desagradável, imbuído da missão de reverenciar seu ídolo com uma entrega absoluta.

O Último Elvis, de Armando Bo (El Último Elvis, Argentina, 2012, 91min). 14 anos. Estreou em 29/3/2013. Estação Barra Point 2, Estação Rio 3, Estação Vivo Gávea 4.

Publicidade
TAGS:

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidadeMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em uma rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com títulos como Furo Cruzado e Vale-Tudo
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês