Papagaios que seriam vítimas de tráfico internacional vão voltar à natureza

Apreensão no Galeão ocorreu durante fiscalização do Ibama, que flagrou passageira estrangeira com 24 ovos escondidos sob a roupa, presos ao corpo com meias

Por Elisa Torres 31 mar 2026, 12h31 • Atualizado em 31 mar 2026, 15h14
Papagaios resgatados pelo Ibama
Papagaios foram resgatados pelo Ibama em outubro, no Aeroporto do Galeão (Daiane Cortes/Ascom/Ibama/Divulgação)
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    Está próxima de um final feliz a história dos ovos de papagaio apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sob suspeita de tráfico internacional de fauna silvestre. Nesta segunda (30), o instituto deu início ao processo de reabilitação dos nove animais ameaçados de extinção, resgatados ainda na fase de ovos, após tentativa de envio ilegal no Aeroporto Internacional do Galeão. O caso ocorreu no dia 26 de outubro do ano passado.

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    A apreensão aconteceu durante uma fiscalização de rotina, quando agentes identificaram uma passageira estrangeira, com passaporte suíço, transportando 24 ovos escondidos sob as roupas, presos ao corpo com meias. Ao ser questionada, ela afirmou que se tratavam de ovos de galinha.

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    Ovos resgatados em bagagem de passageira
    Os ovos resgatados na bagagem da passageira e levados por agentes do Ibama (Fiscalização/Ibama/Divulgação)

    Os ovos, já em estágio avançado de desenvolvimento, foram recolhidos e encaminhados ao Ibama, que organizou uma força-tarefa com parceiros especializados para garantir a incubação e o nascimento dos filhotes. Ao todo, 12 ovos eclodiram, mas apenas nove aves sobreviveram.

    Filhotes de papagaio resgatados pelo Ibama
    Os filhotes abrigados em São Paulo: dos 24, 12 eclodiram, mas apenas 9 sobreviveram (Fiscalização/Ibama/Divulgação)

    Com o desenvolvimento dos animais, os técnicos conseguiram identificar que se tratam de espécies ameaçadas de extinção, entre elas o papagaio-charão (Amazona pretrei) e o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis). O papagaio-charão é classificado como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, e ambas as espécies estão incluídas no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), que reúne espécies sob maior risco de desaparecimento.

    Atualmente, os filhotes — já em fase jovem — estão saudáveis e sob cuidados especializados no Zoológico de São Paulo, instituição que atua em programas de conservação, manejo e reprodução de espécies ameaçadas. No local, as aves passam por avaliações genéticas e por etapas complementares de reabilitação, fundamentais para determinar a viabilidade de reintrodução na natureza.

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    A expectativa é que, após a conclusão desse processo, os animais sejam encaminhados a áreas compatíveis com seus habitats naturais, dentro de programas de conservação das espécies.

    Como autoridade administrativa da Cites no Brasil, o Ibama é o órgão responsável por controlar o comércio internacional de fauna e flora silvestres, emitir licenças de importação e exportação e verificar a origem legal dos espécimes, atuando para coibir irregularidades e proteger espécies ameaçadas.

    Segundo os especialistas do Ibama, o tráfico de animais silvestres envolvendo espécies com distribuição geográfica restrita é realizado por redes especializadas nesse tipo de crime. Os animais são frequentemente encomendados por especialistas, que conhecem seu alto valor no mercado ilegal e atuam de forma seletiva na captura e no transporte. Trata-se de uma atuação organizada, que busca especificamente espécies mais raras e, portanto, mais valiosas.

    O episódio reforça o nível de sofisticação dessas práticas criminosas e evidencia a importância da atuação integrada de órgãos de fiscalização. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o comércio ilegal de fauna movimenta cerca de 2 bilhões de dólares por ano, com milhões de animais retirados da natureza — a maioria deles aves.

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