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Mais de 80% das famílias nas favelas dependem de doações para se alimentar

Com a crise financeira e o desemprego que se agravaram desde o começo da pandemia da Covid-19, diversos lares passaram a contar com ajuda de ONGs

Por Luiza Maia 18 mar 2021, 18h33

Uma pesquisa realizada pelo Data Favela, uma parceria entre a Central Única de Favelas (Cufa) e o Instituto Locomotiva, mostra o impacto da pandemia do novo coronavírus no agravamento da fome em diversas comunidades do país, período em muitas pessoas perderam suas fontes de renda. Neste cenário, 82% das famílias que vivem nessas áreas relataram que não conseguiriam obter o alimento diário sem a ajuda de doações solidárias. A cada dez pessoas, nove afirmaram que receberam alguma ajuda durante a pandemia.

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O levantamento, realizado com 2 087 pessoas em 76 favelas no país em fevereiro, mostra que atualmente 68% destas afirmam que a pandemia prejudicou na alimentação da família, um número maior em relação a agosto de 2020 (43%). Café da manhã, almoço, jantar – nem sempre é possível garantir as três refeições. “Com o fim do auxílio emergencial, o recorde do desemprego e o caos na saúde, a fome voltou à mesa da favela. Nossa pesquisa mostrou que uma família faz hoje, em média, menos de duas refeições por dia. A situação ainda não chegou ao pior estado porque ONGs ainda fazem chegar auxílio às comunidades. Mas vivemos uma situação limite”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela.

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Em relação à renda, o levantamento aponta que 71% das famílias estão vivendo hoje com uma renda menor do que antes da pandemia. Caso ocorra o fim do auxílio emergencial, 67% dessas pessoas vão precisar cortar os gastos em casa, incluindo despesas básicas como alimentos, itens de limpeza e contas da casa.

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Observando a necessidade desses grupos em situação vulnerável correntes solidárias têm se espalhado para arrecadar alimentos e mobilizar a população em torno dessa realidade. Em março, a CUFA retomou um projeto para ajudar mães solos residentes em comunidades, o Mães da Favela, que oferece uma bolsa de R$ 240,00 mensais. O projeto foi criado em 2020 para ajudar mulheres com dificuldades financeiras, e agora, com o prolongamento da pandemia, retoma as doações.

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A campanha Tem gente com fome, mobilizada pela Coalizão Negra de Direitos em parceria com organizações, também foi idealizada com o objetivo de arrecadar fundos para ações emergenciais de enfrentamento à fome. “As respostas para o tamanho da crise que estamos vivendo neste momento ainda não são suficientes. Por isso, essa articulação em nível nacional é fundamental para alertar a situação de fome que muitas famílias das favelas e periferias se encontram”, afirma Eliana Sousa Silva, diretora e fundadora da Redes da Maré, uma das ONGs por trás da iniciativa.

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Lançada na terça (16), a campanha conta com o apoio de artistas e celebridades e já se aproxima de 1 milhão em arrecadações. “Percebemos uma demanda muito maior neste ano de pessoas que vieram nos pedir ajuda. Então, elaboramos um mapa para ver quantos integrantes de nossa rede, com mais de 200 entidades, estavam passando necessidade e chegamos ao número de 222 895 famílias que vamos apoiar com esse movimento”, diz Wesley Teixeira, integrante da Coalizão Negra por Direitos e coordenador do projeto Movimenta Caxias.

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Confira formas de ajudar esses projetos:

CUFA – Central Única das Favelas 

CNPJ:06.052.228/0001-01
Bradesco
Ag.: 0087
C/C: 5875-0
Vaquinha virtual: http://vaka.me/1758793

Mães da Favela
https://www.maesdafavela.com.br/doar

Tem gente com fome
https://www.temgentecomfome.com.br/#block-36207

 

 

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