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Psiquiatra infantil
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TDAH: o que é, quais são os atuais tratamentos e o que está por vir?

Desatenção, hiperatividade e impulsividade são os principais sintomas de TDAH

Por Fabio Barbirato
23 nov 2023, 08h42

Desatenção, dificuldade de estabelecer foco, distração, inquietação. Pode parecer o comportamento comum para muitas crianças e adolescentes. No entanto, se traz prejuízo ao resultado escolar e ao convívio familiar e social, pode ser uma doença: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

A prevalência do TDAH é de 3 a 7 % de todas as crianças em idade escolar e de 2 a 4% de adolescentes entre 12 e 14 anos. O número maior de casos acontece entre pessoas do sexo masculino: média de dois meninos para uma menina. Entre os adultos, a prevalência chega a 4%.

O diagnóstico de TDAH é resultado de uma avaliação clínica. Testes neuropsicológicos são úteis para avaliar déficits específicos, mas não servem para diagnóstico, a ponto de serem realizados rotineiramente.  Ainda não há dados suficientes que indiquem a utilidade de exames de neuroimagem como ferramentas clínicas, embora tais exames sejam promissores em termos de pesquisa. O eletroencefalograma (EEG), por exemplo, não é necessário para o diagnóstico de TDAH, embora tenha utilidade em casos de diagnósticos diferenciais específicos.

Dentre muitas coisas que dizem – erroneamente – para justificar o TDAH estão razões alimentares (aditivos, alergias, açúcar, leite), excesso de cafeína, ausência dos pais, estresse familiar, lar caótico, televisão e/ou videogame em excesso, bem como transtornos mentais como depressão, ansiedade e transtornos de estresse pós-traumático ou de aprendizagem. É importante repetir que estes pontos não fazem qualquer sentido ou tem respaldo científico.

Entre os principais sinais de TDAH está a desatenção, como: deixar de prestar atenção em detalhes e comete erros por descuido, distrair-se facilmente, dificuldade em manter a atenção, parecer não escutar, dificuldade em se organizar e seguir instruções, perder de objetos, esquecer atividades diárias com frequência.

Outro sinal do TDAH é a hiperatividade/ impulsividade, ou seja: agitar mãos e pés e mexer-se na cadeira, dificuldade de ficar em silêncio, falar demais, inquietação, sentir-se sempre muito ocupado ou elétrico, dificuldade para aguardar a vez, por exemplo.

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Tudo isso resulta em crianças e adolescentes com dificuldade para executar os trabalhos da escola, dificuldade para organizar anotações em cadernos e apostilas, perda frequente de material escolar, trabalhos com qualidade inferior devido a dificuldade em prestar atenção, lacunas no aprendizado resultante da pouca capacidade de foco em leituras, aulas e deveres.

É fundamental estar atento ao que não tem evidência científica quanto a eficiência como tratamento: acupuntura, meditação, homeopatia, exercícios físicos, hypericum perforatum, musicoterapia, Florais de Bach, dietas alimentares restritivas. Não há aqui qualquer juízo de valor quanto a estes procedimentos. Eles podem ser úteis para outras questões, mas não se aplicam no tratamento do TDAH.

Cada paciente demanda um tipo de tratamento, de acordo com o seu diagnóstico. Alguns podem requerer apenas tratamento terapêutico comportamental, outros exigem combinação com medicamentos – e mesmo entre esses, oscila muito a dosagem necessária.

Além das muitas e eficientes opções que existem hoje no mercado, a boa notícia é que as inovações são constantes, como as substâncias atomoxetina, liberada desde 2007, e viloxezina, recém-aprovada para tratamento de TDAH. Já os estudos com centanafadina indicaram bons resultados e devem seguir no mesmo caminho. Tudo isso é um alento para crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH e seus familiares.

Procure um médico especializado e ele poderá indicar as melhores opções de tratamento.

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Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na pós-graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

 

 

 

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