Soft power: como um ativo simbólico pode alavancar as cidades fluminenses
Levantamento inédito da Firjan mapeou a força de vinte municípios, oferecendo uma espécie de GPS para orientar negócios e políticas públicas
Em maio, após o show que atraiu 2,1 milhões de pessoas à Praia de Copacabana, a cantora Lady Gaga rasgou seda aos cariocas em suas redes sociais. “O coração de vocês brilha tão intensamente, sua cultura é tão vibrante e especial. Espero que saibam o quanto sou grata por ter compartilhado esse momento histórico com vocês.”
O megashow impulsionou o turismo e diversos setores da economia. Na ocasião, especialistas já apontavam que o feito envolvendo a intérprete de Abracadabra nada tinha de magia.
Como o Carnaval, a bossa nova e tantas outras “coisas nossas”, o evento projetou a cidade como maravilhosa para todo o planeta. “Puro suco do soft power”, resumiu em outra postagem a Casa Firjan, hub de inovação e tendências da Federação das Indústrias do Estado do Rio.
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A melhor tradução para a combinação das duas palavras em inglês é o poder que um território tem de atrair e gerar desejo.
“Seja através da cultura, estilo de vida ou por outras características, espontâneas ou não”, explica Julia Zardo, gerente de ambientes de inovação da Firjan, coordenadora de uma pesquisa que mapeou a força simbólica em vinte municípios fluminenses.
“É preciso identificar cada potência, transformar o imaterial em valor, e o valor em influência”, acrescenta.
O conceito de soft power foi formulado pelo cientista político americano Joseph Nye (1937-2025) nos anos 1990, em contraposição ao hard power, com conotação negativa por estar associado ao poder econômico ou bélico de uma nação.
Um bom exemplo do poderio avassalador que passa longe da força bruta é a onda coreana que varreu os cinco continentes.
“Hoje a gente não consome só doramas e k-pop, mas até cosméticos de um país muito pequeno, que passou a exercer influência positiva a partir de uma narrativa focada no audiovisual”, observa Julia, frisando que tudo isso faz parte de uma tática muito bem desenhada, desenvolvida através de Parcerias Público-Privadas.
Nesse sentido, o estudo da Firjan pretende funcionar como um GPS para o governo do estado, as prefeituras e diversas empresas, cruzando dados como Produto Interno Bruto (PIB) e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) a fatores culturais, históricos e identitários.
“O objetivo é incentivar as cidades a transformar seus ativos tangíveis e intangíveis em estratégia de negócio e política pública”, diz Julia.
Contrariando expectativas, Niterói encabeça a lista da Firjan, com 100 pontos, enquanto a capital aparece em segundo lugar, com 92 pontos. Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Angra dos Reis e Campos dos Goytacazes vêm em seguida.
“Com um plano estratégico que envolveu gestão, segurança pública e limpeza urbana, nos tornamos sinônimo de qualidade de vida”, gaba-se o prefeito Rodrigo Neves (PDT), que assumiu seu primeiro mandato em 2013, época em que a terra de Arariboia andava em baixa.
Três anos antes, o deslizamento do Morro do Bumba foi responsável por 48 mortes e duzentos desaparecimentos. A violência urbana é, justamente, um dos calcanhares de Aquiles do Rio.
“O soft power vai muito além de cultura e patrimônio. Não basta apregoar esses valores sem mobilidade no território, estrutura de negócios e segurança”, adverte a pesquisadora da Firjan. A saída de encruzilhadas como essas pode estar nos caminhos abertos pelo mapa, com videoaulas já assistidas mais de 100 000 vezes.
“Mais que medir PIB, estamos medindo o potencial de futuro”, sustenta Julia. Carisma, talento e tempero o Rio tem de sobra.
Boas influências
Virtudes e oportunidades em solo fluminense
Rio de Janeiro. É urbana e histórica, com a natureza integrada ao cotidiano, além de ser o berço de conhecimento, arte e inovação. Seria desejável expandir políticas de habitação no Centro e na Região Portuária; priorizando pedestres, ciclistas e integração entre modais.
Niterói.
Combina polo offshore, serviços avançados, comércio ativo e uma crescente cadeia criativa. O desafio é manter a integração entre tecnologia, natureza e participação social, ampliando conexões entre o Centro, regiões oceânicas e a Baía de Guanabara.
Petrópolis.
A Cidade Imperial integra tradição e inovação, com patrimônio preservado. Setores modernos, a exemplo da moda, com a Rua Teresa; do setor mobiliário, no Bingen, microcervejarias e manutenção aeronáutica se destacam.
Guapimirim.
O município tem grande parte de seu território preservado. Lá está o Dedo de Deus, na primeira unidade de conservação do Brasil, criada em 1984 para proteger os manguezais e os botos cinza da Baía de Guanabara.
Paraty.
Referência em preservação ambiental e patrimonial, o local pode se posicionar como referência em sustentabilidade, valorizando a narrativa caiçara como ativo simbólico e econômico.
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