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Patricia Lins e Silva Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Educação

Um superpoder humano para recuperar perdas de aprendizagem

Um recurso é o uso da leitura contextualizada para desenvolver habilidades cognitivas em todas as áreas do conhecimento

Por Patricia Lins e Silva 26 jan 2022, 17h35

Talvez você não se lembre de que a escrita é uma tecnologia engenhosa inventada pela espécie humana há apenas uns 5 mil anos, o que em termos evolutivos é muito pouco tempo, uma piscada de olho!

Nosso cérebro não nasce preparado para ler, muito pelo contrário, ler implica uma operação complexa de atribuir significado a informações visuais, o que requer o trabalho de muitas partes do cérebro. Aliás, dá para perceber a estranheza desta habilidade se pensarmos que ideias, pensamentos, instruções, informações são transferidas de um cérebro humano para outro através do nervo ótico.

A aprendizagem da leitura adiciona novas sinapses ao repertório do cérebro, muda a estrutura de circuitos cerebrais e transforma a natureza do pensamento humano. A transição da oralidade para a escrita muda fundamentalmente a forma de pensar e a cultura. A escrita transformou a consciência humana mais do que qualquer outra invenção.

Ler é mais do que tentativas gaguejadas de corresponder o que se vê a sons. Ler é a capacidade de ler um texto e compreender o que se lê. Ler é significar. Ler é instrumento fundamental para o desenvolvimento de outras habilidades, o que resulta impacto cognitivo no cérebro. Como atividade neurobiologicamente transformadora, a leitura é uma das atividades mais influentes na história genética e intelectual humana. Ao transformar o mundo do som (a oralidade) no mundo da visão (o letramento), a escrita modifica padrões de pensamento e amplia a capacidade de pensamento abstrato. Os padrões de pensamento cognitivo entre alfabetizados e analfabetos são bastante diferentes, o que torna a apropriação da escrita uma ferramenta de manutenção de poder.

Depois que o aluno compreende ‘o quê’ e ‘como’ a escrita comunica a linguagem ou o pensamento, é preciso desenvolver fôlego de leitura, que se adquire lendo. E para tanto não é preciso ler apenas clássicos da literatura. Servem revistas em quadrinhos, romances de vampiro, mistério, terror, Pierce Jackson, mangás, bula de remédio, legendas de filmes, seja o que for. Ler muito, quanto mais melhor. E não é ler porque nossa cultura humanista valoriza um bom leitor, mas porque ler ativa o funcionamento do cérebro e desenvolve a inteligência, o que é uma função da escola.

Neste momento, diante da lamentável perda de aprendizagem resultante dos problemas acarretados pela pandemia, um recurso de recuperação é certamente o uso insistente da leitura, contextualizada e interessante, como um modo de desenvolver habilidades cognitivas em todas as áreas do conhecimento. Os alunos devem ir à escola para aprender a pensar e não para decorar conteúdos. Os conteúdos estão nos acontecimentos da vida, nas plataformas de busca, nas mensagens das mídias. O que importa é a compreensão do que é comunicado para ampliar a capacidade de refletir e pensar. Interpretar com clareza as informações cotidianas são eficiências cognitivas relacionadas à leitura.

Um leitor competente faz automaticamente as correspondências entre os sons e significados do sistema de escrita desenvolvido em sua cultura, o que permite que o entendimento do que lê provoque efeito relevante nos processos cognitivos, nos modos de pensamento e na cultura ao longo do tempo.

A leitura é um superpoder humano, causador de impacto significativo na cognição e na percepção, capaz de levar o leitor a novos conhecimentos e novos questionamentos, assim como a deslocamentos no  tempo e no espaço.

A escrita foi certamente a mais importante entre todas as tecnologias criadas e a que mais pode fundamentar o desenvolvimento cognitivo dos alunos.

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