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Da cabeça para cima: os adereços que roubam a cena na folia

Designers apostam no maximalismo para encarar horas de bloco sem perder o glamour e movimentam a economia criativa ao transformar qualquer look em fantasia

Por Carolina Isabel Novaes
6 fev 2026, 07h24 •
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Carnaval: entre nuvens, cogumelos e plumas recicladas, as “cabeças” viraram o novo close da folia (Divulgação/Divulgação)
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  • Basta um bloco ganhar as ruas com seus ganzás, repiques e, agora, onipresentes instrumentos de sopro para que o Carnaval se espalhe pelo asfalto em brilho, pele à mostra e exagero. No meio da maré humana, é do pescoço para cima que se decide quem fica na memória.

    Os adornos de cabeça, capazes de reinventar um look tanto na rua quanto nos bailes frequentados por artistas e grã-finos, viraram o novo território da imaginação carnavalesca. “Não penso em beleza, mas em criatividade e humor. Não é para ficar linda, mas para ficar ridícula. É uma grande piada”, afirma a carioca e moradora de São Paulo Alexia Hentsch, que cria peças em grandes formatos – nuvem, cogumelo e rosa, por exemplo – e já enfeitou Roberta Sá, Ivete Sangalo e Marina Ruy Barbosa.

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    Dez, nota dez: Alexia Hentsch (acima) e Olya Neroliconfeccionam criativos e disputados ornamentos (Divulgação/Divulgação)

    A estilista trabalhava com moda masculina em Londres e voltou ao Brasil para integrar o departamento de arte da Rio2016. Mergulhou no maximalismo com costureiras do Theatro Municipal e bordadeiras de escolas de samba e, no ano seguinte, passou a fazer acessórios sob encomenda. Hoje, um ornamento com a assinatura de Alexia custa, em média, 3 000 reais e leva uma semana para ficar pronto. “As pessoas vêm em busca das cabeças”, aponta Mariana Pinho, à frente do projeto Sustenta Carnaval, que recupera restos de fantasias da Sapucaí.

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    Nas alturas: a atriz Juliana Paes incrementa figurinos com acessórios de cabeça (instagram @julianapaes/Divulgação)
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    Um ponto fundamental na confecção dos adereços de cabeça é a leveza – afinal, não adianta dar close e não se sentir confortável para cumprir a maratona carnavalesca. “Meus primeiros clientes foram os músicos e acrobatas de blocos, que passam horas se equilibrando em pernas-de-pau, então as peças não podiam atrapalhar a performance”, conta Olya Neroli, russa de nascimento e carioca por amor desde 2018.

    Em Moscou, a artista trabalhava como produtora de eventos e sempre foi apaixonada por festas temáticas. Ao passar de ônibus pela Cidade do Samba, Olya viu material das escolas abandonado e decidiu coletar alguns retalhos. Nasceram assim seus primeiros trabalhos, com material 100% reciclado, em 2019. Hoje ela é requisitada por folionas como Camila Pitanga e a socialite Narcisa Tamborindeguy.

    “Jamais abandonei a filosofia lá do início. Todos os artigos passam por testes rigorosos de conforto e estabilidade”, atesta a russa, que confecciona desde tiaras mais simples, vendidas a 550 reais, a adereços com plumas, que saem a 1 200 reais.

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    Peça-chave: um adereço de cabeça transforma roupa básica em fantasia (Divulgação/Divulgação)

    A moda focada na folia de rua também movimenta a economia. Fundada em 2018 pela estilista Clarissa Romancini, a Ohlograma vende cerca de 1 000 peças por coleção de início de ano, incluindo não só as famosas cabeças, mas colares, leques e hot pants.

    “Eu já era apaixonada pela festa e comprava itens carnavalescos todo ano. Até que uma amiga falou: ‘vamos parar de gastar dinheiro e começar a ganhar com isso?”, relembra Clarissa, nascida em Brasília e com passagens pelas grifes Totem, Farm e Gilda Midani antes de empreender. A primeira encomenda foram os adereços do desfile de Isabela Capeto para uma cervejaria em 2020 e, desde então, ela já atendeu Adriana Varejão, Aline Moraes, Nanda Costa e Débora Nascimento.

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    “Um acessório bem posicionado já transforma uma roupa em fantasia”, defende Stephanie Sartori, criadora da Santa Maria, com público cativo não só nos cortejos cariocas mas no festival Burning Man, que acontece anualmente no deserto de Nevada, nos Estados Unidos.

    Desde 2024, a Santa Maria vem lançando chapéus e lírios com pedrarias, a partir de 428 reais. “O Carnaval convida a ser imaginativo. E isso é libertador”, enlaça Stephanie. No Carnaval, em que o corpo já virou figurino, resta à cabeça cumprir sua vocação maior: imaginar sem pudor. E, se for para exagerar, que seja do pescoço para cima. 

    Memória afetiva: Outras tendências de moda da folia 

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    Marinheiro, pirata, pierrô, colombina, odalisca, palhaço… as tradicionais fantasias são a aposta das estilistas nesta temporada. “Nos últimos anos, as pessoas estavam indo só de bonita, sabe? Mas isso vem mudando, há um resgate da emoção de se fantasiar”, diz Clarissa Romancini, da ohlograma. “Carmen Miranda é campeã de pedidos, mas faço tudo com humor”, completa alexia Hentsch.

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    Fantasias: desde marinheiros até palhaços, a emoção de se fantasiar volta com tudo (Divulgação/Divulgação)
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