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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Invertida, com Malu Galli (atriz): “Tenho misofonia”

A personagem é uma mulher da classe trabalhadora que decide, em algum momento da vida, não aceitar mais o roteiro que escreveram pra ela

Por Daniela 29 mar 2026, 07h05 • Atualizado em 29 mar 2026, 08h16
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 (./Divulgação)
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    Depois da Tia Celina no remake de “Vale Tudo”, doce, elegante, bom carma e até de temperamento vacilante, Malu Galli entra em cena nos palcos cariocas com uma personagem completamente distinta em “Mulher em Fuga”, no Teatro Firjan SESI, Centro, com força e energia surgindo de cada parte do seu corpo, voz e gestos. É a primeira adaptação nacional dos best-sellers Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher e Monique se Liberta, do escritor francês Édouard Louis, conhecido por sua literatura autobiográfica.

    Em agosto passado, ela saiu com um Kikito de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Gramado pelo filme Querido Mundo, dirigido por Miguel Falabella, que chega ao cinema no fim do primeiro semestre e também será apresentado no Festival Brasileiro de Paris, em abril.

    Na peça, dirigida por Inez Viana, Malu é Monique, personagem inspirada na mãe de Édouard — uma mulher da classe trabalhadora que decide, em algum momento da vida, não aceitar mais o roteiro que escreveram pra ela: ligada a homens abusadores, ela engravidou cedo e perdeu as oportunidades de autonomia.  Não é a primeira vez na carreira recente que Malu interpreta uma personagem que passa por violência doméstica e reinvenção: em Querido Mundo, ela tenta reconstruir a própria vida depois de um relacionamento abusivo. Entre teatro político, histórias íntimas e um palco que mistura literatura francesa com realidade brasileira, Malu vive mais um papel que pode até contribuir, quem sabe, para o seu estágio evolutivo. Hein!

    UMA LOUCURA: Insistir na arte, na alegria e no afeto em um mundo que só valoriza os resultados econômicos. Sejamos loucos, então. A loucura não se enquadra, não é previsível, não cede à lógica.

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    UMA ROUBADA: Achar que o jogo tá ganho. Achar que chegou “lá”, que existe este tal de “lá”. Que a vida é uma escada reta que você tem que subir. Quando a gente entende as voltas do tempo, dos caminhos, fica tudo tão mais interessante. E a gente se perdoa mais, entende que o erro faz parte e soma também.

    UMA IDEIA FIXA:Achar que posso controlar as decisões, que posso programar a vida. Por um lado a gente sabe que deve organizar, fazer projeções e cálculos. E por outro a gente sabe que não adianta, que tudo sempre sai do previsto. Essa corda bamba é a minha vida.

    UM PORRE: Todos esses reacionários lutando o tempo inteiro pro mundo voltar de ré. Já avançamos, queridos, saiam da frente que a gente quer passar.  Eles tentam de qualquer maneira, jogam sujo, mentem, matam. Mas a gente vai passar.

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    UMA FRUSTRAÇÃO: Me sentir impotente diante de tantas injustiças. Não saber como ajudar, como agir efetivamente diante de coisas que me deixam indignada. Assistir de camarote atrocidades e deixar comentários na rede social pra me sentir menos omissa. E saber que isso não adianta absolutamente nada.

    UM APAGÃO: Nome de pessoas, de coisas, verbos. Névoa mental. Chega a ser poético. Estou enevoada. Tipo um blur na cabeça. Quando você se diverte com isso, ao invés de se irritar, é melhor. Eu crio palavras engraçadas em substituição. E faço da minha fala uma fala criativa. É a menopower (traduzindo, o poder da menopausa).

    UMA SÍNDROME: Descobri que tenho misofonia (aversão a certos sons). Piorou na menopower. Gente bebendo água aos goles do meu lado, comendo uma maçã, ou mexendo freneticamente num saco plástico, desperta meu instinto assassino.

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    UM MEDO: Ficar doente e dar trabalho aos outros. É um medo de todo mundo, né? Mas é legítimo. A gente quer dignidade até o fim. Talvez, nosso conceito de dignidade esteja errado. Dar trabalho pode dar oportunidade aos outros de serem generosos, solidários, amorosos. Pode ser uma experiência bonita. Ou não…

    UM DEFEITO: Impulsividade na fala. Falta de filtro. Sempre digo pra mim mesma: pensa antes de falar, escuta mais desta vez, respira, mas quando vejo, já falei. É tipo uma torrente que eu não consigo segurar. Me sinto tão bem sendo sincera! Mas, às vezes não cabe. Quase sempre não cabe. Ou talvez seja o jeito que eu falo. Direto demais. Mas… é a minha natureza. Difícil de mudar.

    UM DESPRAZER: Estar no meio de uma conversa e a pessoa soltar uma frase preconceituosa como se nada fosse. Dá uma vontade de sei lá. E você fica com aquela cara de comida estragada.

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    UM INSUCESSO: Querer ser muito boa mãe. Quanto melhor você quer ser, pior. Talvez fosse melhor não se esforçar pra ser boa porque aí ficava na média. Rs, sério, acho que ser mãe é um exercício de errar e acertar pelo avesso.

    UM IMPULSO: Fazer teatro. Toda vez eu digo pra mim mesma: agora vou dar um bom tempo sem fazer. Passa 2 anos e estou trêmula por um projeto novo. Dá o terceiro sinal na estreia e eu penso comigo mesma: tá vendo, pra que? Pra que, meu Deus, você se coloca nesta situação? Mas aí você entra e não quer mais sair. É igual criança no banho.

    UMA PARANOIA: Ficar sem trabalho. Acho que todos os atores são assim. Não tem essa de férias, de dar um tempo pra imagem. A gente só é feliz trabalhando.

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