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Em ritmo de transformação: desfiles da Sapucaí ficam ainda mais técnicos

Aposentadoria do carro de som, autonomia sonora das escolas e julgamento em 360 graus redesenham a dinâmica do show na Avenida

Por Bruno Chateaubriand Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
13 fev 2026, 07h02 •
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 (Leo Queiroz/Rio Carnaval/Divulgação)
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  • No Carnaval do ano passado, quando a Portela encerrou os desfiles do Grupo Especial por volta das 4h30 da quarta-feira de cinzas, sem sinal de sol raiando, inaugurou-se um novo tempo na Sapucaí.

    O espetáculo passou a ocupar a Avenida do domingo à terça, com quatro escolas se apresentando a cada noite.

    A mudança foi bem aceita não só pelo público, que pôde voltar mais cedo para casa, mas pelos integrantes das agremiações e por quem encontra na festa um ganha-pão.

    Afinal, a experiência foi estendida sem diluir o impacto artístico das performances. Nessa batida, as transformações continuam e prometem ser ainda mais profundas neste ano, englobando não só o tempo de permanência no Sambódromo, mas aspectos estruturais, do som à forma como os quesitos são avaliados pelos jurados.

    “A ideia é evoluir ano a ano”, afirma o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David.

    Uma das alterações mais simbólicas é a substituição do carro de som, espécie de trio elétrico que acompanhava os puxadores do samba-enredo, por um sistema digital de sonorização fixa.

    E o controle do som, a partir de agora, passa a ser responsabilidade direta de cada agremiação, que define o volume e a equalização ao longo do desfile.

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    A descentralização do sistema sonoro busca não apenas mais eficiência técnica, mas também maior autonomia artística, permitindo que cada uma construa sua identidade sonora, assim como já acontece com os equipamentos de iluminação.

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    Adeus, carro de som: nos ensaios técnicos, os intérpretes Igor Vianna, da Mocidade (à esq.), e Zé Paulo Sierra, da Portela (à dir.), puderam interagir com o público (Eduardo Hollanda/Rio Carnaval/Divulgação)

    Para a historiadora Angélica Ferrarez, as novidades apontam para um Carnaval mais atento a quem se dedica à folia ao longo de todo o ano.

    “Essa iniciativa deixa os cantores e músicos mais livres para circular pela Avenida e desfrutar do desfile. Queremos que as inovações sirvam para entregar a experiência de uma festa incrível e visem o bem-estar do público e dos sambistas”, analisa.

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    Já no campo do julgamento, as modificações são ainda mais estruturais. As apresentações das comissões de frente e dos casais de mestre-sala e porta-bandeira passam a ser avaliadas dos dois lados da Sapucaí ao mesmo tempo.

    Em 2025, foram quatro módulos distribuídos ao longo da pista, com 36 julgadores divididos entre esses quesitos. A disposição dos módulos em setores pares e ímpares fazia com que as apresentações fossem direcionadas majoritariamente para um lado, deixando parte do público sem visão plena da performance.

    Agora, serão 54 julgadores distribuídos em seis cabines, e os módulos três e quatro estarão posicionados frente a frente, criando apresentações em 360 graus.

    “É uma inovação que vem para engrandecer e democratizar ainda mais as apresentações”, opina a coreógrafa e jurada de comissão de frente Paola Novaes, que atuará em um dos módulos espelhados.

    Todas as notas, inclusive as máximas, deverão vir acompanhadas de justificativa.

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    No formato anterior, apenas avaliações que resultavam em perda de décimos exigiam explicações formais. Na eterna busca por equilíbrio entre tradição e modernidade, o Carnaval evolui respeitando o ritmo da bateria, mas sem medo de mudar o passo.

    Dos ídolos aos deuses

    Os enredos do Grupo Especial

    Domingo, 15:

    22h. Acadêmicos de Niterói

    Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil

    Carnavalesco: Tiago Martins

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    Rainha de bateria: Vanessa Rangeli 

    23h30. Imperatriz Leopoldinense

    Camaleônico (homenagem a Ney Matogrosso)

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    (Leo Aversa/Divulgação)

    Carnavalesco: Leandro Vieira

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    Rainha de bateria: Iza 

    1h. Portela

    O Mistério do Príncipe do Bará — A Oração do Negrinho e a Ressurreição de Sua Coroa Sob o Céu Aberto do Rio Grande (focado na negritude do Sul do país)

    Carnavalesco: André Rodrigues

    Rainha de bateria: Bianca Monteiro 

    2h30. Mangueira

    Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra (sobre os costumes afro-indígenas)

    Carnavalesco: Sidnei França

    Rainha de bateria: Evelyn Bastos 

    Segunda, 16:

    22h. Mocidade Independente de Padre Miguel

    Rita Lee, a Padroeira da Liberdade

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    (Divulgação/Divulgação)

    Carnavalesco: Renato Lage

    Rainha de bateria: Fabíola Andrade

     23h30. Beija-Flor

    Bembé (a maior festa de candomblé do mundo)

    Carnavalesco: João Vitor Araújo

    Rainha de bateria: Lorena Raissa 

    1h. Viradouro

    Pra Cima, Ciça (homenagem ao mestre de bateria da escola)

    Carnavalesco: Tarcísio Zanon

    Rainha de bateria: Juliana Paes 

    2h30. Unidos da Tijuca

    Carolina Maria de Jesus

    Carnavalesco: Edson Pereira

    Rainha de Bateria: Mileide Mihaile 

    Terça, 17:

     22h. Paraíso do Tuiuti

    Lonã Ifá Lukumi (sobre a resistência da tradição iorubá em Cuba)

    Carnavalesco: Jack Vasconcelos

    Rainha de bateria: Mayara Lima 

    23h30. Vila Isabel

    Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África (homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres)

    Carnavalescos: Leonardo Bora e Gabriel Haddad

    Rainha de bateria: Sabrina Sato 

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    (instagram @sabrinasato/Divulgação)

    1h. Grande Rio

    A Nação do Mangue (acerca do movimento cultural manguebeat, de Pernambuco)

    Carnavalesco: Antônio Gonzaga

    Rainha de bateria: Virginia Fonseca

     2h30. Salgueiro

    A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau (homenagem a Rosa Magalhães)

    Carnavalesco: Jorge Silveira

    Rainha de bateria: Viviane Araújo

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