O que muda após o leilão do aeroporto do Galeão
Espanhola Aena Internacional leva a concessão até 2039 com ágio acima de 200% e contrato redesenhado
O Galeão ganhou um novo dono e, com isso, um novo contrato. No leilão realizado na B3, em São Paulo, o aeroporto foi arrematado por R$ 2,9 bilhões, com ágio de 210,88% sobre a outorga mínima, e a concessão passa para a espanhola Aena Internacional (que já administra 17 aeroportos no Brasil) até 2039.
O valor chamou atenção por superar tanto o piso (R$ 932 milhões) quanto a expectativa inicial do governo (cerca de R$ 1,5 bilhão).
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
A disputa teve três concorrentes: Aena, Zurich Airport e o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto (Vinci Compass + Changi), atual operadora. Depois de propostas iniciais e um viva-voz com 26 rodadas, a Aena chegou ao lance final, pago à vista.
O que muda no papel — e que ajudou a explicar o apetite do mercado — é o modelo de concessão: entra uma contribuição variável de 20% da receita bruta no lugar da outorga fixa, e saem exigências vistas como onerosas, como a obrigação de construir uma nova pista.
Outro ponto citado como “destravador” foi a saída da Infraero da sociedade (que hoje tem 49%), deixando a nova concessionária com a operação integral.
Na prática, o desafio agora é transformar a reviravolta de leilão em reviravolta de terminal. A missão da Aena é reposicionar o Galeão como hub internacional em um mercado pressionado por Guarulhos e pela concorrência do Santos Dumont — enquanto o governo federal tenta reequilibrar a demanda transferindo voos do SDU para o GIG.





