Otavio Furtado

Por Otavio Furtado, jornalista especializado em pautas LGBTQIA+
Rio LGBTQIA+
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Drag carioca representa Brasil em competição internacional

Nome reconhecido na cena carioca, drag Chloe V representará o Brasil no Queen of The Universe

Por otavio_furtado
Atualizado em 30 Maio 2023, 15h28 - Publicado em 2 jun 2023, 08h44

Ela não nasceu no Rio por conta do acaso – “Minha família tinha acabado de se mudar para São José dos Campos (SP) porque meu pai conseguiu um emprego na Embraer” – mas construiu toda a sua carreira por aqui. Por isso se considera uma drag carioca e defenderá a cidade e o Brasil no reality musical Queen of The Universe (estreia amanhã – 03/06 na Paramount+).

Conversei com a drag Chloe V que me contou como foi a experiência de participar da segunda temporada da competição e avaliou como está a cena drag no Rio de Janeiro.

Quais foram as suas referências como artista?

Gosto das “old divas”, como a Whitney Hosuton. Sempre gostei do estilo gritaria. Adoro um berreiro (risos). Aqui no Brasil, por incrível que pareça, tenho como referências a Fat Family e Vanessa Jackson (vencedora do reality Fama em 2022).

Você se inspirou em alguma drag para criar a sua?

É até estranho, mas não tenho uma grande referência drag. Acho que porque quando comecei a cultura drag não estava tão em alta. Tive poucas referências, principalmente aqui no Rio e acabei me inspirando mais em artistas pop. Mas claro que inspiro em todas as amigas que fazem hoje a cena drag. A gente acaba sendo pegando ideias no trabalho uma da outra.

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Como você foi parar no Queen of The Universe?

Na verdade eu me inscrevi pra primeira edição, mas foi nos últimos dias do prazo. Aí, logo depois da final (dezembro de 2022) os produtores mandaram mensagem perguntando se podiam usa-la para a segunda. Fiz minha primeira entrevista no dia 02 de janeiro, depois passei por outras além de avaliação musical. Passou tanto tempo nesse processo que as vezes achei que não tinha dado certo. Até que finalmente fui pra Londres em agosto pras gravações.

A primeira edição do reality teve uma brasileira como campeã (Grag Queen). Isso aumentou a pressão em você?

Não senti essa pressão. Eu amo a Grag e percebi que a produção, que é quase toda a mesma da primeira temporada do Queen of The Universe, tem esse carinho também por ela. Temos estilos um pouco diferente e isso ajudou a não ter tanta comparação. Espero que consiga deixar a minha marca brasileira também no programa.

Por que você acha que as drags brasileiras fazem tanto sucesso?

Nós somos muito inteligentes. A arte drag no Brasil ainda é muito desvalorizada e por isso temos que tirar leite de pedra. Acaba que somos adaptáveis a qualquer coisa, aprendemos a fazer peruca, costurar. Nos viramos e isso ajuda a ganhar destaque quando comparadas com as lá de fora. Pode anotar aí, damos de dez a zero no mundo inteiro. Acho que o Brasil é o país no mundo que tem mais drags cantoras de qualidades. Pabllo Vittar e Gloria Groove são exemplos.

Fala um pouco sobre sua ligação com o Rio

Não nasci aqui por acaso. Mas desde os 9 anos moro na cidade e foi aqui que desenvolvi toda minha personalidade e construí o meu trabalho. Por isso me considero carioca. E não troco essa cidade por nenhuma outra no mundo.

Como você vê a cena drag no Rio de Janeiro atualmente?

Acho ate que a cena do Rio está mais forte que a de São Paulo, que sempre teve um espaço maior. Tem muita festa e muita visibilidade pro nosso trabalho. Mesmo assim, sempre lembro aos fãs desses programas (Queen of The Universe e RuPaul´s Drag Race) a importância de dar suporte para as artistas locais. Vão prestigiá-las!

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