Gravação mostra jovens comemorando estupro coletivo
Imagens exibem homens e adolescentes em elevador debochando do episódio após violência sexual: "a mãe de alguém teve que chorar hoje"
Por Redação VEJA RIO
Um vídeo gravado no elevador de um prédio em Copacabana mostra jovens acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos rindo e fazendo comentários em tom de deboche logo após o crime. As imagens foram exibidas pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (8). O crime ocorreu em 31 de janeiro, em um apartamento de propriedade da família de um dos suspeitos.
As imagens registram dois dos envolvidos logo após deixarem o imóvel onde a jovem afirma ter sido violentada. Em determinado momento, um deles diz: “A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje…”, frase interpretada pelos investigadores como uma comemoração do crime.
A reportagem também mostrou registros do grupo entrando no apartamento naquela noite. Em outra gravação, feita no elevador do prédio, os jovens aparecem sorrindo e conversando enquanto deixam o local.
Parentes da vítima relataram à reportagem que a adolescente apresentava diversos hematomas pelo corpo. Segundo o irmão, as marcas iam da altura das axilas até as coxas. A mãe afirmou ainda que a jovem contou ter sido chutada quando pediu que os agressores parassem.
De acordo com o relato da família, o menor de idade apontado como um dos envolvidos também teria insinuado que faria algo contra a irmã mais nova da vítima, de 12 anos, caso ela revelasse o ocorrido.
Todos os cinco suspeitos citados na investigação já foram detidos. Os jovens Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, e Bruno Felipe dos Santos Alegretti, também de 18, se apresentaram à polícia e foram presos na última quarta (4). Um dia antes, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho haviam se entregado às autoridades.
Na sexta (6), a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apreendeu o adolescente de 17 anos apontado como participante do crime. O mandado de internação foi expedido no dia anterior pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) e responsável pela investigação, o adolescente teria sido “a mente por trás” da ação. Conforme os depoimentos reunidos pela polícia, ele mantinha um relacionamento com a vítima e teria sido quem a convidou para ir ao apartamento onde o estupro ocorreu.
Entenda o caso
O crime ocorrido no fim de janeiro passou a revelar, segundo a polícia, um possível ciclo de violências sexuais atribuídas ao mesmo grupo de jovens do Colégio Pedro II. A adolescente de 17 anos, que afirma ter sido violentada por quatro homens e um menor de idade em um apartamento em Copacabana, decidiu denunciar o caso — e seu relato acabou incentivando outras jovens a procurarem as autoridades para contar situações semelhantes com os mesmos suspeitos.
O irmão da adolescente foi a primeira pessoa a quem ela conseguiu pedir ajuda. “Ela me mandou mensagem, falou: preciso de ajuda agora, é sério. Ela falou: acho que fui estuprada”, contou.
O estupro aconteceu em 31 de janeiro. A adolescente foi convidada para ir ao apartamento por um colega de escola, um menor de 17 anos com quem já havia se relacionado. O imóvel pertence à família de um dos suspeitos. Imagens de câmeras de segurança mostram que, às 19h24, três dos cinco jovens entram no prédio. Um minuto depois, a vítima chega acompanhada do menor.
De acordo com o depoimento da jovem, ela foi levada a um quarto para ficar com o rapaz. Em seguida, os outros quatro entraram no cômodo. A estudante relatou que recusou as tentativas de convencimento para manter relações com os amigos dele, mas acabou imobilizada, enquanto a porta era trancada.
Segundo o relato, por cerca de uma hora os cinco se revezaram nas agressões sexuais e físicas. O delegado responsável pela investigação afirmou que as lesões constatadas pelo IML são compatíveis com o depoimento da vítima.
Depois do crime, câmeras do prédio registraram a adolescente e o menor deixando o apartamento. No elevador, os suspeitos aparecem celebrando. Após o episódio, o menor continuou frequentando a escola e, segundo a família da vítima, passou a rondar a irmã mais nova dela, de 12 anos.
Quando o caso se tornou público, outras vítimas procuraram a polícia. Uma mãe relatou que a filha, então com 14 anos, também teria sido violentada por integrantes do mesmo grupo. Outra jovem, hoje maior de idade, contou ter sido abusada em uma festa por um dos acusados que estão presos. Segundo ela, o episódio nunca havia sido denunciado porque não conseguiu assimilar o trauma — até tomar conhecimento do caso da adolescente.
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Em nota, o Colégio Pedro II informou que todas as denúncias são acolhidas pela instituição e que foi aberto processo disciplinar, que pode resultar no desligamento compulsório dos envolvidos.
As defesas dos cinco acusados negam as acusações e afirmam que pretendem comprovar a inocência deles no decorrer do processo.
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