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Volta às aulas no Rio pode colocar em risco 600 mil idosos e adultos, diz Fiocruz

Com base na Pesquisa Nacional de Saúde, o estudo aponta pessoas com problemas crônicos que vivem na mesma casa que crianças e adolescentes em idade escolar

Por Carolina Barbosa - Atualizado em 22 jul 2020, 14h20 - Publicado em 22 jul 2020, 14h19

Um imbróglio permanente, a volta às aulas pode representar um perigo a mais de 600 000 pessoas no estado do Rio que são idosos ou adultos com problemas crônicos de saúde e, portanto, integrantes do grupo de risco do novo coronavírus. Isso porque eles vivem na mesma casa que crianças e adolescentes em idade escolar (entre 3 e 17 anos). A quantidade de pessoas que pode passar a se expor ao novo coronavírus foi calculada por análise da Fiocruz feita com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), que foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Laboratório de Informação em Saúde (LIS) da Fiocruz.

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Se ampliado em nível nacional, o risco salta para cerca de 9,3 milhões de brasileiros (4,4% da população total). Pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz) analisaram dados da PNS 2013 sobre dois grupos populacionais pertencentes aos chamados grupos de risco da Covid-19: os adultos com idade entre 18 e 59 anos com diabetes, doença do coração ou doença do pulmão, e os idosos (com 60 ou mais anos). Em seguida, a turma cruzou os dados para verificar quantos desses dois grupos residem em casas com pelo menos um menor entre 3 e 17 anos (leia-se em idade escolar).

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O resultado do estudo trouxe números preocupantes. Quase 3,9 milhões (1,8% da população do país) de adultos com idade entre 18 e 59 anos que têm diabetes, doença do coração ou doença do pulmão residem em domicílio com pelo menos um menor em idade escolar (entre 3 e 17 anos). Já a população idosa (60 anos e mais) que convive em domicílio com pelo menos um menor em idade escolar chega a quase 5,4 milhões de pessoas (2,6% da população).

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Segundo o levantamento, o retorno da atividade escolar, que vem sendo anunciado de forma gradativa por vários estados e municípios, coloca os estudantes em potenciais situações de contágio. Ainda que escolas, colégios e universidades adotem as medidas de segurança (e elas sejam cumpridas à risca), o transporte público e a falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças que andam sozinhos fora de casa representam potenciais situações de contaminação por Covid-19 para esses estudantes.

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O problema é que, se forem contaminados, esses jovens poderão levar o vírus para dentro de casa e infectar parentes de todas as idades que tenham doenças crônicas e outras condições de vulnerabilidade à Covid-19, representando uma brecha perigosa no isolamento social que essas pessoas mantinham até agora.

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