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Nei Lopes: ‘É possível se comunicar com os orixás sem ser por transe’

Escritor e compositor participou do projeto Cena Carioca, com a colunista Rita Fernandes, nesta sexta (7), no Instagram de Veja Rio

Por Bruna Motta - 7 ago 2020, 18h35

Convidado do Projeto Cena Carioca desta sexta (7), o compositor e escritor Nei Lopes conversou com a jornalista e colunista de VEJA RIO Rita Fernandes sobre um assunto que domina como poucos no país: as religiões de matrizes africanas. “Nenhuma exclui a outra”, afirmou. Nei também falou, em live no Instagram da revista, sobre o processo de criação de seu livro, Ifá Lucumi: O Resgate da Tradição, lançado no último dia 30. Confira trechos do bate-papo:

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Ifá

“Ifá é uma forma de comunicação com a divindade. Existem várias formas de se ter esse contato: transes, incorporação. Mas o que me chamou a atenção é a possibilidade de ter a comunicação direta com os orixás sem ser por meio de transe. É um conhecimento que para você ter acesso completo leva uns cinco anos de aprendizado e não sei quantos de aperfeiçoamento e prática. É uma questão complexa e muito bonita. Muito importante falar sobre essa religião, trazer ela para um lugar de respeito”.

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As diferenças entre Ifá e Candomblé

Tudo que existe no Candomblé vem do Ifá. O interessante é que isso nunca excluiu o Candomblé de nada. Até 1930 no eixo Bahia e Rio, Ifá é uma força auxiliar nessa religião. Os búzios são uma versão do Ifá. Nada impede que um fiel do candomblé participe de uma comunidade Ifá e vice-versa”.

Líderes religiosos

O babalorixá é um ritualista, o líder de uma comunidade candomblé. Ele faz a comunicação com os orixás através dos búzios. O babalaô, líder da comunidade Ifá, faz por outros instrumentos.  A linha Ifá é tão complexa que envolve matemática, análise combinatória. Por isso a UNESCO protege Ifá como um dos patrimônios imateriais do povo Iorubá. Inclusive esses líderes interagem: há uma determinada cerimônia em Ifá que o babalorixá tem um papel importante através da sua leitura dos búzios”.

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Letra do ano

No início do ano, nós sempre realizamos o ‘Letra do ano’. Tirar o signo que vai reger o ano e também o que o signo vai dizer sobre ele. Na nossa casa, em janeiro foi tirada essa letra, e tudo que está acontecendo já tinha sido dito. Só que é dito de uma maneira metafórica. A especialidade do Babalaô é saber interpretar essas metáforas. Mas o final disso tudo que estamos vivendo será uma grande limpeza. Tem orixá que vai garantir que tudo fique organizado”.

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