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Esquinas do Esporte

Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

Preconceito estendido a escalações do futebol

Professor e pesquisador Job Gomes alerta para o racismo posicional, cuja naturalização ele detaha no recém-lançado "A cor do jogo"

Por Alexandre_Carauta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 set 2025, 14h19 • Atualizado em 27 set 2025, 09h18
Barbosa fazendo uma defesa
Grande do Vasco e da seleção de 50, Barbosa sofreu preconceiro associado ao racismo posicional (Acervo pessoal/Reprodução)
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  • O racismo ecoa no mundo na bola faz tempo. Outrora refletido em barreiras institucionais e sociais a jogadores pretos, como retrata Mário Filho em “O negro no futebol brasileiro”, o preconceiro prolonga-se por ofensas a atletas, treinadores, torcedores. Estende-se também a posições do campo, aponta o coordenador da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio, Job Gomes. Ele exemplifica:

    “Barbosa constitui um caso emblemático. Foi injustamente culpado pela perda do título mundial de 1950, devido a uma suposta falha no gol decisivo do Uruguai. Goleiros negros passaram a ser estigmatizados. Viraram minoria”, observa o professor e pesquisador, em debate da 2ª Semana de Esportes PUC-Rio. “Outras posições indicam preconceitos semelhantes”, completa.

    A tese desemboca no recém-lançado “A cor do jogo – racismo posicional” (Uiclap). Job explica por que e como esta forma de violência se banaliza nos gramados:

    O que é racismo posicional?

    Corresponde a uma cultura esportiva que naturaliza critérios para decidir a posição de atletas no campo a partir de estereótipos raciais.

    Como assim?

    Atletas negros ocupam espaços que exigem melhor performance física, enquanto a atletas brancos ficam reservadas as atividades mais mentais, sugerindo uma maior capacidade para pensar o jogo.

    O Brasil já reconhece esta discriminação?

    O assunto permanece ignorado entre muitos brasileiros. Embora haja estudos na literatura estrangeira sobre stacking racism, ou racismo posicional, como classifiquei, cá entre nós é como se o problema sequer existisse: prevalece um absoluto silêncio a respeito deste tipo de racismo. Por isso, decidi pesquisá-lo e levá-lo ao debate público.

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    Quais os aspectos mais importantes desta investigação, convertida em livro?

    Com base em dados, reflexões, análises e visão crítica, procurei demonstrar que o futebol, apesar da aparência democrática, reproduz um espaço onde o racismo se eterniza por meio de hábitos, práticas e decisões aparentemente elementares. Revelam-se uma aresta do racismo sistêmico-estrutural, na medida em que se verifica uma predileção por jogadores negros em posições que exigem força e velocidade, tais como a zaga, as alas e o ataque. Jogadores brancos geralmente ocupam as posições de goleiro e de meias armadores.

    Você pontua que o preconceito em relação a goleiros negros remonta à perda da Copa de 1950 para o Uruguai, no Maracanã…

    Foi construída, no imaginário, a percepção enganosa de que o grande goleiro Barbosa teria falhado no gol decisivo do Uruguai e seria culpado pela perda do título mundial. Este estigma reforçou o preconceito em relação a goleiros negros, que se estende até hoje.

    O senhor expõe mais uma face do racismo no meio esportivo, evidenciado também em recorrentes ofensas no campo e na arquibancada. Como erradicá-lo?

    O livro ajuda a compreender como o racismo se reinventa em pleno jogo e como o seu enfrentamento uma atenção constante na leitura dos acontecimentos, para avançarmos além das constantes e infrutíferas campanhas de marketing e das multas irrisórias. Elas colaboram mais à permanência do status quo do que à transformação do espaço esportivo num ambiente verdadeiramente inclusivo.

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    Brincadeira universal

    Caniddia faz embaixadinha
    (Pablo Campos - Comunicar/PUC-Rio/Reprodução)
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    A bola batuca entre pés, coxas, testa, nuca. Sobe e desce obediente igual totó de estimação. Sem deixá-la cair, circo na veia, Caniddia põe e tira coletes, faz flexão, brinca com o fã. Os pilotis da PUC param para vê-lo humilhar docemente a gravidade.

    Alguns estudantes tentam copiá-lo, entram na brincadeira. Só podia dar numa roda de altinha. “Sem alegria, o futebol não tem graça”, orgulha-se o recordista de embaixadinha.

    José Luiz da Silva Berto, o Professor Caniddia, torna-se iminente sucessor de Jankel Schor (19272025), o eterno coroa que atravessava o gramado do Maraca controlando a pelota nos intervalos dos clássicos. A galera adorava.

    “Há seis anos me apresento na Gávea, em frente ao Museu do Flamengo, e nos intervalos do Flamengo no Maracanã. Percebo o carinho dos torcedores de outros times. Se fosse convidado para fazer o mesmo em jogos do Fluminense, do Vasco e do Botafogo, aceitaria sem nenhum problema”, garante Caniddia. Respira a universalidade lúdica da embaixadinha.

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    Nadador no mar do Leblon
    (Rapha Rodrigues - Effect/Reprodução)

    Alunos de natação do Sesc RJ estreiam no Rei e Rainha do Mar. Participam das disputas em águas abertas na etapa do Leblon, domingo agora (28), a partir das 6h.

    Acima da formação de talentos, a iniciativa mira o bem-estar e a integração social por meio do esporte. As 14 provas, nove delas em formato de travessia, incluem uma categoria infantil (200 metros).

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    As distâncias variam até 10 quilômetros, na natação; e de 300 metros a quatro quilômetros na corrida. A competição ainda inaugura o Super Challenge 10k, entre a Praia Vermelha, na Urca, e o Posto 12, no Leblon.

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    Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.

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