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Esquinas do Esporte Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

Contra a retranca patrimonialista, talvez só o Tom Cruise

Refletido no mercado da bola, domínio do interesse particular sobre o coletivo manifesta-se na dificuldade crônica de clubes amadurecerem consensos

Por Alexandre_Carauta Atualizado em 17 jun 2022, 09h43 - Publicado em 16 jun 2022, 11h27

O patrimonialismo alastra-se igual ferrugem. Perpetua privilégios, conchavos, jeitinhos. O meio esportivo está longe da exceção.

Tungas a ingressos populares se reciclam com naturalidade. Envolvem apropriações da meia-entrada e de categorias de sócio-torcedor destinadas aos consumidores de baixa renda.

Esses deslizes se inflamam na fritura da inflação e do desemprego de dois dígitos. Extrapolam, contudo, a tempestade perfeita da economia convalescente. Suas raízes são remotas.

Práticas patrimonialistas instalam-se por aqui desde a nossa gênese colonial. Traduzidas por cânones acadêmicos como Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro e Roberto DaMatta, impõem o interesse particular sobre o coletivo. Assumem formas e implicações distintas: surrupio da vaga preferencial no shopping, carteiradas, sabotagem sanitárias e ambientais, corrupção, desumanidades.

O decalque patrimonialista no futebol verde-amarelo transcende o sequestro de produtos populares pelo andar de cima. Manifesta-se na dificuldade crônica de dirigentes integrarem-se em torno de consensos sem quais o setor atrasa o pulo do gato.

O embarque numa filosofia ganha-ganha, como dizem os americanos, exige mais do que a formalização de uma liga inspirada nas primas ricas europeias. A missão implica o amadurecimento do senso comunitário atrofiado pelas seculares retrancas patrimonialistas. Talvez seja o caso de escalar o Tom Cruise.

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Maraca preto e branco

As quase 70 mil almas lavadas na vitória sobre o Cruzeiro coloriram o óbvio. O Vasco pertence ao Maracanã, e vice-versa.

A cumplicidade não reduz a importância afetiva e histórica de São Januário. Nenhum pedaço da galáxia roubará sua eternidade. Maior estádio do país entre 1927 e 1940, simboliza o pioneirismo vascaíno no combate à segregação de negros em times de futebol.

Há muito este patrimônio brasileiro merece uma modernização compatível com a sua densidade sociocultural e econômica. Seria acompanhada de uma reforma do entorno povoado de memórias imperiais, uma guaribada à altura da vocação turística. O projeto hiberna sob a poeira das gavetas públicas e privadas.

Ali perto, às margens do trem e do rio, o Vasco também está em casa. O Maraca sempre vestirá preto e branco. Quem o dirige há de explorar sabiamente tal comunhão.

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Alexandre Carauta é doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, especialista em Administração Esportiva, formado também em Educação Física.

 

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