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Teatro de Revista

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Por trás dos panos: reportagens, entrevistas e novidades sobre a cena teatral carioca

Deborah Evelyn e o diretor Emílio de Mello conversam sobre teatro

Em cartaz com a peça "Estranhos.com", dupla retoma a parceria em novo formato

Por Renata Magalhães
3 jun 2017, 00h00 • Atualizado em 3 jun 2017, 00h00
  • Emílio de Mello
    Emílio de Mello dirige Deborah Evelyn em “Estranhos.com” (Eny Miranda/Divulgação)

    Depois de estrelarem o excelente espetáculo Fluxorama, no qual cada eram responsáveis por dois dos quatro monólogos apresentados, Deborah Evelyn e Emílio de Mello retomam a frutífera parceria. Ele, desta vez, assume o papel de diretor em Estranhos.com, no qual a atriz, ao lado de Johnny Massaro, investiga as consequências da era digital nos relacionamentos amorosos. O texto é assinado pela prestigiada autora norte-americana Laura Eason (roteirista da série House of Cards, cuja quinta temporada já está disponível na plataforma Netflix) e conta a história de amor entre um jovem blogueiro que fez sucesso ao relatar suas experiências sexuais para o mundo e uma professora de literatura avessa às novas tecnologias.

    Deborah e Emílio conversaram sobre o novo projeto, em cartaz no Teatro das Artes até 2 de julho. Sugerido pela VEJA RIO, o bate-papo se tornou uma verdadeira ode ao teatro, na qual os dois artistas declararam seu amor.

    Deborah Evelyn: O que te atraiu nesse texto a ponto de querer dirigi-lo?
    Emílio de Mello: Em primeiro lugar, gosto de trabalhar com pessoas que admiro e confio. Como o convite partiu de você e da Monica [Torres, coprodutora], já fiquei com vontade de fazer! Formar o elenco e a equipe criativa com pessoas que gosto tanto foi muito motivador. Sem esses parceiros, não conseguiria realizar essa direção.

    DE: Quando você começou a dirigir, imaginava que os personagens seriam como eles são agora? Quanto você já tem esboçado antes de começar e quanto é construído durante o processo de criação?
    EM: Logicamente, quando a gente lê o texto já começa a fazer uma ideia dos personagens, talvez uns 10%. O restante é construído a partir dos ensaios. Hoje eles são personagens que não imaginei no início do trabalho.

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    DE: Vivemos em um momento no país onde a cultura tem, cada vez mais, que lutar para se fazer presente. Você acha que com Estranhos.com estamos ajudando nessa luta?
    EM: Fazer um espetáculo de teatro hoje em dia é um exercício heroico. Fomos capazes de dar muita qualidade ao projeto mesmo em condições que não eram ideais. A seriedade, o empenho, a vocação e principalmente a vontade que fazem o teatro sobreviver. Todas as pessoas envolvidas aqui têm sede de fazer arte e isso faz com quem a gente continue resistindo e mostrando que é algo muito importante para a nossa sociedade, para a educação do povo e para a nossa sobrevivência.

    Deborah Evelyn
    Deborah Evelyn dá vida a uma professora de literatura avessa às novas tecnologias (Lenise Pinheiro/Divulgação)

    Emílio de Mello: Qual personagem de teatro que você gostaria muito de fazer?
    Deborah Evelyn: Sou apaixonada por Tchekhov. Adoraria fazer Helena, de Tio Vânia. Também amo a peça A Gaivota, que foi meu teste para entrar na Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD). Não tenho mais idade para fazer a Nina, então adoraria fazer a Arkádina

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    EM: Você já trabalhou em vários espetáculos. O que prefere, trabalhar em textos clássicos ou contemporâneos?
    DE: Gosto muito dos dois, mas se tiver que escolher mesmo entre um e outro, aí eu prefiro os clássicos.

    EM: Qual é a sua principal motivação a continuar fazendo teatro hoje em dia?
    DE: Amo fazer teatro! É realmente um dos veículos de atuação com que mais me identifico. Trabalhar as mesmas cenas diariamente dá uma oportunidade enorme de aprimorar o trabalho. Sempre que estou em cartaz, penso na peça que estou fazendo todos os dias, mesmo quando não tem sessão! Fora o contato direto com o público, que acho muito prazeroso. Apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, o que me leva a fazer teatro hoje é exatamente essa sensação de que o palco é o lugar soberano do ator, onde somos mais donos do nosso processo de trabalho.

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