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Fábio Barbirato

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Psiquiatra infantil

Por que a geração Z se sente isolada, estressada e deprimida no trabalho?

Sondagem de empresa americana mostrou que o ambiente laboral causa imenso desconforto entre os mais jovens

Por Fabio Barbirato
17 fev 2025, 18h15
Três jovens da geração Z diante do computador.
Levantamento descobriu que 46% dos integrantes da geração Z disseram que estavam se sentindo estressados, em comparação com 35% de outras gerações. (Freepik/Reprodução)
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Pesquisa da empresa MetLife, gigante de seguros e benefícios, nos EUA apontou que nascidos entre os anos de 1997 e 2012 (portanto jovens e adultos entre 13 e 28 anos), se sentem mais isolados, estressados e deprimidos do que seus colegas mais velhos no mercado de trabalho.

A MetLife entrevistou quase 3 mil funcionários, que trabalham em tempo integral, com mais de 21 anos. O levantamento descobriu que 46% dos integrantes da geração Z disseram que estavam se sentindo estressados, em comparação com 35% de outras gerações. Da mesma forma, a geração Z disse que estava mais deprimida (35%, em comparação a 20% dos funcionários mais velhos). A sondagem também constatou que a geração Z se sente mais solitária. Dos entrevistados, 30% relataram se sentir isolados, em comparação com 22% registrados em outras faixas etárias.

Portanto, talvez não seja surpresa que a geração Z também se sinta menos engajada no ambiente de trabalho do que seus colegas da geração boomers (nascidos entre 1946-1964). Cerca de 79% dos boomers disseram que estavam engajados no trabalho, 86% disseram que eram produtivos e 71% disseram que estavam felizes. As respostas da geração Z foram 60%, 64% e 59%, respectivamente.

Ao longo dos anos e das mudanças geracionais, o entendimento do que seja trabalho, vínculo empregatício e benefícios trazidos pelo trabalho mudou significativamente. Trabalho não define mais os jovens, que almejam desfrutar novas experiências e tem outros valores. Por exemplo: a geração Z considera que é preciso ter US$ 9,5 milhões acumulados no banco para ser considerado financeiramente bem-sucedido. É uma diferença avassaladora se colocado em contraste com a geração do pós-guerra ou mesmo do american way of life, em que a vida se resumia a uma boa casa e simples bens materiais.

É preciso levar em consideração que a geração Z entrou para o mercado de trabalho pouco antes da pandemia – evento que marcou drasticamente nossas vidas em todas as áreas, inclusive a laboral. Acrescente-se a isso fatores concretos de ansiedade para essa geração, como a hiperconectividade e a crise climática.

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Por fim, acho importante destacar que a geração Z, bem como as demais depois deles, foi pouco acostumada à frustração e à contrariedade. Diferente das gerações anteriores, que foram educadas sabendo que não teriam tudo que queriam – e isso era o normal – as gerações mais novas foram mimadas e poupadas em excesso pelos pais, muitas vezes angustiados pela ausência. Como constatou a pesquisa da MetLife, o preço dessa (des)educação começa a aparecer agora, quando eles chegam à vida adulta, no mercado de trabalho.

Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na pós-graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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