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Dudu Netto

Por Dudu Netto, educador físico, mestre em motricidade humana e diretor técnico do grupo Bodytech Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde

Luxo, agora, é se sentir bem

Por que saúde, energia e longevidade passaram a ocupar o lugar dos antigos símbolos de status

Por Dudu Netto 13 abr 2026, 12h33 • Atualizado em 13 abr 2026, 14h07
MULHERES MEDITANDO
mulheres meditando (DIVULGAÇÃO/Divulgação)
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  • Durante muito tempo, os símbolos mais visíveis de sucesso estavam do lado de fora: um relógio sofisticado, um carro de alto padrão, uma bolsa de grife ou um cartão black. Eram objetos que comunicavam status de forma imediata.

    Hoje, silenciosamente, esse cenário começa a mudar.

    Para uma parcela crescente da população urbana, especialmente nas grandes cidades, o novo símbolo de valor está menos no que se carrega e mais na forma como se vive. Dormir bem, ter energia ao longo do dia, manter força física, boa mobilidade e autonomia passaram a representar um novo tipo de patrimônio: a saúde.

    Essa transformação não é apenas estética ou comportamental. Ela tem base científica e acompanha uma mudança importante na forma como as pessoas enxergam o envelhecimento. Cada vez mais, saúde deixa de ser vista como uma despesa eventual — algo procurado apenas diante de um problema — e passa a ser percebida como investimento contínuo.

    O crescimento do uso de relógios inteligentes, anéis com monitoramento do sono, aplicativos de atividade física e dispositivos que acompanham frequência cardíaca, recuperação e gasto energético mostra exatamente isso. O interesse não está apenas em contar passos, mas em entender como o corpo responde ao estresse, ao exercício e à rotina.

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    Mais do que um modismo, essa tendência reflete uma nova consciência: viver mais já não basta. O objetivo passou a ser viver melhor.

    A ciência reforça esse movimento. Estudos mostram que aptidão cardiorrespiratória, força muscular, qualidade do sono e composição corporal estão fortemente associados à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, perda funcional e mortalidade precoce. Em outras palavras, investir em saúde hoje significa aumentar as chances de independência e qualidade de vida no futuro.

    No Brasil, essa mudança é particularmente interessante. Um país historicamente associado à cultura da estética começa a ampliar o foco para performance, prevenção e longevidade. A academia deixa de ser apenas espaço de transformação corporal e passa a ser, cada vez mais, um ambiente de promoção de saúde integral.

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    Isso se reflete no crescimento de modalidades voltadas para força, recuperação, mobilidade e envelhecimento saudável. Também explica o aumento da procura por acompanhamento nutricional, monitoramento metabólico e estratégias de recuperação física.

    Talvez o novo luxo não seja mais o que mostramos ao mundo, mas aquilo que sentimos ao longo do dia: energia para trabalhar, disposição para a família, autonomia para envelhecer e a capacidade de manter o corpo funcional por mais tempo.

    No fundo, o verdadeiro símbolo de sucesso pode estar justamente em algo simples: acordar bem.

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