Beleza põe mesa! Louceiros se tornam peça-chave em projetos de arquitetura
O móvel ou cômodo simboliza uma nova onda de sofisticação na arte de receber e grifes como Hermès e Louis Vuitton já sabem disso
Ao rolar dos dedos pelo feed do Instagram de Silvia Braz, nota-se que a influenciadora digital é aficionada por roupas, bolsas, sapatos e outros acessórios de moda.
Afinal, os looks são publicados todos os dias, para deleite de seus dois milhões de seguidores. Mas é na cozinha que a fluminense de Campos dos Goytacazes guarda seu verdadeiro tesouro: um armário de madeira, do chão ao teto, com cinco portas de vidro bronze – espelhado em tom de marrom -, recheado de centenas de pratos, bowls, xícaras e copos de todos os estilos, entre lisos e estampados.
“Sou apaixonada por louças”, revela Silvia, que mora entre São Paulo e Rio – num apartamento de 300 metros quadrados em plena Vieira Souto, de frente para o mar de Ipanema.
“Tenho um bom acervo, dividido entre os dois endereços. Arrumo a mesa religiosamente para o café da manhã, mesmo quando peço delivery. E uso tudo, não guardo nada para ocasiões especiais. Minha família merece esse cuidado”, detalha a criadora de conteúdo.
Seu maior sonho? Ter um louceiro gigante, do tipo que ocupa um cômodo inteiro.
Foi num fim de semana em Angra dos Reis, a bordo do barco do empresário Marcelo Antunes, que Silvia inspirou o amigo a entrar de vez no mundo da mesa posta. “Ela publicou uma foto e repostei sem pretensão. Não sou o rei da etiqueta e nem quero ser, mas minha caixa de mensagens explodiu”, relembra Antunes, que já perdeu as contas de quantos pires, taças e talheres mantém em seu walk-in louceiro, um espaço de 7 metros quadrados semelhante a um closet.
Em vez de roupas, o morador guarda – e admira – sua louça. A conta @mga_studio, no Instagram, foi criada originalmente para divulgar arranjos florais, mas ganhou novo fôlego com a repercussão dos posts sobre decoração de mesas.
O sucesso foi tanto que ele iniciou uma série em que visita casas de amigas abastadas e, a partir das peças delas, monta composições especiais. “É um amor antigo. Lembro de, aos 7 anos, pedir para a minha avó servir a refeição no aparelho de jantar comprado numa viagem a Murano, na Itália”, conta.
Durante a pandemia, famílias redescobriram o prazer de se reunir à mesa e talheres e guardanapos saíram do fundo dos armários para o centro das atenções. Hoje, esse mercado está em expansão.
A ABCasa Fair, maior feira do setor na América Latina, que acontece na capital paulista, movimentou mais de 2 bilhões de reais em novos negócios no ano passado.
Segundo a consultoria Iemi, especializada em inteligência de mercado, o varejo de artigos de ornamentação e festas deve crescer quase 10% em vendas e mais de 13% em produção local.
O que impulsiona esse nicho é a demanda crescente por produtos de maior valor agregado, como peças em fibras naturais e guardanapos personalizados.
A empresa global Business Research Insights divulgou que o setor de utensílios de cozinha e domésticos deve ultrapassar 41 milhões de dólares até 2031.
Mirando nesse ramo, grifes a exemplo Dolce & Gabbana, Hermès e Louis Vuitton lançaram coleções voltadas para a mesa posta.
“Antigamente, um prato branco com friso dourado era o suficiente. Hoje, há uma preocupação em cuidar do lar”, resume a empresária Andrea Rudge, à frente da loja Unihome.
O novo jeito de olhar para a própria casa vem transformando também o trabalho de arquitetos e designers. “A cada dez projetos que faço, dez incluem louceiros. As pessoas estão cozinhando mais, recebendo amigos em casa, e querem servir com charme. Quem não consegue ter um walk-in louceiro aposta nas cristaleiras”, explica o arquiteto Mauricio Nóbrega que na CASACOR Rio de 2025 incluiu um desses no ambiente Estar na Varanda.
“Estou finalizando um apartamento em Ipanema em que o louceiro foi o item mais caro da obra. Eu mesma abri mão de uma copa para ter um espaço dedicado às louças. Tenho sala de jantar, então por que não usá-la?”, enlaça a designer de interiores Ciça Rego Macedo, autora do curso Decore, com mais de 2 000 alunos.
“Nem todo mundo tem a sorte de herdar peças de família, por isso a procura por feiras de antiguidades cresceu”, acrescenta. Mas não adianta dispor dos talheres mais caros se não souber se comportar à mesa.
Etiqueta, segundo os especialistas, não é frescura, mas sim uma ética discreta que torna a convivência mais agradável.
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O closet da cozinha
Para receber e impressionar as visitas, as dicas de quem entende do assunto
Custo-benefício é tudo. “Compre poucas taças universais e de boa qualidade. Também dá para ousar com copos coloridos e nos sousplats, que têm preços mais acessíveis”, aponta o empresário Marcelo Antunes.
Fugir do óbvio cai bem. “Adoro estampas. O segredo é escolher padrões mais sóbrios, que não enjoam . Vale a pena garimpar peças de marcas inglesas em antiquários”, diz a designer de interiores Ciça Rego Macedo.
Garfos e facas brilham aos olhos. “Um faqueiro completo de prata é item básico. Hoje em dia, o mercado oferece opções para todos os gostos e bolsos”, incentiva Andrea Rudge.
Haja espaço: o empresário Marcelo Antunes pretende aumentar a área em que guarda centenas de pratos, copos e afins “Invista em um aparelho de louça branca, que combina com tudo. Ao trocar os copos e o jogo americano, a decoração já fica diferente”, opina Silvia Braz, influenciadora.





