Justiça adia júri do caso Henry Borel
Marcado para a manhã desta segunda (23), julgamento é adiado após abandono da defesa de Jairinho
Marcado para acontecer nesta segunda (23), o julgamento de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, acusado de matar Henry Borel Medeiros, de 4 anos, foi adiado para o dia 22 de junho, após os advogados do ex-vereador abandonarem o plenário. Juíza responsável pelo caso, Elizabeth Louro havia indeferido o pedido de defesa para suspender o julgamento, que seria realizado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, no Centro, na presença de 15 jurados — dos quais, sete foram sorteados para participar do Conselho de Sentença. Padrasto da criança, Jairo responde por homicídio qualificado, enquanto a mãe, Monique Medeiros, responde por homicídio por omissão qualificada. Os dois são réus por crimes de tortura e coação ao longo do processo, conforme denúncia.
Elizabeth Louro classificou a ação como “abandono ilegítimo” e marcou nova data para retomada do júri: 22 de junho. Na decisão, ela determinou ainda o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, com expedição de alvará de soltura, ao entender que mantê-la no presídio significaria um “constrangimento legal”, já que a ré não contribuiu para o adiamento. Jairinho, por sua vez, permanecerá preso. Após a interrupção da sessão, tanto ele quanto Monique comemoram o desfecho.
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Nos últimos dias, a defesa do ex-parlamentar já vinha tentando suspender o julgamento, alegando tentativa de influência do júri por parte de Leniel Borel (pai de Henry). O pedido foi reiterado e negado novamente nesta manhã, antes de os advogados de Dr. Jairinho deixarem o plenário. A movimentação vinha sendo acompanhada pelo assistente de acusação, Cristiano Medina Rocha, segundo entrevista dada por ele ao Jornal O dia. “A defesa vinha apontando, nos últimos dias, que talvez abandonasse, de forma covarde, a plenária”, informou Cristiano.
Segundo o advogado, há provas legítimas da autoria do crime e do envolvimento da mãe de Henry, que também irá a julgamento. “Não há dúvida de que na madrugada de 8 de março de 2021, Jairo torturou Henry que teve uma morte cruel. Esse crime só aconteceu porque abdicou do dever de proteger seu filho para ter uma vida de luxo. Monique sabia que a criança sofria calada. Ela manipulou todos em volta, pai, mãe e babá”, relatou o advogado.
Os advogados do ex-vereador também solicitaram a mudança de comarca para o julgamento, sob a alegação de uma “campanha midiática” no Rio. A assistência de acusação contestou o pedido, afirmando que seria necessário realizar o julgamento “fora do planeta Terra” para evitar que “a sociedade clame por justiça”.
Cristiano Medina acrescentou que, caso haja adiamento, a assistência de acusação irá requerer a aplicação de multa à defesa de Jairinho e, se houver novo abandono do júri, pedirá que a Defensoria Pública assuma o caso. Já a defesa de Monique, que falou anteriormente à imprensa, sustenta que o “verdadeiro responsável” pelo homicídio é Jairinho.
O caso perdura por cinco anos. Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021. Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique é acusada de homicídio por omissão qualificado, tortura e coação. Ambas as acusações têm o agravante de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e a vítima ser menor de 14 anos. Se forem condenados, a pena pode chegar a mais de 50 anos de prisão para cada um.





