Prédio histórico do Moinho Fluminense, na Gamboa, não será desapropriado
Imóvel tombado de 1887 já recebeu promessas de diferentes projetos que não saíram do papel

O belo Moinho Fluminense, imóvel que abrigou o maior moinho de trigo do país e está vazio na Gamboa desde 2015, quando a fábrica foi transferida para a Baixada Fluminense, não será mais desapropriado. O prefeito Eduardo Paes, que havia iniciado o processo de desapropriação dos cinco prédios históricos, em 2024, voltou atrás e revogou a declaração de utilidade pública do local, conforme decisão publicada no Diário Oficial desta sexta (4).
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Os planos de ocupação do conjunto arquitetônico não foram adiante, e o local recebeu no ano passado eventos como a feira Junta Local. “É o típico caso de um imóvel importantíssimo para a cidade, e o setor privado fica segurando e especulando. O Moinho Fluminense é vital para revitalizar a área do Porto Maravilha”, o prefeito havia dito, na ocasião em que apoiou a desapropriação.
Nesta sexta, o prefeito revogou, integralmente, o inciso II do artigo 1º do decreto 54.691/2024. Com isso, os imóveis voltam às mãos do dono na época de 2015: quando a sede do Moinho foi transferida para a Baixada, os imóveis foram vendidos ao fundo de investimentos Vince Partners. A ideia era construir torres comerciais e um hotel boutique.
Quatro anos depois, os imóveis foram vendidos à Autonomy Investimentos, que anunciou a implantação de um misto residencial e comercial. A empresa chegou a contratar um escritório de arquitetura de Nova York, especializado em remodelar antigas fábricas do Brooklyin.
Quando Paes desapropriou os imóveis, a Autonomy Investimentos divulgou nota informando que havia aprovado parcialmente um projeto para a recuperação do Moinho Fluminense com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), já que o imóvel, de 1887, é tombado pelo município.