Weinberg, Santoro e Mascaro: as lições de “O Último Azul” em Niteroí
Os artistas estiveram em Niterói para apresentar o longa "O Último Azul", seguido de conversa na Sala Nelson Pereira dos Santos
Para a abertura do “Festival Mercocidades – Arte e Cultura Latina”, Rodrigo Santoro esteve em Niterói, nessa terça (02/12), para apresentar o longa “O Último Azul”, dirigido por Gabriel Mascaro, seguido de uma conversa na Sala Nelson Pereira dos Santos.
O filme estreou em agosto e continua em cartaz em vários cinemas. “Isso é algo raro e não teria acontecido se os brasileiros não estivessem prestigiando o nosso filme”, disse Santoro assim que chegou, com a protagonista Denise Weinberg.
O debate foi mediado por Fabio Vellozo e contou, além do diretor e dos atores, com o curador e cineasta niteroiense Walter Lima Junior. Fabio abriu a conversa brincando com a coincidência de estarem ali dois vencedores do Urso de Prata em Berlim: Gabriel Mascaro, premiado por “O Último Azul” (2025), e Walter Lima Júnior, por “Brasil Ano 2000” (1969).
Eles falaram de detalhes da produção e suas experiências na Amazônia, onde o filme foi rodado de trás para a frente pela agenda de Santoro. Quando perguntaram como ele fazia para encaixar mais um projeto na rotina, disse: “Prioridades. Você quer muito fazer uma coisa, então outras vão ficar de lado”.
Entre as curiosidades, Mascaro contou que a fábrica de carne de jacaré que aparece no filme é real e fica em Corumbá — a única do país. Explicou também que escolheu o formato de tela 4:3 para dar protagonismo ao rosto da personagem idosa, e não ao cenário da floresta.
Weinberg refletiu sobre a experiência na região, dizendo que a mata a resgatou para um tipo de contemplação há muito esquecida: “Lá é outro tempo. A gente urbana esquece isso um pouco, com essa pressa desesperada. A Amazônia é um PHD em humanidade”.
Santoro relembrou que entrou no projeto depois de assistir a “Boi Neon”, de Gabriel, e sentir vontade imediata de conhecê-lo. O encontro foi em Recife e, depois de um jantar em Olinda, eles foram juntos no Bloco do Macuca. Sobre a produção, ele contou que não levou celular de propósito. Sentiu ansiedade no começo — “pela ausência” — e buscou se conectar com “Seu João”, dono do barco. “Ele quase não se mexia, apenas observava a paisagem, como um exercício meditativo de presença. Foi o silêncio mais eloquente que já encontrei na vida.”
A conversa então caminhou naturalmente para o tema do envelhecimento. Denise brincou, depois de o diretor dizer que buscava um outro referencial, sem “rostos esticados”: “Foi por isso que eu ganhei o papel. O que fazer com essa velharada toda? Envelhecer é bom demais. Claro que a junta dói, mas tem outro lugar no envelhecimento que, se a gente puder aproveitar, vai ser ótimo.”
Santoro emendou: “Estou gostando de amadurecer, apesar dos desafios por trabalhar com a imagem. Mas estou ganhando coisas que vão além da aparência e do físico.”
O evento terminou com os atores distribuindo selfies e autógrafos, enquanto Gabriel desceu do palco para conversar com o público. O festival, 100% gratuito, continua até domingo (07/12), com programação de cinema, música, dança e gastronomia — nos próximos dias, shows de Zélia Duncan, Lenine, Chico César, Pepeu Gomes e Paulinho Moska.
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