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Estudo da UFRJ identifica 166 substâncias tóxicas em apreensões policiais

As amostras eram de loló e lança perfume, drogas que ganham cada vez mais usuários na cidade, especialmente durante o Carnaval

Por Da Redação
2 fev 2026, 17h04 •
lança-perfume-droga
Lança perfume: embalados em frascos de plástico ou vidros de 50 a 200ml são a droga da moda. (Reprodução/Polícia Federal)
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  • Um estudo inédito do Núcleo de Análises Forenses (NAF) do Instituto de Química da UFRJ revela que mais de cem substâncias tóxicas foram encontradas em amostras de apreensões de lança perfume da Polícia Civil entre 2014 e 2024.

    O levantamento é parte de uma parceria entre as entidades e conta também com pesquisadores da Faperj e da Fiocruz. As informações são de Thayná Rodrigues para o jonal O Globo.

    Gabriela Vanini Costa, coordenadora do NAF, explica que foram identificados elementos de produtos de limpeza e cola de sapateiro na composição dos inalantes, entre outros solventes perigosos, em amostras apreendidas pela polícia que seriam vendidas como loló ou lança.

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    “O que me chamou mais a atenção foi a ausência de éter nas amostras, já que a presença dessa substância costuma ser característica. Foram realizadas análises forenses de inalantes com estruturas químicas diferentes das já estudadas por pesquisadores. O caso chamou a atenção das autoridades devido ao grande número de óbitos pelo consumo desse inalante”, frisa a pesquisadora ao veículo.

    Foram encontradas 166 substâncias químicas tóxicas em apenas 16 amostras da droga de abuso. Com o aumento da demanda, a clandestinidade na produção tomou conta.

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    Na parceria com a UFRJ, amostras de dez mil litros de loló e lança-perfume apreendidos pela Polícia Civil foram cedidas. De acordo com a Portaria 344/98 do Ministério da Saúde, o cloreto de etila é classificado como uma substância entorpecente.

    Pela legislação brasileira, vender, utilizar ou comercializar produto com essa base é crime.

    Seja nas festinhas de playboys, nos blocos democráticos, em diferentes bairros da cidade e nas favelas, lança e loló são utilizados por aqueles que buscam psicoativos para sentir euforia e desinibição.

    Embalados em frascos de plástico ou vidros de 50 a 200ml, alguns com acréscimo de essências de frutas como banana, uva ou laranja. Mesmo reconhecidamente perigosa para a saúde, a droga virou modinha.

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    Chefes do tráfico portam frascos de vidro e exibem sua “droga de OG”. A sigla vem do inglês original gangster, mas também pode querer dizer “original”, em contraposição ao black lança, de valor inferior.

    A popularização do produto ilícito pode ser medida por seu alcance cultural: a droga é mencionada em letras de brega funk, de pagodão baiano, de sucessos pop. Alcança públicos variados.

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    Adultos exploram os efeitos das substâncias de evaporação rápida em blocos ou no sexo. Crianças e adolescentes enveredam por esse caminho arriscado movidos pelo desejo de pertencer à turma da ostentação: exibem e compartilham nas redes sociais emojis de tubos verdes que remetem aos produtos químicos.

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    “Bafora e passa” é uma das regras dos adeptos para tentar conter danos. O uso permanente e contínuo é prejudicial. Há ainda risco de vício e intoxicação, que podem ser irreversíveis, além de overdose.

    Segundo o toxicologista Álvaro Pulchinelli, presidente do Conselho de Ex-Presidentes da SBPC/ML, os inalantes podem acarretar problemas respiratórios, gastrointestinais, hepáticos e cardíacos. Além, é claro, de efeitos no cérebro.

    “Essas substâncias inalantes são muito irritativas para o músculo cardíaco, propiciam a formação de arritmias, ou seja, o coração começa a bater de forma acelerada e sem ritmo. Isso pode ser potencialmente fatal. A pessoa também pode entrar num quadro de depressão profunda do sistema nervoso, chegar a um quadro de coma, depressão respiratória e eventualmente à morte”, explica o especialista a’O Globo.

    Na noite do Rio, em especial em festas de música eletrônica, inalantes têm boa acolhida. Um traficante diz que os valores costumam ser superfaturados conforme a distância do ponto de drogas.

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    “O mesmo lança que na favela custa 40 reais, numa festa de música eletrônica pode chegar a 200 reais. O mesmo vidro, de uns 100ml”, revela.

    A recém-finalizada dissertação da mestre em Química pela UFRJ Geovana Coccaro aponta que a presença de solventes como diclorometano, tricloroetileno e dicloroetileno em amostras das apreensões feitas pela polícia do Rio sugere padrões de formulação que reforçam a hipótese de fabricação artesanal a partir de matérias-primas acessíveis, “obtidas em lojas de tinta, oficinas mecânicas e drogarias”.

    Além disso, o consumo não vem só da capital: cidades médias e do interior, entre elas Angra dos Reis e Macaé, tiveram volumes consideráveis de inalantes apreendidos pela polícia no período da pesquisa.

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