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Praticantes do candomblé são insultados e agredidos na Vila da Penha

Homens os chamavam de “diabos”, em uma situação inaceitável, mais condizente com as trevas medievais do que com uma sociedade moderna, fundamentada em princípios básicos de liberdade e igualdade

Por Lula Branco Martins Atualizado em 5 dez 2016, 12h07 - Publicado em 20 jun 2015, 01h00

Pouco mais que uma criança, K., 11 anos, recebeu uma pedrada na cabeça quando saía, com amigos e parentes, de um culto de candomblé,no domingo passado (14), no bairro de Vila da Penha, na Zona Norte. Ela vestia roupas brancas, condizentes com a religião que professa (sua avó é mãede santo), e foi alvo de xingamentos de dois homens que provocavam as pessoas do grupo, chamando-as de “diabos”, para dizer-se o mínimo. Segundo testemunhas, um deles portava um exemplar da Bíblia e levantava o livro com as mãos a cada ofensa. “Achei que ia morrer”, contou K. no dia seguinte, já de curativo, mas nem por isso recuperada do episódio. “Quando fecho os olhos, vejo as cenas de novo”, falou na TV. A história parou na polícia. Foi registrada na 38ª DP, em Brás de Pina, no rol dos casos que envolvem “preconceito de raça, cor, etnia ou religião” e também como “lesão corporal”, já que a pedra, após bater num poste (o que suavizou o impacto), feriu a menina. Os agressores trataram de correr.

Até quinta-feira (18) não se sabia o paradeiro deles, e a PM ainda analisa imagens gravadas pelas câmeras de segurança dos prédios próximos. No meio da semana, foi divulgada na internet uma campanhana qual adeptos da religião, de origem africana, seguram cartazes com dizeres como “Eu visto branco, o branco da paz, sou do candomblé, e você?”. Na quarta (17), K. voltou a ser insultada quando chegava ao Instituto Médico-Legal para exame de corpo de delito. São agressões inaceitáveis em uma sociedade que, ao longo do tempo, aprendeu a respeitar a diversidade de culturas e religiões e que agora deve, veementemente, repudiar taisatos de ignorância e intolerância.

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