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Esquinas do Esporte

Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

Esporte adaptado transpira inclusão e benefícios terapêuticos

Cega há sete anos, professora conta como o surfe no Arpoador e a corrida de rua revigoram o corpo, a mente, a relação com a cidade

Por Alexandre_Carauta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 nov 2024, 19h15 •
Paula na prancha de surfe
Surfe e corrida guiam o repertório esportivo adotado por Paula para se manter saudável e curtir o Rio (Acervo pessoal/Divulgação)
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  • A brisa, os sons ao redor, o sussurro das ondas. Há sete anos desfalcada da visão, Paula Labsch, de 55, contra-ataca. Transforma o esporte num banquete sensorial.

    Surfe no Arpoador, braçadas em Copa, corrida na Vista Chinesa. Encantos cariocas douram a vida de esportista. Nela a professora mergulha com a perseverança dos vencedores e a sabedoria de quem espana os acidentes de percurso.

    “O esporte melhora o bem-estar, a autoestima, mantém o corpo e a mente saudáveis. Eu me sinto potente, confiante,  viva”, sintetiza, por telefone. Sua voz transpira a liberdade dos carrinhos de rolimã.

    Depois de duas meias maratonas, ela treina agora para a Corrida e Caminhada pela Inclusão Olga Kas Rio, 15 de dezembro, no Aterro. Paula conta, num papo descontraído, como as incursões atléticas acentuam a paixão pela cidade.  Também reforça a importância social e terapêutica da prática esportiva.

    Paula e o guia Ney Mesquita

    Paula com o guia Ney Mesquita

     

    O que o esporte mudou na sua vida?

    Perdi parte da visão em 2017, devido ao derrame causado por uma pancada na cabeça. Estava aprendendo a surfar. Durante a pandemia, uma infecção no olho esquerdo me deixou só com 3% de visão. O esporte foi essencial para a minha reabilitação. Antes de ir ao Instituto Benjamin Constant (referência nacional em capacitação de pessoas cegas), passava no Arpoador para pegar onda. Adoro praia. A prática esportiva melhorou a confiança, a autoestima, o bem-estar.

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    Uma terapia, né?

    Exatamente. Faço surfeterapia. O surfe e a corrida tiveram, e têm, uma importância terapêutica. Descobri que o mundo é sensorial além da visão. Percebo mais os sons, a onda bater na pedra, o tamanho do mar. Na corrida, a mesma coisa: ouço ecos dos que passam. Curto mais a experiência de correr, o percurso, sem me preocupar com o final. Eu me sinto potente, viva. Comecei também a nadar.

    Se continuar assim, vai virar triatleta…

    Quem sabe? Talvez seja a próxima etapa. Para manter a motivação, é legal criar novos desafios.

    Como foi a adaptação a esses esportes?

    Eu me adaptei aos poucos, com a ajuda dos profissionais da escola de surfe coordenada pelo Rogério Pessoa, que atende PCDs e pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Um instrutor me indica o momento de entrar onda e outro, próximo da beira, me avisa quando devo saltar da prancha. Aí ele me pega, como se fosse um goleiro.

    E na corrida?

    Recebo a assistência primorosa dos guias. Eles viram treinadores. Isso me permitiu participar de provas como a Meia Maratona do Rio, a São Silvestre e a Volta da Pampulha. Agora estou treinando para a Corrida e Caminhada pela Inclusão Olga Kos Rio.

    Por falar na Corrida Olga Kos, como potencializar a vocação do esporte como instrumento de inclusão?

    Há vários caminhos para melhorar o esporte adaptado. Iniciativas como a corrida organizada pelo Instituto Olga Kas são primordiais tanto por ampliarem o acesso do esporte a pessoas com deficiência quanto por propagarem a cultura da inclusão. Precisamos difundi-la, amadurecê-la. A vocação solidária do Rio pode ajudar a materializá-la numa estrutura melhor para o esporte adaptado nas escolas, nas praças, na rua. Por exemplo, ampliar os sinais sonoros como os da Urca e do Encantado, principalmente nas avenidas maiores. Também é preciso qualificar a educação dedicada ao acolhimento de PCDs.

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    Outra vocação carioca é atividade ao ar livre. Isso facilita a adesão ao esporte, inclusive adaptado?

    Acredito que sim. A cidade é um convite ao esporte a céu aberto. Eu curto muito a orla, a praia, o verde. Treino no Aterro, na Lagoa, na Vista Chinesa. Às vezes, corro de Copa até o Mirante do Leblon.

    Qual a principal barreira no dia a dia de treinos?

    A maior dificuldade é manter uma alimentação compatível com a vida de esportista. Sou louca por doce. É difícil dizer não para o chocolate. Por outro lado, o ritmo dos treinos diminui a ansiedade pelo açúcar.

    A vida de esportista auxilia também a vida de professora?

    O esporte ajudou a me adaptar à nova rotina escolar, no Ciep João Goulart, em Ipanema. O surfe, a corrida e a natação me lembram que podemos nos capacitar para o que quisermos. Uma lição preciosa, que devemos aplicar também na vida profissional.

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    Doval no Leblon

    Alma e pinta de carioca, o argentino Doval fez sucesso no Fla, no Flu, nos embalos do Rio. Luciano Ubirajara Nassar costura essas histórias numa biografia recém-lançada.

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    Ele vai autografar “Doval – o ídolo do povo“, sábado agora (23), às 11h, no Bigorrilho Leblon (Ataulfo de Paiva, 814).  Com o apoio d0 Museu da Pelada, a inciativa reunirá ex-jogadores de várias gerações.

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    Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.

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