Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br

Mocktails: nova onda nos bares mostra que drinque sem álcool não é suco

Da alta gastronomia aos balcões da moda, coquetéis que refletem tendência mundial mesclam conceito, técnica e sabor

Por Pedro Landim
30 jan 2026, 09h16 •
Liz_Below Zero_crédito Nubra Fasari (1).jpg
Liz: o drinque below zero leva cerveja sem álcool, segmento que cresce (Nubra Fasari/Divulgação)
Continua após publicidade
  • O apelido é recente, cunhado no século XX, e chegou a causar controvérsia no universo das misturas pelo significado da palavra mock, que sugere imitação e deboche. Os mocktails seriam, portanto, uma forma de trapaça nos balcões. A princípio, a polêmica sobre os drinques sem álcool é boba, mas ganha sentido quando os não etílicos se posicionam com destaque na coquetelaria, e pesquisas apontam queda do consumo alcoólico pelas novas gerações. Enquanto a indústria investe em destilados, vinhos e outras bebidas em versões sóbrias, os mixologistas entendem que não basta servir um suco de fruta com água com gás. “O processo exige estudo, dedicação e propósito, buscando os pilares de complexidade da alta coquetelaria mesmo sem o álcool como aliado”, diz o craque Alex Mesquita, do premiado Elena, que envolveu a equipe num brainstorm para a tarefa, utilizando processos modernos da gastronomia como o vácuo e o congelamento rápido para a produção de insumos. “Os parâmetros de consumo vêm se transformando, os jovens estão voltando mais cedo para casa, mas o padrão tem que ser o mesmo nas novas experiências”, completa.

    Elena_Nova Carta de Drinks_Yucatan_Credito Bernardo Egito (83).jpg (1)
    Elena: palo santo, purê de manga, sálvia e água de azeitona (Bernardo Egito/Divulgação)

    Ao redor do mundo, a apreciação de drinques está ganhando novos contornos, no rastro de pesquisas como a da Ipsos-Ipec em parceria com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), indicando que a abstinência entre brasileiros de 18 a 24 anos aumentou de 46% para 64% entre 2023 e 2025. Nesse cenário surgem eventos como as coffee parties, festas pela manhã, com café pós-treino liberado, e os coquetéis entram na lista do autocuidado. “Estamos criando drinques funcionais para o spa, com blends de chás especiais, para acompanhar a ioga ou uma massagem”, conta Waguinho, chefe de bar do Arp, no Hotel Arpoador, e nome destacado na nova geração. “Hoje é dever de casa do bartender fazer um bom mocktail”, diz, trabalhando em mesclas como cajá e cúrcuma na base dos drinques sem álcool para a estação.

    Compartilhe essa matéria via:
    waguinho arp credito leo lemos.JPG
    Arp Bar: o mixologista Waguinho cria drinques livres de etanol para a ioga e a massagem (Leo Lemos/Veja Rio)

    Especiarias e frutas menos evidentes, infusões, tinturas e fermentações são estratégias para a confecção de mesclas sedutoras em sabor e textura, com produtos como a nova coleção de xaropes desenvolvida pela gigante francesa Monin, de olho na ‘moquetelaria’. São sabores extraídos de plantas raras como a camaronesa pimenta-de-Penja; a resina do ládano, vegetal mediterrâneo; e a madeira palo santo, que entra em drinque do Elena com purê de manga, sálvia e água de azeitona. Neste verão, Liz, Meza Bar, a pizzaria Ferro e Farinha e o japonês Gurumê também passaram a ter seção dedicada aos drinques que impedem ressaca.

    Continua após a publicidade
    katy perry de soi credito divulgacao.jpg
    Kate Perry: aperitivo com adaptógenos para equilibrar as energias (Divulgação/Divulgação)

    Até a alta gastronomia se adequou: salões com estrelas Michelin, que recebem vasto público estrangeiro, criaram harmonizações dos menus sem traço algum de etanol. É o caso do asiático Mee e demais balcões do Copacabana Palace, que implementa em 2026 um laboratório de ponta voltado aos drinques, com ênfase na produção de bebidas. “Teremos centrífugas e outros equipamentos para produzir vermute, rum e bitters sem álcool de alta qualidade”, afirma o bartender Stephano Giglio. O desejado Oteque, do chef Alberto Landgraf, por sua vez, harmoniza os oito passos do cardápio com mocktails feitos na hora, sob reserva, seguindo os critérios de delicadeza e precisão dos pratos – um deles, desenvolvido pelo sommelier Leonardo Silveira, leva xarope caseiro de abacaxi, limão-siciliano e chá de camomila.

    Sucesso em bares paulistanos, a Lucia, um drinque engarrafado (e álcool free) das influenciadoras Victoria Linhares e Bertha Jucá, combina ginseng, jambu e valeriana e em breve aporta por aqui. O planejamento é faturar 10 milhões de reais no primeiro ano. O sonho se justifica em pesquisas como a do Market Research Future, prevendo que o mercado de bebidas não alcoólicas passe de atuais 7 bilhões de dólares para 16 bilhões em 2035. O “janeiro seco” é apenas o primeiro mês de um calendário marcado pela moderação.

    Gurumê_Red Berry2_Crédito Felipe Archer.jpg
    Gurumê: visual apurado no restaurante japonês (Felipe Archer/Divulgação)
    Continua após a publicidade

    + Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

    Estrelas sóbrias

    Artistas internacionais investem na indústria

    Atração do próximo Rock in Rio, o músico britânico Elton John lançou no início do ano um espumante sem álcool, e ele não está só nessa. O piloto Lewis Hamilton tem a sua versão de tequila desde que largou a bebida preferida para melhorar o desempenho nas corridas.

    Continua após a publicidade
    proef-de-innovatie-ambar-van-almave-door-lewis-hamilton-world-of-nix_69106482-6308-4488-9e6b-f73dd8fef8dd.jpg
    Lewis Hamilton: primeira tequila zero do mercado (Divulgação/Divulgação)

    Conhecido pelo vício em drogas, o ator americano Charlie Sheen toca uma marca de cervejas zero, enquanto a diva pop Katy Perry tem uma linha de vinhos com adaptógenos. 

    elton john espumante credito divulgacao.jpg
    Elton John: uvas chardonnay, bolhas e zero álcool (Divulgação/Divulgação)

    BAIXE O APP COMER & BEBER E ESCOLHA UM ESTABELECIMENTO:

    IOS: https://abr.ai/comerebeber-ios

    Continua após a publicidade

    ANDROID: https://abr.ai/comerebeber-android

     

    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do RJ

    A partir de R$ 29,90/mês