Justiça contesta, mas prefeitura anuncia leilão de antigo mercado
Imóvel deverá ser leiloado em 31 de março, às 16h, no auditório do Centro Administrativo São Sebastião, sede da Prefeitura do Rio
O edital para a venda do imóvel da Rua Barão de Itambi 50, em Botafogo, pertencente ao grupo Sendas, que gere o supermercado Pão de Açúcar, foi publicado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento da Prefeitura no Diário Oficial desta sexta (6). A realização do leilão presencial está agendada para 31 de março, às 16h, no auditório do Centro Administrativo São Sebastião, sede da Prefeitura do Rio. Os interessados podem ler o edital completo no site da secretaria.
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O imóvel foi desapropriado pela prefeitura no fim do ano passado, “para fins de renovação urbana, por hasta pública, procedimento utilizado pelo Poder Judiciário para vender bens penhorados de um devedor, convertendo-os em dinheiro para pagar dívidas. A medida havia sido solicitada pela Fundação Getúlio Vargas, que tem um campus na frente e outro nos fundos do prédio. De acordo com a instituição, a ideia é criar um centro de tecnologia e inteligência artificial ali.
O prédio estava sendo vendido ao Mundial, que instalaria um supermercado no endereço. Duas ações na Justiça contestam a desapropriação. O grupo Pão de Açúcar entrou com um processo questionando a legalidade da medida. Morador de Botafogo, o vereador Pedro Duarte (PSD), responsável pelo lei que autoriza o poder municipal a desapropriar e leiloar imóveis sem uso, entrou com uma ação popular contra o ato. Segundo ele, uma academia de ginástica ainda funciona no local e, por isso, o critério da hasta pública não pode ser aplicado.
Moradores do bairro fizeram um protesto no último sábado (28) contra a desapropriação. A prefeitura, no entanto, dá andamento ao processo.
Em nota, o grupo Sendas manifesta “profunda indignação e perplexidade diante da tentativa da Prefeitura desapropriar um imóvel comercial ativo, conservado e rigorosamente em dia com suas obrigações”. E ainda classifica “como um absurdo e de uma contradição inaceitável que uma instituição de ensino como a FGV esteja dando um péssimo exemplo a seus alunos dos cursos empresariais de gestão, ética e negócios, governança e compliance, dedicados a formar administradores e empreendedores, ao tomar um imóvel privado para uso próprio”. Por fim, afirma que mantém “confiança na Justiça para proteger o patrimônio privado e os interesses dos moradores de Botafogo”.







