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A era João Fonseca: promessa do tênis se prepara para estrelar no Rio Open

Em sua quarta participação no torneio, carioca de 19 anos inspira nova geração de esportistas e faz crescer a procura por novas quadras e clubes

Por Carolina Ribeiro
13 fev 2026, 06h03 •
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Em Casa: fenômeno do tênis mundial, João Fonseca volta à arena do Jockey (Dhavid Normando/Agif/Rioopen/Divulgação)
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  • Debaixo do sol inclemente de uma quinta feira, 5 de fevereiro, João Fonseca se protegeu como pôde: protetor solar, boné rosa choque, camiseta e bermuda brancas — e um escapulário discretamente pendurado no pescoço. Era o aquecimento informal para o que promete levantar a torcida no Rio Open, cuja 12ª edição começa neste sábado, 14, no Jockey Club, e segue até o dia 22. Cerca de trinta repórteres e cinegrafistas se acotovelaram para acompanhar o treino aberto do tenista sensação de 19 anos, um evento raro em sua rotina quase monástica. De segunda a sexta — e, às vezes, aos sábados —, ele repete o mesmo script: sai de Ipanema rumo à academia Yes Tennis, no Itanhangá Golf Club, onde passa umas nove horas seguidas. Do outro lado do alambrado, o clima era de pura animação. “Só faltou a cerveja e o cooler”, entusiasmou-se um fã. “João Fonseca é pop”, emendou outro. Na plateia, avistava-se a mãe do atleta, Roberta Fonseca, que diz estar 100% “fonsequizada” — termo criado e disseminado pelo fiel fã-clube. Ex-jogadora de vôlei, ela começou a jogar tênis há dois anos para acompanhar o filho mais de perto. “Gosto da adrenalina de vê-lo jogar”, falou a VEJA RIO, trazendo no pescoço um colar com um pingente de Wimbledon, onde o rebento fez campanha histórica.

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    Rio Open: “Nosso melhor momento coincide com a era João Fonseca”, vibra Marcia Casz, diretora-geral (Peter Wrede/Divulgação)

    O Rio Open é o único representante brasileiro do ATP 500, terceira categoria dos torneios mais importantes do esporte, atrás apenas dos Grand Slams e dos Masters 1 000. Cidades como Barcelona, Dubai e Tóquio também sediam esse rol de embates, que vale 500 pontos no ranking do tênis mundial. Ao longo de nove dias, 32 atletas de alto rendimento serão vistos nas oito arenas de saibro do Jockey. Entre as estrelas internacionais, colocarão suas raquetes em plena ação o italiano Matteo Berrettini e o argentino Sebastián Báez, atual bicampeão do torneio. Os ingressos se esgotaram em duas horas, e a expectativa da organização é reunir 70 000 pessoas. O evento conta com 44 marcas patrocinadoras (na primeira edição, eram onze) e, segundo uma pesquisa da consultoria Deloitte, a previsão de impacto econômico está na ordem dos 200 milhões de reais, gerando 5 000 empregos diretos e indiretos. “Não é coincidência que o melhor momento da história da competição seja no início da era João Fonseca. O fenômeno mundial do esporte é carioca, e isso nos inspira”, diz a diretora-geral, Marcia Casz. “Temos a quadra mais linda do mundo, com vista para o Cristo Redentor”, derrama-se.

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    Cidade Maravilhosa: Quadra mais linda do mundo tem vista para o Cristo Redentor (André Gemmer/Divulgação)

    A chamada era João Fonseca começou com a maioridade do atleta. Em janeiro de 2025, aos 18 anos, o carioca entrou para a lista dos 100 melhores jogadores da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) ao vencer o russo Andrey Rublev na chave principal do Australian Open. Na sequência, conquistou o ATP 250 de Buenos Aires, onde atualmente duela por uma nova classificação no ranking. Até o fechamento desta edição, ele ocupava a 33ª posição. O desempenho nos três Grand Slams — Roland Garros, na França, Wimbledon, na Inglaterra, e o US Open, nos Estados Unidos — chamou a atenção de feras como Gustavo Kuerten, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic (veja o quadro na pág. 20). Modesto, Fonseca, por ora, rejeita elogios envoltos em superlativos, como “lenda”. “Ainda falta muito para chegar lá e espero ter muitos anos de carreira pela frente”, diz, enquanto se prepara para a prova de fogo em casa. “Com certeza o Rio me dá mais vontade de ganhar, é onde eu entrego tudo. É especial ver família e amigos na arquibancada”, afirma o tenista, que cancelou sua participação em dois torneios em janeiro devido a uma lesão na lombar. “Ele está firme e pronto para defender a bandeira do Brasil”, assegura o mineiro Guilherme Teixeira, treinador responsável pelo notável progresso do pupilo desde os 12 anos.

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    Firme e forte: “Ele está recuperado da lesão na lombar e preparado para brilhar”, adianta o treinador Guilherme Teixeira, que o acompanha há sete anos (Dani Dacorso/Veja Rio)
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    Tímido, na dele, João Fonseca leva uma vida discreta e regrada. “Sigo uma rotina, vou e volto todo dia do treino de carro, não estou acostumado a interagir com muita gente na rua”, explica o carioca e flamenguista de coração, que conversou com VEJA RIO por chamada de vídeo poucos dias antes daquele treino, trajando um boné bordado com o mapa do Brasil. Ele deu as primeiras raquetadas aos 4 anos, no Country Club, em Ipanema, bairro em que mora. A relação com o Rio Open é também longeva — ele começou como rebatedor, nome dado a quem ajuda nos treinos dos profissionais, e em 2023 integrou oficialmente o torneio pela primeira vez. Hoje, é visto como forte candidato a alçar o posto de um dos dez melhores do mundo após o torneio (tudo a ver, e ele é cauteloso), e já soma cerca de 13 milhões de reais em prêmios ao longo da carreira, atraindo patrocinadores de peso como Claro, Rolex, XP Investimentos e On Running. Entre as metas, e o jovem tenista as tem em boa dose, quer conquistar mais títulos — Wimbledon é um sonho. Mas a ambição extrapola as quadras: pretende ler mais e ainda aprender a falar italiano, jogar pôquer e gerir o próprio dinheiro

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    Atleta Mirim: João Fonseca com a mãe, Roberta, em uma das primeiras edições do Rio Open (Instagram @atptour/Divulgação)

    O sucesso do menino prodígio carioca vai além do esporte. Segundo o levantamento Buscas do Ano de 2025, João Fonseca liderou a lista das personalidades com maior escalada nas procuras no Google Brasil. Atrás estão o presidente americano Donald Trump e a atriz Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro. Um estudo do instituto Nexus  Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, ele experimentou um crescimento meteórico nas redes sociais: ganhou quase 1 milhão de seguidores no Instagram. Foram 147 postagens com 11 milhões de interações. Presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Alexandre Farias atribui a ascendente procura pelo esporte ao ídolo carioca. “O João é um talento excepcional. Além disso, o tênis é o esporte dos influenciadores e passou a ser visto como uma atividade mais acessível”, avalia, acrescentando que a modalidade cresceu principalmente entre crianças e adolescentes. No último ano, a confederação realizou 35 torneios profissionais, entre masculinos e femininos, em 24 cidades brasileiras, movimentando 23 milhões de reais em premiações. Dados da plataforma Wellhub indicam que os check-ins em treinos de esportes com raquete no Brasil subiram 95% em 2025.

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    Iniciativa Social: projeto Irmãos Quirino acolhe crianças e adolescentes nas zonas Oeste e Sudoeste (Dani Dacorso/Veja Rio)

    A demanda por novas quadras na cidade é um dos efeitos claros da influência do jovem carioca. Em tempos recentes, pipocaram clubes dedicados ao esporte, como a Rio Tennis Academy, em Laranjeiras, a Blue House Tennis, em Botafogo, e a Techset Academy, na Barra — a primeira, com mensalidades a partir de 850 reais. Mas há também iniciativas sociais, como o projeto Irmãos Quirino, que desde 1985 acolhe crianças em situação de vulnerabilidade das zonas Oeste e Sudoeste (João Cunha, filho do fundador, Ivo Quirino, deu suporte a João Fonseca naquele treino de termômetros nas alturas aberto à imprensa). Outro projeto por onde já passaram mais de 6 000 jovens é o Tênis na Lagoa, com quadras públicas sempre lotadas. Nas vilas olímpicas de Santa Cruz, Jacarepaguá e Campo Grande, 450 crianças se matricularam em escolinhas do gênero no último ano. “A modalidade exige logística e estrutura, mas o beach tennis, por exemplo, é mais democrático”, avalia o secretário municipal de Esportes e Lazer, Guilherme Schleder, que atribui o fascínio dos pequenos tenistas à ascensão de João Fonseca.

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    Admiração Mútua: a atriz Alice Wegmann já foi tietada pelo atleta carioca, e hoje se inspira nele para treinar saques e recepções (arquivo pessoal/Divulgação)

    O esporte também vem caindo nas graças de famosos e estampando editoriais de grifes como Fila e Lacoste, enquanto a marca carioca Maria Filó lançou uma linha de bolsas e lenços em parceria com o Rio Open. Em meio ao frenesi, a atriz Alice Wegmann, 30 anos, resgatou a antiga paixão por bolinhas e raquetes. “Sempre foi um esporte da família: meu avô, meu pai e tios jogavam, então cresci com essa referência”, conta ela, que chegou a fazer aulas em 2012 para compor Sofia, personagem da novela A Vida da Gente. Agora, foi incentivada pelo namorado, o empresário Luiz Guilherme Niemeyer, 31. Fã de João Fonseca, ela guarda uma fotografia com o craque ainda na infância. “Quando eu fazia Malhação, João era pequenininho e pediu para tirar uma foto comigo. Hoje, sou eu quem quero repetir o clique. Ele arrebenta”, diz Alice. A promessa do tênis ainda não se acostumou com o assédio. “Viajei para o Nordeste nas férias e fui reconhecido no aeroporto e em restaurantes”, conta Fonseca, avesso à badalação. “Nunca fui à Sapucaí, mas adoraria conhecer um dia, minha namorada é fascinada. Só espero que neste ano eu não consiga ir”, brinca. Que o desfile dele seja empunhando a taça de campeão sob a bela moldura do Jockey — ao som do Hino Nacional regido por Pretinho da Serrinha e com a participação de Miguelzinho do Cavaco.

    BASEL, SWITZERLAND - OCTOBER 26: Joao Fonseca of Brazil kisses the trophy after winning against Alejandro Davidovich Fokina of Spain during the Final Round on day 9 of the Swiss Indoors Basel 2025 ATP 500 tennis tournament at St. Jakobshalle on October 26, 2025 in Basel, Switzerland. (Photo by Priscila Bütler/Sports Press Photo/Getty Images)
    Nossa Taça: João Fonseca em 2025, com o troféu do ATP 500 da Basileia (Priscila Bütler/Sports Press Photo/Getty Images/Divulgação)
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    Menino prodígio

    Números e curiosidades do atleta 

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    Em 2025, disputou 55 partidas, venceu 38 e levou 4 títulos

    Entre as principais vitórias, 9 foram em Grand Slams e 7 em Masters 1000 

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    Acumulou mais de 13 milhões de reais em prêmios, sendo o maior deles no ATP Next gen na Arábia saudita, no valor de 2,8 milhões de reais 

    Oscilou entre a 34ª e a 68ª posição do ranking mundial no ano passado

    Nas redes, ele tem mais de 1,2 milhão de seguidores 

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    Absolute Tênis: Atleta liderou a lista dos nomes mais buscados no Google Brasil, em 2025, à frente de Donald Trump e Fernanda Torres (Ellen von Unwerth Golden Globes/Divulgação)

    Foi o nome com maior número de buscas no google Brasil em 2025, superando Donald Trump e Fernanda Torres

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    Palavra de ídolo

    O que lendas das quadras dizem sobre Fonseca

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    Gustavo Kuerten, único brasileiro tricampeão de Roland Garros. “O potencial que o João apresenta nas quadras é fruto de um trabalho bem elaborado, para além do garoto que sai batendo na bola e começa a acertar tudo. Ele demonstra uma capacidade de evolução extraordinária.” 

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    Roger Federer, multicampeão suíço. “Ele tem uma aura especial e parece ser um garoto muito legal. De certa forma, me faz lembrar a mim mesmo: precisa de tempo para aprimorar seu jogo e aprender a mudar o ritmo. Quando descobrir isso, o céu é o limite.”

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     Rafael Nadal, espanhol, maior vencedor da história de Roland Garros. “Ele começou muito bem a carreira. Já o vi jogar algumas vezes e gosto do bom ambiente, parece muito próximo da família. Acho que tem um grande futuro pela frente.”

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    Carlos Alcaraz, espanhol, atual número 1 do mundo. “É um jogador muito interessante de ver. Encanta a maneira como joga, seus golpes poderosos com a direita, que é muito boa.”

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     Novak Djokovic, sérvio, maior campeão de Grand Slams. “Ele é o assunto do tênis. Merece! É muito bom, com incrível poder de fogo dos dois lados no fundo da quadra. É um jogador completo.”

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