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Vinoteca

Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos
Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos
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Vinho e Cachorros

A última moda em Paris é a degustação de vinhos por cachorros. Isto mesmo,

Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
11 set 2017, 11h11

Por Marcelo Copello (trecho do livro Vinho & Algo Mais, Editora Record)

(texto de ficção)

A última moda em Paris é a degustação de vinhos por cachorros. Isto mesmo, aquele animal de quatro patas que late. Com a divulgação de várias pesquisas que comprovam as benesses do vinho à saúde dos seres humanos, a Associação de Criadores de Animais de Estimação de Paris (Acaep) resolveu que seus “Lulus” merecem tudo de mais saudável, oferecendo a estes o néctar de Baco.

As melhoras já são notadas. Os totós latem menos, atacam menos pessoas nas ruas, os pelos ficam mais brilhantes, seus intestinos trabalham melhor, e, sobretudo, são muito mais fiéis a seus donos, acompanhando-os a todas as degustações.

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Alguns cães de caça estão sendo treinados para degustações técnicas, dada a indubitável capacidade olfativa destas raças. A dificuldade está em treiná-los a preencher a ficha oficial de degustação, utilizada pela ABEP (Associação Brasileira de Enófilos Profissionais). Esta entidade foi contatada para ministrar cursos de degustação a uma turma de 20 poodles contratados por uma grande vinícola brasileira, que está investindo na novidade.

A moda está se espalhando. Uma socialite carioca, que enviou seus dois collies para a última VINEXPO, diz que eles estão treinados para morder a mão de quem lhes servir “Champagne” que não seja francês legítimo. Já um ex-governador de São Paulo, Paulo Paluf, diz que seus labradores uivam de entusiasmo a cada taça de Romané Conti que lhes é servida.

Um fabricante austríaco de taças de degustação, consideradas os Rolls Roices da categoria, já anunciou sua nova linha, a Canis-Extreme. São potes semelhantes aos usados tradicionalmente pelo dogues, só que elaborados com o mais puro cristal. Os tamanhos e formas variam de acordo com o tipo de vinho e com a raça do animal. O modelo Porto Vintage-Chiuaua é delgado e tem capacidade para 50ml apenas, uma precaução para que pequeno quadrúpede não se afogue. Já a bitola do Borgonha-São Bernardo pede que seja aberta uma garrafa magnum para preencher seus 1,5 litros de conteúdo, bem de acordo com o a sede do cão pinguço dos alpes.

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Uma das maiores importadoras brasileiras revela, em segredo, que já usa há vários anos dois pastores alemães especialmente treinados para indicar a qualidade das safras que compra e vende en primeur. As notas dos pastores variam de 1 a 5, conforme o número de latidos após a degustação. Cinco latidos é a nota máxima.

Um certo crítico de vinho superpoderoso norte-americano, que possui um fox terrier, diz que a última palavra, digo latido, nas notas que dá, é do pequeno animal, que atende pelo nome de Latour. Se Latour latir o produtor do vinho pode comemorar!

Agora assim, podemos dizer que este é melhor amigo do homem.

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Obs: esta é uma obra de ficção em que qualquer semelhança com fatos reais é mera embriaguez.

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