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Ícone da arquitetura modernista, Parque Guinle atrai nova geração de moradores

Símbolo de Laranjeiras, conjunto residencial ganha outros ares com público mais jovem, comércio pulsante e valorização imobiliária

Por Carolina Ribeiro
6 fev 2026, 10h06 •
Parque Guinle, em Laranjeiras, Rio de Janeiro RJ. Foto de Daniela Dacorso
Marca Registrada: prédios com a assinatura de Lúcio Costa atraem habitantes na faixa entre 35 e 40 anos  (Daniela Dacorso/Veja Rio)
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  • No final do ano passado, o sumiço de patos e gansos do lago do jardim do Parque Guinle, em Laranjeiras, gerou uma forte comoção nas redes sociais e, principalmente, entre os proprietários dos apartamentos do conjunto residencial projetado por Lúcio Costa (1902-1998) e os irmãos Marcelo, Milton e Maurício Roberto, considerado uma joia da arquitetura modernista carioca. Os bichos acabaram encontrados em uma caçamba de lixo no Centro, e puderam retornar ao habitat natural após uma quarentena. A mobilização de moradores e frequentadores é reflexo de uma mudança geracional naquelas bandas. A criação da associação AMA Guinle, que completa um ano, a chegada de uma safra de residentes na faixa dos 35 a 40 anos, a revitalização do entorno marcada pela reinauguração do Mercadinho São José e o uso da área como locação de grandes produções audiovisuais — como Pedaço de Mim, da Netflix — renovaram os ares do imponente endereço. “O Parque Guinle é icônico e fascinante, um oásis verde no meio da cidade”, resume Maurício Farias, diretor do melodrama estrelado por Juliana Paes.

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    Giovanna Nader credito Dani Dacorso 3
    Nova Geração: Giovanna Nader, podcaster, Michel Melamed, ator, e Duda Beat, cantora, são vizinhos (Dani Dacorso/Veja Rio)

    Artistas, jornalistas e professores costumam se esbarrar nas esquinas da bucólica vizinhança. Expoente da nova geração de moradores do Parque Guinle, a atriz e apresentadora do podcast O Tempo Virou, no Spotify, Giovanna Nader, 39 anos, viu, há cinco anos, um anúncio de aluguel do apartamento onde vive. Detalhe: o valor era inferior ao do imóvel menor em que residia, na Gávea. O proprietário, na verdade, estava em busca de um candidato à compra, e foi então que ela e o companheiro, o ator Gregorio Duvivier, 39, decidiram investir na cobertura. “Dá para perceber que o público que vive e frequenta o Parque Guinle rejuvenesceu”, observa a mineira de Araguari. Adepta de um “fervinho”, Giovanna tem batido ponto no Borbulhas, no vizinho Mercadinho São José. “Adoro pegar um vinho biodinâmico para beber com os amigos no terraço e deixar as crianças soltas”, conta a apresentadora, que já influenciou novas famílias a migrarem para os arredores. “Laranjeiras tem um clima bairrista, todo mundo se conhece. O comércio local, com sapataria de mais de cinquenta anos, mercearia e rotisseria, é um charme”, enlaça.

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    Todo esse encanto, aliado a boas opções de escolas, alçou o bairro à lista dos mais cobiçados pelo mercado imobiliário nos últimos cinco anos. Segundo um levantamento do Centro de Pesquisa e Análise da Informação do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), o número de imóveis residenciais vendidos em Laranjeiras entre janeiro e agosto saltou de 155 unidades em 2020 para 360 em 2025 — um crescimento de 132%. O valor do metro quadrado também apresentou aumento: de 9 741 reais para 9 973 reais. “Laranjeiras é um bairro desejado pela sua localização geográfica e estratégica próxima ao metrô e ao Centro. Hoje, tem sido ainda mais procurado, graças ao projeto de despoluição da Baía de Guanabara que melhorou as condições de balneabilidade das praias do Flamengo e da Glória. O Parque Guinle, grande pulmão verde, sempre foi um ícone”, analisa Claudio Hermolin, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio). Na turma dos recém-chegados estão a cantora Duda Beat, a diretora de arte Dina Salem Levy e o ator e poeta Michel Melamed.

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    Em Casa: Duda Beat em sua casa defronte para o jardim de Burle Marx (Joseph Clarkson/Divulgação)

    Construído entre as décadas de 1940 e 1950, o conjunto residencial ostenta plantas generosas — de 200 a 700 metros quadrados — historicamente habitados por famílias aristocratas, de sobrenomes compostos. São marca registrada do trio de edifícios Caledônia, Bristol e Nova Cintra — tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1986 — os charmosos cobogós terracota e os brises rosados e azulados. Contratada por um casal de advogados de 40 anos, Paula Daemon, da Linha Arquitetura, assinou uma reforma em que transportou a paleta da fachada para os pisos e revestimentos. “Quisemos honrar os elementos originais, criando uma atmosfera livre de excessos, integrada à paisagem”, explica a arquiteta. Na nova configuração, dois cômodos de serviço foram eliminados, dando lugar a um amplo quarto de hóspedes. Além disso, sala e cozinha se uniram. O contraste entre os moldes antigos e o frescor das novidades é resumido pelo poeta e ator Michel Melamed, que se mudou para lá há dois anos, numa pergunta: “Não é uma boa fricção?”. Ele está coberto de razão.

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    Velho e Novo: Michel Melamed aprova o contraste dos moldes antigos com o frescor das novidades (Asafe Ghalib/Divulgação)

    Um oásis na Zona Sul

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    Curiosidades sobre o nobre endereço

    Antiga mansão de Eduardo Guinle (1846-1912), o Palácio das Laranjeiras, atual residência do governador, foi o local onde o presidente Arthur da Costa e Silva (1899- 1969) assinou o Ato Institucional número 5, o AI-5, em 1968, que determinou o fechamento do Congresso.

    O suntuoso portão traz as iniciais de Eduardo Guinle grafadas em sua parte mais alta. A peça foi produzida na Fundição Schwartz & Meurer, em Paris, em 1911. Nas extremidades, há dois leões alados de ferro e duas estátuas de anjos sobre esfinges em mármore branco. 

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    Projetado em 1920 pelo paisagista francês Gérard Cochet (1888-1969), o jardim também recebeu intervenções de Roberto Burle Marx (1909-1994). O gramado ocupa mais de 24 000 metros quadrados e é constituído por lago, alamedas em diversos níveis e árvores tropicais

    Caracterizados por virtuosos cobogós, brises e pilotis, os edifícios Bristol, Caledônia e Nova Cintra, assinados por Lúcio Costa, foram tombados pelo Iphan em 1986. O projeto foi premiado na I Bienal de Artes de São Paulo, em 1951.

    Numa busca rápida em plataformas de transação de imóveis pela internet, é possível encontrar apartamentos à venda nos arrojados prédios. Os preços variam de 2,5 milhões (três quartos) a 7,2 milhões de reais (cobertura). 

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