Bloco leva Burle Marx às ruas e dá “chamada” em Paes
Bloco cria o tema “A História do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental que foi destruído: o tombamento que tombou”
Um boneco do paisagista Roberto Burle Marx (1909–1994) foi o protagonista do primeiro desfile do bloco Viva o Verde, nas ruas do Flamengo nesse fim de semana, com parada em frente ao antigo colégio Bennett, cenário da polêmica ambiental mais recente da cidade.
O bloco teve um motivo claro: o protesto “A História do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental que foi destruído: o tombamento que tombou”, em crítica ao corte de 71 árvores centenárias para a construção de um condomínio residencial. A obra está paralisada desde 21 de janeiro por decisão da Justiça do Rio, que atendeu a pedido de associações de moradores e proibiu qualquer intervenção em árvores no terreno e seu entorno.
Entre tamborins e cartazes, integrantes do Movimento Baía Viva, ecologistas, representantes de associações de bairro e moradores que aproveitaram o pré-carnaval para conscientizar quem passava.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), o Rio tem um déficit de cerca de 860 mil a 1 milhão de árvores, concentrado sobretudo nas zonas Norte e Oeste — o que ajuda a explicar o calorão dessas regiões. Bairros como Bangu, Santa Cruz e Cordovil sofrem mais com a falta de cobertura vegetal, criando uma desigualdade térmica quando comparados à Zona Sul mais arborizada.
O Viva o Verde tem até marchinha, com letra de Renato Freixo e música de Gustavo Destord, chamando atenção para o prefeito Eduardo Paes:
“Simbora, meu povo! Salve o Verde!
Paes, tá na hora de acordar
Tá na hora de mudar
A gente quer respirar
Deixa o nosso verde em paz!
Ô, Paes,
A vida é que importa
A voz do povo é força
Se não quiser ouvir
A voz do povo vai te parar
Salve o Verde!”





