De braços abertos: os projetos que conectam refugiados e cariocas

Projetos promovem convivência harmônica e trocas culturais entre cariocas e estrangeiros no Rio

“É extraordinário. Extraordinário”. É como a carioca Emanuela Farias define a mudança que o projeto Mulheres do Sul Global provocou em sua vida. Emanuela é a criadora dessa iniciativa que promove formação em corte e costura para mulheres refugiadas que vivem no Rio de Janeiro.

A ideia surgiu a partir de um trabalho voluntário no ateliê de um mosteiro na Índia. De volta ao Brasil, ela juntou a experiência no exterior com a vontade de atuar com mulheres em situação de refúgio e vulnerabilidade social. No primeiro contato com um grupo que participava do Cores da Cáritas, outro projeto que envolve acolhimento a refugiados, ela ouvia perguntas frequentes sobre máquinas de costura. Surgiu, então, a ideia.

O Mulheres do Sul Global promove experiências diferentes no Rio de Janeiro para as envolvidas. Tudo a ver com o #hellocidades, projeto de Motorola que sugere jeitos diferentes de aproveitar a cidade e fazer novas conexões entre as pessoas e os lugares.

A congolesa Celina Sagrasse é uma das três participantes do grupo. Ela mora no Brasil há dois anos com os cinco filhos. Nasceu no Congo e cresceu em Angola, o que favoreceu a escolha do Brasil como refúgio, já que a língua não seria uma barreira. “Aprendi a costurar na escola. Trabalhava com costura em Angola. Comecei o curso na Cáritas há cinco meses e depois conheci a Manu, e estamos juntas agora”, conta Celina.

Hoje, o Mulheres do Sul Global funciona em colaboração com a costureira Teresa Vitoriano, e os trabalhos são feitos no ateliê dela no Itanhangá, zona oeste da cidade. Mas o objetivo é formar as participantes como empreendedoras. “Se o empreendedorismo é um desafio para a gente, imagina para elas”, conta Emanuela.

Juntas, as participantes e Emanuela elaboraram uma coleção para gastronomia com uniformes, aventais, dólmãs etc. O projeto aproveitou uma tradição de intercâmbio de tecidos que existe dentro da comunidade africana no país para misturar aos tecidos brasileiros e dar cara à conexão Brasil-África. O lançamento oficial da Coleção Gastronomia será no dia 17 de novembro no espaço de coworking Nex, na Glória (Ladeira da Glória, 26, Bloco 3).

Comida que junta

No início de agosto de 2017, o sírio-egípcio Mohamed Ali foi protagonista de um episódio célebre no Rio. Ali, que está no brasil há três anos e vende salgados árabes numa barraca em Copacabana, foi hostilizado por outros ambulantes da área com ofensas xenofóbicas, e teve suas mercadorias espalhadas pelo chão. Imagens da confusão foram parar na internet. O que veio em seguida foi uma avalanche de mensagens de apoio a Ali e até uma vaquinha on-line foi organizada para arrecadar dinheiro para o ambulante legalizar seu negócio.

Mohamed é apenas um dos muitos refugiados que tenta ganhar a vida no Rio de Janeiro vendendo comidas típicas de sua região de origem. Apesar da hostilidade que o estrangeiro sofreu, o retorno positivo da maior parte da população carioca é uma prova de que a cidade está, sim, de braços abertos para receber quem vem de fora. Ainda mais se quem vier trouxer uma tradição culinária diferente na mala.

A Feira Chega Junto nasceu de uma parceria da Cáritas com o evento gastronômico Junta Local. Trata-se de um encontro periódico entre chefs e cozinheiros refugiados e o público carioca. Atualmente, 20 famílias participam da feira, entre refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes. Os participantes vêm de diversos países, como Angola, Síria, Congo e Venezuela.

Feira Chega Junto mostra cultura gastronômica internacional para cariocas (Feira Chega Junto/Divulgação)

“O carioca é naturalmente receptivo ao exótico e à boa comida, por isso, não foi difícil encontrar na cidade do Rio o ambiente perfeito para um projeto como o Chega Junto. A cada feira, os refugiados e migrantes fazem novos amigos e são convidados para participar de eventos, incluindo feiras, jantares e outros projetos gastronômicos”, conta Luciara Mota, coordenadora da iniciativa.

A gerente de marketing Ana Brunn é uma das assíduas frequentadoras do evento. Já esteve em três edições e garante que volta em todas que puder. “A comida é fantástica, mas a experiência é ainda maior. Cada pratinho tem uma história para ser contada. Alimentamos o corpo e um pouco da alma também”, diz Ana.

Há refugiados de mais de 20 países vivendo hoje no Rio de Janeiro (Mauana Simas/Divulgação)

Luciara explica que o impacto dos organizadores é exatamente este: “ter ali uma ponte dessas famílias com a cidade e criar, a partir das feiras, novas redes de cooperação que possibilitem sua inserção social e profissional a longo prazo na cidade.” A programação da Feira pode ser acompanhada pela página no Facebook.

Ficou com vontade de experimentar todas essas delícias? Pois não perca as próximas edições dos eventos, tire muitas fotos e compartilhe tudo com as hashtags #hellocidades. Para descobrir ainda mais, acesse hellomoto.com.br.

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  1. A feira Chega Junto cobra aluguéis absurdos para que os refugiados tenham o direito de expor. Isso precisa ser dito! A proposta altruísta é mera fachada e estão usando o tema do refúgio para marketing próprio. Não existe benefício para os refugiados.