Pelos Mares do Mundo 2: livro expõe imagens inéditas do fundo do oceano
Lançamento do fotógrafo subaquático Marcelo Skaf reúne 160 registros de expedições realizadas em três décadas de mergulho nos cinco oceanos
Aos 12 anos, Marcelo Skaf vestiu os óculos de mergulho do avô pela primeira vez e contemplou uma estrela-do-mar. Foi como se ele tivesse descoberto um novo universo, repleto não de astros cósmicos, mas da vida marinha que reside a alguns metros de profundidade.
“O mar me pegou, não fui eu quem pegou o mar”, define o fotógrafo, mergulhador e oceanógrafo. Ele até tentou cursar engenharia, mas aos 19 anos largou a faculdade para seguir seu sonho.
Hoje, após mais de trinta anos de experiência de mergulho e um livro de fotografias publicado, o artista lança o segundo volume, Pelos Mares do Mundo 2 (240 págs., 250 reais).
“Levei dez anos para construir a nova edição, além de adicionar algumas imagens que não couberam no primeiro”, explica Skaf, detentor de um acervo de mais de 60 000 retratos feitos ao longo de 4 500 mergulhos.
No Rio, o lançamento é acompanhado de uma exposição homônima no AquaRio, que pode ser visitada até o dia 30 de março. Das 160 fotografias presentes na obra — clicadas em expedições espalhadas pelos cinco oceanos em mais de setenta países —, vinte integram a mostra.
Clicar na água não é uma tarefa fácil, e há três requisitos importantes: saber fotografar, ser um bom mergulhador e conhecer o comportamento dos animais. Mesmo com esses critérios preenchidos, o processo ainda é arriscado e repleto de surpresas — algumas boas, outras nem tanto.
“Tem de estar alerta o tempo todo. A gente costuma dizer que o mergulho só acaba no barco”, aponta Skaf. Entre alguns dos imprevistos que só o mar pode proporcionar, estão um anoitecer à deriva com tubarões-martelo e o equipamento mordido por um tubarão-tigre.
Para o oceanógrafo, no entanto, os desafios são a única maneira de traduzir as cores e texturas vistas nos mergulhos. “Eu comecei a fotografar para levar essas imagens para minha família e meus colegas de universidade”, conta o artista.
A experiência com documentários subaquáticos o levou a lançar a primeira edição do livro, em 2015. “A ideia é que o projeto se torne uma trilogia”, adianta Skaf, que fotografou de um cavalo-marinho pigmeu de 4 milímetros, na Indonésia, a jubartes de 15 metros no litoral do Rio.
A contracapa leva a assinatura do artista de rua Eduardo Kobra, enquanto o prefácio foi escrito pelo decacampeão brasileiro de vela Lars Grael. “Skaf demonstra um dom artístico singular ao fotografar o ambiente marinho. Sua obra permite que novas gerações compreendam que, neste mundo ainda tão vibrante e diverso, reside uma das principais fontes de equilíbrio do planeta”, ressalta o velejador.
A mensagem sobre sustentabilidade nas águas se tornou ainda mais urgente nos últimos anos. O oceanógrafo percebeu uma clara diminuição do número de animais marinhos à medida que a quantidade de lixo e plástico nos oceanos cresceu.
“Meu objetivo de vida é mostrar o quanto esse ecossistema incrível precisa ser protegido, sensibilizando as pessoas através da arte”, enlaça o Skaf. Uma nobre missão, forjada na paixão por enxergar o que poucos veem e no desejo de preservar o extraordinário.
Imagens da imensidão
Os bastidores de cinco fotos impressionantes da obra
Jubarte
Rio de Janeiro, Brasil
Cavalo-Marinho Pigmeu
Indonésia
Moreia
Papua-Nova Guiné
–Anêmona
Lembeh, Indonésia
–Tubarão-Tigre
Bahamas
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