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Psiquiatra infantil

Datafolha: pais estão mais conscientes sobre o uso de celulares por filhos

Pesquisa mostrou que adultos defendem restrição de redes sociais aos filhos, especialmente entre os de menor idade

Por Fabio Barbirato
5 dez 2024, 09h16
Quatro crianças seguram aparelhos celulares.
Pesquisa indicou que pais são contrários a que os filhos tenham celular ou tablet próprios. (Freepik/Reprodução)
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De tempos em tempos, a nada fácil tarefa de educar jovens e crianças se vê posta à prova. Nos anos 1960 e 1970, o surgimento e a disseminação da televisão obrigou os pais a colocarem limites nos filhos, diante da “babá eletrônica”. Já nos anos 1990, e mais ainda nos 2000, a chegada e expansão da internet forçou pais e filhos a entrarem em negociação. Agora não é diferente. Com quase todo o país coberto pelo acesso à internet e aos celulares, o desafio é controlar o tempo que os menores passam online, navegando nas redes sociais.

Recente pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que 58% dos brasileiros com filhos de até 17 anos acham que crianças com menos de 14 anos não devem ter celular ou tablet próprio. O veto se estenderia, inclusive, ao acesso a aplicativos como WhatsApp.

Quanto ao uso de redes sociais, como Instagram e TikTok, o veto cresce para 76%, mesmo índice dos que consideram que menores de idade não devem assistir a vídeos no Youtube sem supervisão dos responsáveis.

Levantamento da Unesco indicou que 71% das crianças de 9 e 10 anos de idade no país acessavam YouTube em 2023; 51%, WhatsApp; 50%, Tik Tok; e 26%, Instagram. Entre as crianças de 11 e 12 anos, os índices aumentam (Youtube: 90%; WhatsApp: 70%; TikTok: 55% e Instagram: 52%).

Está mais do que provado que o ambiente online potencializa práticas nocivas à saúde mental de crianças e jovens, como o bullying, o cyberbullying, o desenvolvimento de outros transtornos (como depressão, ansiedade, automutilação, além de transtornos alimentares).

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Já em 2022, o Ministério da Saúde emitiu alerta a respeito do problema. Desde 2016, o índice de suicídios de pessoas jovens entre 10 e 14 anos aumentou 45% e, na faixa entre 15 e 19 anos, alcançou 49%. Sem comparado às taxas da população geral (17,8%), são números preocupantes.

As opiniões se dividem. Há os que acreditam que a proibição total do uso, na verdade, não gera benefícios a longo prazo. Estamos falando de uma geração que é nativa digital, que se comunica, diverte, aprende e socializa pelas redes.

No entanto, há que se por limites. Sou defensor ferrenho, por exemplo, da proibição dos celulares nas escolas, experiência que já se mostrou bem sucedida em diversos países do mundo e que está em pleno debate também no Brasil, com vários municípios adotando essa determinação. Nesses casos, já se nota uma clara melhora no aprendizado dos alunos, no seu desenvolvimento, sociabilidade, além da diminuição dos casos de bullying.

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Aos pais cabe a maior responsabilidade: monitorar o uso que os filhos fazem das redes e utilizar as ferramentas disponíveis em sites e aplicativos para bloquear determinados acessos e restringir o tempo online. É fundamental que este diálogo esteja colocado entre as famílias brasileiras, visando a qualidade da saúde mental dos filhos. Os pais parecem cada vez mais atentos a esta questão e a pesquisa do Datafolha atesta isso.

Fabio Barbirato é médico psiquiatra pela UFRJ, membro da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência e responsável pelo setor de Psiquiatria Infantil da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na PUC-Rio. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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