Daniel Sampaio

Por Daniel Sampaio: advogado, ativista do patrimônio, embaixador do turismo carioca e fundador do Instagram @RioAntigo Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
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Antigo hospital em Cascadura recebe projeto de lei para seu tombamento

O Hospital Nossa Senhora das Dores, uma das joias do subúrbio carioca, estava sendo sondado pela especulação imobiliária para ser derrubado

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Atualizado em 20 Maio 2024, 16h18 - Publicado em 20 Maio 2024, 15h44
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  • Pouca gente sabe, mas um dos maiores patrimônios do subúrbio carioca é um hospital. Você já ouviu falar do Hospital Nossa Senhora das Dores, da Santa Casa de Misericórdia, em Cascadura?

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    Localizado no início da Avenida Ernani Cardoso, o Hospital N. S. das Dores tem uma história de origens imperiais. Foi estabelecido em 1884, em uma das mais antigas fazendas da região: a Chácara do Ferraz. A propriedade havia sido comprada pelo Barão de Cotegipe, provedor da Irmandade da Misericórdia, no ano anterior.

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    Nessa época, a Tuberculose era a maior causadora de mortes do Rio de Janeiro, então capital do Império. O Hospital N. S. das Dores foi o primeiro estabelecimento hospitalar do Brasil destinado exclusivamente a essa doença que tanto afligia a nossa população.

    Em 1910, com a supervisão do sanitarista Oswaldo Cruz, a Santa Casa deu o pontapé nas tão necessárias obras de ampliação do Hospital N. S. das Dores, que, desde 1884, funcionava no antigo casarão da Chácara do Ferraz, sempre com capacidade máxima.

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    Complexo hospitalar de N. S. das Dores em 1930 -
    Complexo hospitalar de N. S. das Dores em 1930 – (Augusto Malta / AGCRJ/Reprodução)

    Em 25 de junho de 1914, a obra foi inaugurada, com a presença do Marechal Hermes, da Primeira-Dama, Nair de Tefé, e do Cardeal Arcoverde. O novo hospital seria destinado apenas a mulheres tuberculosas e tinha suas enfermarias em uma série de pavilhões interligados por passarelas.

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    Vale também destacar a imponente Capela de N. S. das Dores, um belo exemplar da arquitetura neogótica, que foi construído entre 1911 e 1917, no lugar de uma pequena capela que estava na antiga chácara desde o século XIX.

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    Ao longo de mais de um século, o hospital passou por mais ampliações e reformas, mudando o foco de seu atendimento para a Psiquiatria. Nos anos recentes, o Hospital N. S. das Dores tem passado por dificuldades financeiras, tendo parte de suas instalações desativadas.

    Este ano, a Prefeitura inaugurou, dentro do complexo hospitalar, as instalações da “RUA (Residência e Unidade de Acolhimento) Sonho Meu”, como parte do programa “Seguir em Frente” para a população em situação de rua que sofre de transtornos psíquicos decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

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    Foto aérea de drone, mostrando o complexo hospitalar de N. S. das Dores, em Cascadura (dezembro de 2023) -
    Foto aérea de drone, mostrando o complexo hospitalar de N. S. das Dores, em Cascadura (dezembro de 2023) – (Carlos Erbs Junior/Reprodução/Prefeitura do Rio de Janeiro)

    Apesar do recente interesse e investimento estatal, o estado de conservação de algumas de suas salas e enfermarias — e também da capela — requer mais atenção e cuidado. E, de acordo com fontes próximas a este colunista, ultimamente, a especulação imobiliária tem demonstrado interesse em adquirir o terreno, a fim de demolir a estrutura do hospital e transformá-lo num condomínio. Acreditam que um lugar desses não é sequer tombado em nenhuma esfera de governo e corre o risco de tornar-se mais um exemplar desprotegido do Rio Antigo a desaparecer?

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    A vereadora Tainá de Paula (PT) apresentou projeto de lei em 24 de abril de 2024, propondo o tombamento desse importante complexo hospitalar devido a sua relevância não apenas para a Medicina, mas para os subúrbios cariocas. Segundo a vereadora, que também é secretária de meio ambiente e clima da Prefeitura do Rio, o projeto deve entrar em pauta no mês de junho.

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    Este colunista observa atentamente a situação do Hospital N. S. das Dores e deseja que bons ventos soprem a favor de sua rica história a serviço da saúde carioca. Que as consciências das sras. e dos srs. Vereadores esteja em seus melhores momentos no dia da votação. Ou então, que o Prefeito Eduardo Paes, se for possível, tome para si a responsabilidade de oficializar o tombamento por meio de decreto.

    Pelo tombamento do Hospital Nossa Senhora das Dores, já!

    *Daniel Sampaio é carioca do Grajaú. Advogado, memorialista e ativista do patrimônio. Fundador do perfil @RioAntigo no Instagram.

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