Ministério Público denuncia 19 pessoas por esquema de corrupção na Uerj

Mais de 6 milhões de reais, de dinheiro público, foram desviados através de bolsas de pesquisas da instituição estadual, aponta MP

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jan 2025, 16h31 •
Símbolo da UERJ
Uerj: procurador da universidade empregou a esposa e diversos parentes (UERJ/Divulgação)
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  • O Ministério Público do Rio denunciou 19 pessoas por um esquema de corrupção na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ao todo, mais de 6 milhões de reais, de dinheiro público, foram desviados através de bolsas de pesquisas da instituição estadual.

    Segundo a denúncia do MP, esse desvio aconteceu num intervalo de 19 meses, entre junho de 2021 e dezembro de 2022, quando Bruno Garcia Redondo se aproveitou do cargo de procurador da Uerj pra montar um esquema de contratação irregular.

    Entre os contratados estavam a esposa dele, Fernanda de Paula Fernandes de Oliveira, além da mãe, do irmão, da tia, do tio, do padrasto e do irmão do padrasto de Fernanda. Amigos, ex-sócios e até o personal trainer de Bruno Redondo entraram nesse esquema.

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    Ainda de acordo com a denúncia, o professor de história Oswaldo Munteal Filho foi quem autorizou a inclusão dos nomes indicados por Bruno Redondo nas folhas de pagamento.

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    O grupo foi selecionado para trabalhar em dois projetos de extensão universitária: Observatório Social da Operação Segurança Presente e Laboratório de Estudos Socioeducativos. Não houve comprovação da prestação de serviços para justificar os pagamentos e não foram formalizados contratos individuais entre a Uerj e as pessoas contratadas, o que é contra a lei.

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    Outro ponto destacado pelo MP é a que os valores da remuneração desses contratados não se tornaram públicos, violando o princípio da transparência.

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    A investigação é do MP em parceria com a Delegacia Fazendária. O promotor do caso, Alexandre Themistocles, aponta que “tais recursos, que deviam ser utilizados em favor da sociedade, na prestação de serviços públicos voltados à saúde, à educação ou à segurança pública, acabaram beneficiando indevidamente pessoas apadrinhadas justamente por quem tinha a obrigação de controlar a legalidade, a moralidade e a eficiência dos atos da administração pública”.

    O MP afirma que os denunciados cometeram crimes contra a administração pública, pela prática de peculato – quando um funcionário público se aproveita do cargo para roubar dinheiro. O promotor pede que eles sejam suspensos das atividades públicas e proibidos de entrar na Uerj. Agora, a investigação do caso tenta apurar se também houve crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro.

    Atualmente Bruno Redondo trabalha como assessor da Cedae e a defesa dele afirmou à TV Globo que “recebe com surpresa e indignação a notícia da denúncia, à qual não teve acesso, e reforça que os procedimentos apuratórios concluíram que todas as provas demonstraram a inexistência de qualquer ilícito ou irregularidade. A defesa reitera ainda que confia na Justiça e está segura de que tudo será esclarecido”.

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    Em nota, a  Uerj diz que não foi notificada sobre a denúncia e permanece à disposição do Ministério Público para prestar as informações que forem solicitadas. “Ressaltamos ainda que a Uerj tem apresentado ao MP as informações solicitadas e que, desde março de 2024, a atual gestão vem aprimorando os procedimentos para renovação e criação de projetos por descentralização seguindo orientações do Tribunal de Contas do Estado, a fim de promover maior transparência e controle. A Uerj acatará qualquer decisão judicial”.

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    Folha secreta

    No ano passado, a Uerj foi alvo do Tribunal de Contas do Estado por suspeita de contratações irregulares. Segundo o TCE, entre 2021 e 2022, a universidade gastou 640 milhões de reais em projetos com pouca transparência.

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    O governador Cláudio Castro chegou a ser investigado por suspeita de usar programas da Uerj e do Ceperj para contratar cabos eleitorais para a eleição de 2022, mas foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

     

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