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Virada de página: novas lojas e programação intensa animam livrarias de rua

Com agenda cheia, espaços vão além de pontos de venda, viram palco de debates, música e encontros e provam que a cidade ainda prefere a boa conversa ao clique

Por Elisa Torres
20 fev 2026, 06h00 • Atualizado em 20 fev 2026, 18h11
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Cliente fiel: a atriz Bella Campos vibrou com a abertura da Janela a poucos passos de seu prédio, em Laranjeiras  (Dani Dacorso/Veja Rio)
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  • Muito antes de o algoritmo sugerir o que ler, o Rio já fazia do acaso sua melhor curadoria. Tema das crônicas de João do Rio (1881- 1921), que no início do século XX observava cafés e becos para decifrar a alma carioca, e, mais recentemente, das reflexões do historiador Luiz Antonio Simas sobre cultura urbana, a cidade construiu sua identidade no espaço públicoe é nesse território onde a vida floresce que as livrarias de rua voltam a toda à paisagem. Mesmo com o avanço do e-commerce, que embute a possibilidade da compra a um clique e com bons descontos, ao menos cinco novos endereços abriram as portas em 2025, reafirmando uma vocação antiga: o livro às vezes é pretexto — o que importa é a convivência. “Desde o início, quisemos ser um espaço de reunião, um convite à pausa e a um modo diferentes de olhar o mundo”, afirma Martha Ribas, sócia da Janela, ao lado de Antonia Moura, Leticia Bosisio e Renata Maciel. O quarteto inaugurou no fim do ano a terceira unidade, em Laranjeiras, e já se prepara para tocar mais uma, no Museu do Amanhã. Muito além de vitrine de lançamentos, esses locais funcionam como ágoras contemporâneas, onde o café se desdobra em debates, clubes de leitura sedimentam laços e a programação cultural transforma calçadas em extensões da estante.

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    A calma impera: “Desde o início quisemos ser um espaço de reunião e um convite à pausa”, diz Martha Ribas (primeira à esq.), sócia da Janela, ao lado de Antonia Moura, Leticia Bosisio e Renata Maciel (da esq. para a dir.) (Monica Ramalho/Divulgação)

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    Desde o século XVIII, centenas de estabelecimentos abriram e fecharam por aqui, movimento que acompanhou ciclos políticos, econômicos e culturais. Casas emblemáticas foram palco de altos debates de teor ideológico da independência à ditadura militar. Alguns marcos do século XX já desapareceram, como a José Olympio, na Rua do Ouvidor, e a São José, sede da primeira tarde de autógrafos no Rio, em 1954, quando Manuel Bandeira lançou Itinerário de Pasárgada.

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    Livraria São José, no Centro: fundada em 1935, sobreviveu à ditadura e à especulação imobiliária, mas não à pandemia (Livraria São José/Divulgação)

     

    Outras tornaram-se símbolos de resistência, como a Leonardo da Vinci, a livraria independente mais antiga da cidade, em atividade desde 1952, apesar dos sacolejos da economia, de incêndios e de perseguições políticas em ponto discreto da Avenida Rio Branco. No rol, ficaram de pé ainda a Argumento, desde 1979 na Dias Ferreira, no Leblon; a Folha Seca, de 1998, na Ouvidor; e a Belle Époque, de 2018, que preserva a tradição dos sebos e movimenta o Méier com cineclubes, shows e bate-papos. “A formação do leitor começa pela presença do livro no dia a dia”, acredita Ivan Costa, presidente da Associação Estadual das Livrarias do Rio de Janeiro (AEL/RJ) e fundador da Belle Époque. “A Folha Seca, por exemplo, está inserida num ponto de ebulição cultural, ao lado de rodas de samba. Os livros conversam com o que se vive do lado de fora”, diz.

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    Espaço lúdico: “A ideia é ampliar o contato com o livro”, diz Fran Junqueira, proprietária da Ceci, na Urca (Dani Dacorso/Veja Rio)
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    Em um momento simbólico coroado em 2025 com o título de Capital Mundial do Livro, concedido pela Unesco , o Rio vive uma salutar fase de fortalecimento da cena literária. A Bienal do Livro consolidou-se como fenômeno de público, e iniciativas como o Festival das Livrarias do Rio (Fliv) e a Festa Literária das Periferias (Flup) reforçam a vitalidade do setor. Entre as novidades surgidas em pontos distintos está a própria Janela, que já tinha filiais no Jardim Botânico e na Gávea; a Casa Marx, na Lapa; a Ceci, na Urca; a Mário de Andrade, da Funarte, no Centro; e a quarta loja da Academia do Saber, também no Centro (veja detalhes no quadro ao lado). “A surpresa faz parte da razão de existir de uma livraria. É mágico caminhar pela cidade e, de repente, esbarrar com um livro desconhecido. O inesperado é transformador”, afirma Rui Campos, sócio da Livraria da Travessa, com seis lojas nestas praias, apenas duas em shoppings.

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    Livraria Mario de Andrade: espaço foi reaberto no térreo do Palácio Gustavo Capanema, no Centro, em novembro do ano passado (Ana Paula Amorim/Veja Rio)

    E não é só de noite de autógrafo que vivem esses efervescentes estabelecimentos. A Janela, por exemplo, oferece uma intensa agenda de encontros e ainda lançou a coleção de plaquetes Temporada Laranjeiras, em parceria com o selo Mapa Lab, reunindo textos inéditos de autores ligados ao bairro. Na Urca, a Ceci, com apenas três meses de existência, aposta em clubes de leitura e cursos de ilustração e escrita. A procura por clássicos e ficção nacional orienta a programação, que terá sessão dedicada a Guimarães Rosa, com mediação da professora Mercia Pessôa, nesta quinta (26), e a estreia, em março, do projeto Mar Aberto, estimulando a leitura de autoras, a começar pelo livro Sorriso Sorvete de Cereja, de Giovanna Ramundo. “Os eventos enriquecem a experiência”, define a editora Fran Junqueira, idealizadora da casa, que já se integrou ao cotidiano do bairro. “Quando visito o meu avô, peço para vir aqui. Gosto de entrar e folhear os livros”, diz Mia Manicacci Schiavini, de 7 anos, neta do aposentado Dalcimir Schiavini, que já virou cliente.

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    Livraria Ceci, na Urca: espaço atrai um público variado, de adultos a crianças como a pequena Mia Schiavini, de 7 anos (Dani Dacorso/Veja Rio)

     

    Uma das pioneiras em oferecer de tudo um pouco entre prateleiras recheadas de livros, a Argumento se consolidou como espaço de eventos. No pós-pandemia, as aulas tornaram-se eixo central de uma programação que inclui cursos de música clássica com o especialista Rafael Fonseca e mesas sobre política internacional. “As pessoas se cansaram do virtual. Há uma necessidade enorme de encontro”, avalia Marcus Gasparian, que administra o Café Severino, na Argumento, o primeiro no Rio integrado a uma livraria.

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    Lançamentos, debates, cursos e muito mais: a programação se espalha por espaços como a Livraria da Travessa (Divulgação/Divulgação)

    À frente da Blooks, inaugurada em 2008, Elisa Ventura sempre investiu em shows, gravações de podcasts e rodas de conversa. “Os eventos ajudam a formar novos públicos. A livraria independente precisa ser ativa”, diz. Aberta em setembro, na Lapa, a Casa Marx, sede da editora Iskra, dedicada à difusão do pensamento marxista, também promove debates e exposições a mais recente, dedicada à filósofa polonesa Rosa Luxemburgo (1871-1919), atraiu centenas de visitantes. No mesmo local funcionam brechó, café, livraria e sebo, com ponto de venda de títulos próprios e de selos independentes, como Boitempo e Elefante, além de produtos de parceiros que ajudam a sustentar a iniciativa. “Livrarias de rua resistem porque incentivam a troca de ideias”, afirma a professora Rita Helena, uma das coordenadoras.

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    Casa Marx, na Lapa, é sede da Editora Iskra, dedicada à difusão do pensamento marxista (Instagram @casamarxrj/Divulgação)

    O modelo comercial desse tipo de loja também tem as cafeterias como peças fundamentais. Além de ampliar o tempo de permanência e tornar os bate-papos mais acolhedores, elas contribuem para a viabilidade financeira. “São dois negócios que conversam muito. Quando um vai mal, o outro ajuda”, esclarece Marcus Gasparian. “Essa é mais uma exclusividade da compra nas lojas físicas”, acrescenta Bruno Zolotar, diretor comercial e de marketing da Editora Rocco. A equação parece funcionar. Vizinha da Janela de Laranjeiras, a atriz Bella Campos se tornou frequentadora assídua. “Eu gosto de sentar, pedir um expresso e parar para ler. Aqui na Janela tem aqueles bilhetes com recados sobre os livros. Dá vontade de ler todos”, diz a atriz, numa referência aos post-its com observações dos profissionais, chamados de “queridinhos dos livreiros”. Defensora do livro físico, Bella está relendo A Cor Púrpura, da americana Alice Walker, e sugere Sortilégio, de Abdias Nascimento (1914-2011), sobre a ilusão da democracia racial. “Tenho costume de andar com um livro na bolsa. Quando acordo, tento ler nem que seja por cinco minutos antes de pegar o celular.”

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    Cafeteria como estratégia: os negócios conversam e um compensa o outro, como explica Marcus Gasparian, dono da Argumento e do Severino Café, o primeiro desse estilo no Rio (instagram @severino.cafe/Divulgação)
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    Contrariando as expectativas da década passada, nem o papel nem tampouco o ato de folheá-lo desapareceram com o avanço das plataformas digitais. “O livro se fortaleceu como objeto de desejo”, atesta Rui Campos. Hoje, segundo ele, cerca de 92% dos exemplares comercializados no Brasil ainda são físicos, ante 8% das vendas on-line. “A internet cansa. Já o livro traz uma experiência que foge das telas e da correria das redes”, analisa. De acordo com o 13º Painel do Varejo de Livros no Brasil, uma pesquisa da Nielsen Book, o mercado encerrou 2025 em alta (veja o quadro da pág. 17). “Foi um ano em que o setor mostrou consistência”, celebra Dante Cid, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

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    Novidade em Laranjeiras, a Janela abriga eventos desde o lançamento, em novembro (Monica Ramalho/Divulgação)

    Para manter a curva, a principal aposta do mercado é a aprovação da chamada Lei Cortez, que tramita no Congresso Nacional e busca impedir a venda de novos exemplares abaixo do preço de tabela, prática conhecida como dumping. “Uma livraria, para dar certo hoje, precisa ser atuante e envolver a comunidade onde está, algo que a web nunca será capaz de oferecer”, arremata Bruno Zolotar, da Rocco. Entre algoritmos e vitrines digitais, as livrarias de rua apostam no que não se mede em cliques: o tempo compartilhado.

     

    Letras garrafais

    Os números do mercado editorial brasileiro em 2025

    60,3 milhões de livros vendidos, 7,75% a mais do que no ano anterior

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    3,09 bilhões de reais em faturamento 

    144 012 exemplares comercializados de Verity, de Colleen Hoover, o título de ficção mais vendido no país 

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    (Divulgação/Divulgação)

     

    Caminhos da leitura 

    Um mapa de livrarias na cidade

    Zona Sul 

    1 Blooks. Dentro do Cinesystem Botafogo, destaca títulos de cinema e quadrinhos, além de promover lançamentos, debates e clubes de leitura. Praia de Botafogo, 316, loja D. 

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    2 Instante do leitor. Em frente ao Kinoplex São Luiz, o acervo tem ênfase em teatro, cinema, quadrinhos, literatura e infantis. Promove lançamentos e clubes de leitura. Rua do Catete, 311, sobreloja 202. 

    3 Lima Barreto. Foco em literatura, com destaque para filosofia e história, além de infantis. Rua Visconde de Pirajá, 595, loja 112, Ipanema.

    4 Janela. Literatura, ciências humanas e infantis são privilegiados. Tem café e programação de eventos. Rua Professor Ortiz Monteiro, 15, loja A, Laranjeiras; Rua Maria Angélica, 171, loja B, Jardim Botânico; Shopping da Gávea. 

    5 Ceci. Destaque para a poesia e a prosa contemporânea brasileira, além de livros infantis. Rua Marechal Cantuária, 102, loja C, Urca.

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    Livraria da Travessa de Ipanema: espaço mantém parceria de sucesso com o Zazá Bistrô, no segundo piso (Weslley Paiva/Divulgação)

    6 Livraria da Travessa. Em Ipanema, mantém parceria com o Zazá Bistrô. Em Botafogo, os eventos são recorrentes e abriga o restaurante Verso. Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema; Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo. 

    7 Argumento. Pioneira no serviço de bistrô e na venda de CDs e DVDs, promove lançamentos, cursos, debates e contação de histórias. Rua Dias Ferreira, 417, Leblon. 

    Centro 

    8 Casa Marx. Inaugurada em setembro com sebo, brechó café e lojinha de produtos parceiros, é especializada em pensamento marxista e editoras independentes. Rua Mem de Sá, 206, Lapa. 

    9 Folha Seca. Especializada em temas cariocas, futebol, música e afrobrasilidade. Promove lançamentos, rodas de samba e choro e também edita livros. Rua do Ouvidor, 37, Centro. 

    10 Jangada. Especializada em cultura afro e ciências sociais, com foco em religiões de matriz africana e literatura negra. Rua Tia Ciata, 51, Saúde. 

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    A Livraria Leitura, na Rua do Ouvidor, também tem papelaria e artigos para presentes (instagram @leituraouvidor/Divulgação)

    11 leitura. Acervo variado. Tem ainda lojinha com papelaria e artigos para presentes. Rua do Ouvidor, 98­A, Centro. 

    12 Leonardo da Vinci. Acervo geral com destaque para humanas, literatura e artes. Tem bistrô, edita livros e promove lançamentos e debates. Avenida Rio Branco, 185, loja 2, subsolo, Centro. 

    13 Livraria da Travessa. Rua Graça Aranha, 296, Centro. 

    14 Loja do Livro da Biblioteca Nacional. Vende publicações coeditadas pela Fundação Biblioteca Nacional sobre cultura brasileira. Avenida Rio Branco, 219, Centro. 

    15 Mário de Andrade. De volta ao Capanema, reabriu no final de 2025, e guarda e comercializa o acervo da Funarte, voltado para teatro, música, artes plásticas, biografias e partituras. Rua da Imprensa, 16, Centro. 

    Zona Norte

    16 Belle Époque. Destaque para ciências humanas, arte e literatura, mas também oferece quadrinhos, vinis e o Bar da Belle. Rua Soares, 50, loja A, Méier.

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    Venda de novos e usados e programação intensa de eventos animam a Belle Époque, no Méier (Divulgação/Divulgação)

     

    17 Casa da Árvore. Especializada em ciências humanas e brasilidades, promove oficinas e rodas de conversa. Rua Almirante Gavião, 6, loja C, Tijuca. 

    Zona Oeste

    18 Gibi Maníacos. Foco em quadrinhos, mangás, fantasia e aventura. Costuma promover eventos. Rua Ferreira Borges, 58, loja R, Campo Grande. 

    19 Saturno. Mistura didáticos e literatura, com seção de papelaria, informática e presentes. Rua Geremário Dantas, 680, loja C, Pechincha. 

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    A Leonardo da Vinci é a livraria independente mais antiga da cidade (instagram @livrarialeonardodavinci/Divulgação)

     

    Lista de compras

    Rui Campos, da Livraria da Travessa, indica cinco livros imperdíveis

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    Livro de Ruy Castro é o primeiro na lista de indicações de Rui Campos, da Travessa (Divulgação/Divulgação)

    Trincheira Tropical Ruy Castro 

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    Agora, agora e mais agora é outra indicação do empresário da Livraria Travessa (Divulgação/Divulgação)

    Agora, Agora e Mais Agora Rui Tavares 

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    Macunaíma: clássico publicado por Mário de Andrade em 1928 também entrou na lista de Rui (Divulgação/Divulgação)

    Macunaíma Mário de Andrade 

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    Outra dica do empresário, Poesia Completa reúne poemas da vasta obra de Drummond (Divulgação/Divulgação)

    Poesia Completa Carlos Drummond de Andrade

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    Outro clássico entre as sugestões, o livro de Cervantes teve seu primeiro volume publicado em 1605 (Divulgação/Divulgação)

    O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha Miguel de Cervantes

     

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