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Peças resgatadas dos escombros do Museu Nacional inspiram obra de arte

Vibrações de Ignoto, de Rodrigo Andreolli, é uma reflexão sobre o sentido trágico do incêndio que destruiu o Palácio da Quinta e será exibida no MAR

Por Paula Autran 26 Maio 2022, 15h57

Mais de 20 milhões de peças do antigo acervo do Museu Nacional estarão representadas em uma nova obra, um projeto do artista Rodrigo Andreolli, em colaboração com Marília Piraju, Fernando Gregório e uma equipe de artistas, técnicos e pesquisadores. A instalação artística em 3D, forjada em aço, está conectada ao tema principal da Conferência de Museus Rio de Janeiro 2022, que será realizada nos dias 3 e 4 de junho, no Museu de Arte do Rio (MAR). A peça será apresentada na abertura do evento, que vai debater o museu do futuro.

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Denominada Vibrações de Ignoto – Protótipo crítico de realidade aumentada para a memória de um museu, a obra faz parte de uma reflexão do artista sobre o sentido trágico do incêndio que destruiu o Museu Nacional, em 2018, queimando a maior parte de seu acervo. Desde então, a maior parte dos itens expostos nos salões do Palácio da Quinta – abrangendo áreas da ciência como Zoologia, Arqueologia, Etnologia, Geologia, Paleontologia e Antropologia Biológica – ficou guardada apenas em fotos ou na memória dos visitantes e pesquisadores. Entre as mais significativas estão a esquife da múmia da “Cantora de Amon”, Sha Amun En Su, presenteada a Dom Pedro II, em sua viagem ao Egito, em 1876. Um exame tomográfico realizado em 2016 havia revelado a presença de amuletos no interior do caixão, entre eles um escaravelho-coração, que há 7000 anos foi colocado no corpo antes da mumificação. As chamas revelaram a relíquia, encontrada em meio às cinzas da peça, que foi totalmente queimada.

Essa e outras histórias, baseadas nas narrativas trazidas pelos pesquisadores e membros da equipe de resgate, serviram de base para o projeto de Andreolli, que vai misturar o físico com realidade virtual e realidade aumentada, aproximando, assim, as narrativas ancestrais às ferramentas de alta tecnologia e possibilitando uma nova experiência ao público, que vai acessar as informações através de seu próprio telefone celular.

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“Eu me interesso pelas linhas narrativas não contadas, o que está desconhecido, e como o fogo revela essas outras camadas, como recriar mundos com os objetos encontrados após o incêndio. O fogo é manifestação trágica, mas também pode ser visto como uma possibilidade de criação”, diz o artista, que define o trabalho como protótipo de exposição das peças recuperadas e das memórias das peças perdidas nas cinzas, a ser disponibilizado em forma de uma instalação/ dispositivo coreográfico.

Andreolli escolheu para compor a obra, além do escaravelho, outras relíquias resgatadas dos escombros, como o meteorito de Bendegó, o Abebé de Oxum e um exemplar da Ritxokó, bonecas Carajás: “Elenquei quatro objetos aos quais me senti conectado no decorrer das conversas com os pesquisadores envolvidos no trabalho de resgate, objetos que tratam de aspectos diferentes do acervo do museu. Para a inauguração da instalação foi composta uma trilha sonora especial, e foram convidados cordelistas e um ogã para participarem”.

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Uma iniciativa do Goethe-Institut e do Museu Nacional/UFRJ, com apoio do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha, a Conferência Museu Rio de Janeiro 2022 vai reunir instituições culturais de várias partes do mundo no MAR. A ideia é promover a troca de conhecimentos e trazer à tona debates sobre qual o papel dos museus na atualidade, com a participação de instituições da América do Sul e da Europa. O evento contará com a presença de especialistas envolvidos, direta ou indiretamente, no projeto de reconstrução do Museu Nacional.

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