Relaxe e não perturbe a música
VEJA RIO visitou o [111], bar de audição de vinis cuja proposta é bebericar, degustar e paquerar entre sussurros
No elevador que desemboca no salão, um cartaz com fotografia enigmática lembra um típico aviso do síndico aos condôminos: “Por favor, mantenha a voz baixa”. O pedido é assinado pelo senhor Wataru Fukuyama, que existe em carne e osso do outro lado do mundo, à frente do Martha, um “listening bar” em Tóquio onde recomenda-se a prática da mímica no salão, sob pena de expulsão.
O [111], comandado pelo rigoroso restaurateur Menandro Rodrigues um andar acima dos prestigiados Haru e Umai, se inspira no pioneiro japonês, mas pretende pegar leve com a clientela.
O investimento – coisa de 3,5 milhões de reais -, foi em torno de um objetivo: fazer da empreitada a mais completa tradução de um autêntico bar de audição japonês a duas quadras da barulhenta Praia de Copacabana. “Estou me sentindo fora do Rio, uma viagem legal na cidade que eu amo”, disse a curadora de arte Amanda Abi Khalil, 40 anos, libanesa radicada por aqui.
Ela foi uma das primeiras a chegar na casa, às 19h da primeira sexta-feira de funcionamento. “É uma proposta diferente para um público festeiro como o carioca. Estou curiosa”, comentou, enquanto lia um livro pelo celular e bebia saquê acomodada num elegante sofá de couro.
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Ao contrário de uma nova leva de bares com clima de boate, misturando sets de DJs, comida japonesa, drinques sofisticados e projeções, a exemplo do Rocco, em Ipanema, o Merci, na Barra, e o Triplex, em Botafogo ó, no [111] a regra é que os clientes permaneçam sentados. “Não sou da balada, não gosto de som ruim explodindo no alto-falante e gente bebendo por beber. Quando conheci esse tipo de bar no Japão, quis trazer algo inédito para o Rio”, aponta Rodrigues.
O espaço dispõe de um tratamento acústico que nada deve a um bom estúdio musical, e doze caixas de som estão escondidas no requintado ambiente, decorado com gravuras japonesas. Naquela sexta-feira, a frequência eclética lembrava um happy hour, misturando bermudas e mochilas a blazers e vestidos com jeito de caros.
Às 20h30, ao som do trombonista japonês Hiroshi Suzuki, um casal se beijava sem pressa, próximo a um rapaz que praticava com afinco o air bass (a arte de fingir que toca o instrumento) e uma senhora lá pelos seus 70 anos percorria o salão sem pressa: “Estou conhecendo a casa, é muito bonita”, disse a um garçom. A cabine do DJ e curador musical Danny Dee guarda 1 000 vinis, entre pérolas de prensagem japonesa, como a trilha do filme Star Wars e o álbum de Stan Getz e João Gilberto, de 1964.
Atento a cada movimento, o chefe de bar e gerente Leonardo Santos, responsável pela coquetelaria de excelência, tem a delicada tarefa de explicar a proposta e pedir moderação no volume das conversas. Durante a visita de VEJA RIO ele passou por momentos de apreensão com a chegada de um casal com três crianças muito animadas, vindas da fila de espera do restaurante logo abaixo. Papel e lápis de cor brotaram rapidamente, aquietando a goela dos pequenos. O falatório aumenta com o passar do tempo – e dos copos – e parece difícil de ser evitado na cena tropical.
Avisos não faltam: no cardápio, que tem até glossário, está escrito “esteja ciente que vozes altas podem atrapalhar” e, por baixo dos drinques, os porta-copos exibem a frase “não perturbe a música”. “Achei que você ia dar um bronca na gente porque estamos falando e rindo alto”, disse o designer de moda Dario Oliveira, 38 anos, assim que o repórter se aproximou do grupo de quatro amigos. “A proposta é um pouco pretensiosa, mas o som é muito bom e voltarei com certeza”, projetou.
“A ideia não é competir com as vozes, e até tocar mais baixo para que todos os volumes se reduzam ao mesmo tempo. Funciona na maioria dos casos”, garante Danny Dee. Agora é torcer para um ambiente de harmonia em que as bocas não atrapalhem os ouvidos.
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Um estúdio em forma de gastrobar
Novidade promete imersão sonora única nas Américas
O requinte no [111] não está apenas nos primorosos coquetéis autorais e nos petiscos modernos do menu — tem barriga de porco com sorvete de milho (R$ 47,00); e cogumelos com bacon de pirarucu (R$ 69,00) —, mas na concepção do salão, dividido em quadrantes sonoros, com a cabine do DJ bem no meio.
Ali, esconde-se um imenso subwoofer com capacidade de 5 000 watts de grave. Cada espaço tem quatro pontos sonoros, somando doze caixas de alta fidelidade, ocultas atrás de fino gradil no teto e cruzadas de maneira que, em qualquer lugar ou posição que o cliente esteja sentado, a percepção em estéreo seja a mesma.
Como nos estúdios, algumas paredes têm forro de lã de rocha, com placas de madeira e furos redondos sobre tatame de palha. Esse conjunto funciona ao mesmo tempo como absorvedor e difusor das ondas sonoras. A cada faixa executada, o vinil em questão é colocado num pedestal à frente do DJ, para quem quiser conhecer a obra.
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